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O SILÊNCIO DAS CINZAS

Terça-feira, 19.08.14

Não se espalhe mais fogo sobre a terra,

Qu’o mar, lá longe, não o apaga. Verde!

Destemido sorriso que se perde.

Em eco de tarde incauta. Dilacera,

 

Dói, queima, petrifica e aterra…

Terror canonizado que se verte.

Parem! Deixem que a terra se liberte,

E que a dor se transforme em quimera.

 

Se o perfume das cinzas dulcifica

É tarde p’ra travar. Abram os rios,

Não destruam mais florestas inocentes.

 

Minhas súplicas, flexíveis repúdios,

Bramidos que se perdem, displicentes.

Só o silêncio das cinzas purifica.

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publicado por picodavigia2 às 22:37

HELENA GRAÇA RODRIGUES

Terça-feira, 19.08.14

Helena Graça Rodrigues nasceu na Graciosa, 11 de Março de 1870 e faleceu na Horta, em 16 de Maio de 1949. Distinguiu-se como poetisa, caricaturista e jornalista. Filha de João José da Graça herdou-lhe o vigor e o brilho do estilo. Senhora de raros dotes intelectuais, de fina sensibilidade e de requintada gentileza, que se impunha pela distinção do seu porte e pela afabilidade do seu trato. Tudo quanto era elevado a interessava; desde as Letras à Música, passando pela Arte, que conquanto não fosse uma profissional, tinha um lugar distinto no seu temperamento de verdadeira Artista. Foi uma poetisa que vivera o seu sonho de Ideal e de Beleza, lutara pela dignificação da Mulher Faialense, cantara a sua Ilha Azul (sua apesar do acaso ter feito com que nascesse na ilha Graciosa) em estrofes singelas e sinceras, fora directora de um jornal feminino, o único que se publicou neste distrito senão em todo o arquipélago. Para Rui Galvão de Carvalho «[...] a sua obra poética não é de uma verdadeira artista; neste ponto a sua forma literária mostra-se um tanto descuidada, por vezes áspera, quase prosaica, mesmo a pontuação é irregular, pelo menos caprichosa e incorrecta. Isto, evidentemente não significa ausência de inspiração, ou falta de experiência vivencial. Helena Graça Rodrigues, pelo contrário, possui, especialmente na poesia satírica, certa originalidade imaginativa e, na poesia lírica, sensibilidade vibrátil».

Fundou e dirigiu durante dez anos o quinzenário literário e humorístico O Feminino, foi redactora do Eco Cedrense e colaborou com muitas outras publicações.

Obras: Focados e Véspas e Maripôsas.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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publicado por picodavigia2 às 18:31

A FURNA DA RELVA DAS ÁGUAS

Terça-feira, 19.08.14

Meu pai tinha duas relvas nas Águas, ambas localizadas quase junto à rocha. As  “Águas de Lá”, assim se chamava a mais distante, encastoada ainda como que num pequeno declive da rocha, lá para os lados da Ribeira das Casas, era constituída por meia dúzia de belgas, sobrepostas umas às outras, mas muito pobres em erva e muito férteis em fetos e cana roca. As vacas odiavam-na e, só muito à força, para lá eram encaminhadas. As “Águas de Cá”, por sua vez, era bem mais verdejante no que à relva dizia respeito, com erva muito fresquinha e apetitosa, para onde as vacas desejavam, ardentemente, serem encaminhadas. Mas o que de mais interessante havia nesta relva, não para as vacas mas para mim que as ia lá levar e buscar, era uma enorme furna, na qual eu me refugiava, horas a fio, sobretudo em dias de grandes chuvadas. Com um piso térreo e paredes formadas por enormes pedras, a furna era coberta por uma laje ainda maior e mais ampla. Com o tempo, acumulara-se terra sobre a laje, onde nasceu erva, tornando o telhado da furna uma espécie de continuidade da pastagem, transformando-se num pedaço da relva. Apenas o declive do terreno, permitia que a entrada para a furna permanecesse aberta como se de uma porta se tratasse. A perfeição desta furna era tal que parecia ter sido construída por mão humana. Mas fora a natureza que ali a construíra, segundo uma antiga lenda, miraculosamente.

Segundo essa lenda, há muitos, muitos anos atrás, havia um casal que tinha uma filha Era uma família de posses, com a sua casa abastada e farta, com muitos animais domésticos, os quais ou ajudavam no trabalho do campo ou serviam de alimento. A paz e alegria reinavam naquela casa, alastravam pelos campos, a lua coalhava-a de uma luz suave e os animais cresciam, mansamente, espalhados pelos campos.

Mas, certo dia, uma grande tragédia veio alterar e destruir a alegria e a paz daquela casa. A filha, subitamente, engravidara e os pais furiosos, condenaram-na e espoliaram-na a ponto de a expulsar para sempre de casa. A rapariga deambulou dias e noites pelos campos, não tendo que comer nem onde dormir. Apenas se alimentava com plantas e frutos silvestres e dormia encostada às abas das paredes.

Na noite em que o filho nasceu, porém, ouviu um grande estrondo. Da Rocha das Águas caiam enormes pedras que, miraculosamente, ao chegar ao solo, se juntavam umas com as outras e se aglomeravam formando uma enorme furna, onde a rapariga, pouco depois, se recolheu com o seu filho. Juntando ervas e folhas de árvores fez uma pequenina cama onde o deitou. Os pais nunca mais a aceitaram nem dela quiseram saber e a rapariga viveu ali sozinha com o filho. Reza a lenda que todos dias chegavam ovelhinhas a oferecerem o seu leite para\alimentar o menino, as pombas traziam-lhe os seus ovos, da rocha desciam regatos de água fresca, ao lado dos quais floresciam árvores carregadas de frutos saborosíssimos e junto à erva, onde pastavam as ovelhas, cresciam tomates, alfaces e couves repolhudas. Conta ainda a lenda que todos os dias, aparecia um grande pedaço de pão de milho e um quarto de bolo junto à entrada da gruta, que um velhinho, às escondidas da madruga, ali ia depositar.

Quem não tiver medo e eu, quando criança, não tinha, pode, ainda hoje, se a furna lá estiver, entrar dentro dela, indo pela Canada das Águas, na direcção da rocha e depois voltar à esquerda, seguindo a íngreme vereda, paralela à Rocha, entrando no portal da antepenúltima relva, do lado contrário à rocha.

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publicado por picodavigia2 às 17:41

BISPO E PRESIDENTE DE JUNTA

Segunda-feira, 18.08.14

D. Manuel Afonso de Carvalho foi o 36.º bispo de Angra, governando a diocese entre 1957 e 1978. Natural da freguesia de Subportela, no concelho de Viana do Castelo, o prelado para ali se deslocava, com alguma regularidade, durante os meses de Verão, entregando o governo da diocese ao Vigário Geral ou a outro sacerdote, geralmente um membro do cabido, de reconhecida competência.

Num Verão da década de sessenta, por alturas em que Sua Excelência, se encontrava, mais uma vez, de férias, em Subportela, um sacerdote, a paroquiar nos Açores, foi acometido de doença grave que o forçou a deslocar-se ao Porto, para consulta médica e posterior tratamento, sem, no entanto, ter possibilidades de pedir a respectiva autorização para se ausentar da diocese, como mandavam as normas canónicas.

Como permanecesse na cidade invicta durante mais tempo que o previsto e sabendo que o Prelado se encontrava em Subportela, decidiu por deslocar-se aquela aldeia minhota, a fim de justificar e legalizar a sua saída da diocese.

Ao chegar à freguesia, como desconhecesse a morada da familiar do bispo, onde este se encontrava hospedado, tentou informar-se, junto do primeiro transeunte que encontrou, perguntando-lhe onde era a casa da família Afonso Carvalho.

O transeunte indagou com serenidade:

- Do Presidente da Junta?

Ao que sacerdote retorquiu:

Olhe, na minha terra ele é bispo. Se ele aqui é Presidente da Junta, isso já não sei...   

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publicado por picodavigia2 às 18:59

FIEL À SUA TERRA

Segunda-feira, 18.08.14

O Carlos António Simas Bretão, natural do Raminho, ilha Terceira, entrou para o Seminário de Ponta Delgada, em 1956, ou seja no primeiro ano de funcionamento daquela instituição e, dois anos depois, veio para o de Angra, onde estudou mais dois anos. Após abandonar o Seminário, continuou os seus estudos na então Escola Comercial e Industrial de Angra e, após completar o curso naquele estabelecimento de ensino, iniciou a sua vida profissional nos serviços da Pecuária, em Angra, onde trabalhou até ter sido chamado para o serviço militar, sendo mobilizado para Angola, onde esteve dois anos.

Ao regressar do Ultramar, reiniciou a sua vida profissional, trabalhando na secretaria da Casa do Povo do Raminho, sua terra natal, actividade em que sempre se envolveu, profissionalmente, até se reformar. Reside no Raminho e é o actual Tesoureiro do Centro Social de Idosos daquela freguesia terceirense.

O Carlos Bretão surgiu no encontro com uma serenidade invejável, com uma simplicidade muito grande e com uma simpatia enriquecedora. Embora não conhecido muitos dos presentes, depressa se foi envolvendo com uns e com outros, granjeando a amizade, a camaradagem e a estima e a consideração de todos. Sem protagonismos exagerados ou supérfluos, com uma grande simplicidade e humildade acompanhou e colaborou em todas as actividades, participou em todos os momentos de convívio, tornando tudo mais rico, mais vivo e mais envolvente. A sua presença transmitiu a todos uma amizade verdadeira e sincera e deslumbrantemente comunicativa. Ajudou no desfilar de memórias vivas, partilhou momentos e experiências marcantes, colaborou nas recordações dos dias outrora vividos em comum, construindo um passado que o tempo e a distância não ofuscaram. Por tudo isto e por muito mais que não foi possível captar, o Carlos Bretão, com a sua presença no Encontro, tornou-se mais um dos “Senhores” do mesmo.

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publicado por picodavigia2 às 12:58

A LENDA DE SANTO ANTÓNIO DA ASSOMADA OU DA IMAGEM GUARDADA EM CASA DA SENHORA ESTULANA

Domingo, 17.08.14

Antigamente, na Fajã Grande, na última casa da Assomada que pertencia à Senhora Estulana, existia uma grande imagem de Santo António que, estranhamente, se dizia que estava ali guardada por não poder ou por não ter direito a estar na igreja, onde não só se guardavam mas também se veneravam muitas outras imagens de Cristo, de Maria e de alguns santos, incluindo uma do mesmo santo, mas bem mais pequena.

Segundo uma antiga lenda, a imagem estava ali, porque tendo-lhe sido feita uma promessa por uma jovem em agradecimento por o santo lhe ter arranjado casamento, este, no entanto, não foi tão feliz como a rapariga pretendia. Pelo contrário, pois, segundo a mesma lenda, algum tempo depois do casamento, o marido começou a tratar a jovem esposa muito mal, não lhe dando nem amor nem carinho, batendo-lhe, violentamente, mesmo durante a gravidez ou nos dias que se seguiam ao parto.

Certo dia a mulher deu à luz uma menina que, depois de crescer, cedo se apercebeu dos maus-tratos que o pai dava à mãe. Para resolver tão grave problema e aliviar o grande sofrimento de que a mãe era vítima, resolveu pedir ajuda a Santo António, simbolizado naquela imagem, De nada serviram os seus pedidos e preces, pois o santo não a atendeu e o problema continuou, pois em sua casa, todos os dias, continuavam a haver grandes zaragatas, após as quais o pai voltava a agredir a mãe com grande violência.

Só que notícia de que as fervorosas orações e preces da menina, em ordem a obter a paz e a felicidade entre os pais, não foram atendidas pelo santo, correu célere pela freguesia, ficando aquela imagem de Santo António em muitos maus lençóis, pelo que o povo decidiu que a aquela imagem nunca deveria ser colocada nos altares da igreja paroquial. Essa a razão por que ficou guardada naquela casa durante muitos e muitos anos, até que alguém decidiu, um dia mais tarde, mandar construir uma pequena ermida, no largo de Santo António, no cruzamento dos caminhos entre a Cuada e os Lavadouros, na qual foi colocada a imagem de Santo António da Assomada e onde permanece, pelos vistos, ainda hoje.

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publicado por picodavigia2 às 22:47

A FAJÃ DOS FANAIS

Domingo, 17.08.14

Os Fanais era o lugar da Fajã Grande situado mais a norte da freguesia, paredes meias com Ponta Delgada. Era ali, entre o mar e a falésia, que se situava uma pequena fajã com o mesmo nome e que, apesar de ser muito pequena e bastante isolada, era uma das mais bonitas e mais interessantes fajãs da ilha das Flores, sendo, também, uma das de mais difícil acesso. Situava-se na costa oeste da ilha, entre o ilhéu de Maria Vaz e uma encosta rochosa e abrupta que conduzia aos matos da Ponta e de Ponta Delgada. A Fajã dos Fanais era também um local histórico, lendário e mítico porquanto era ali que a maioria das baleeiras americanas que nos finais do século XIX, demandavam a ilha na procura de água, de víveres e de homens, se escondiam. Muitos aventureiros oriundos da Fajã, da Ponta e de Ponta Delgada, desciam por aquelas encostas, com caniços e aparelhos de pesca às costas, enganando a guarda costeira que, assim, cuidava que iam para ali pescar. Eles, porém, misturando-se e confundindo-se com os marinheiros das baleeiras que vinham a terra encher água nas ribeiras e grotas que ali corriam, depressa saltavam para as embarcações, escondidas por fora do ilhéu, conseguindo assim partir, iniciando a maior aventura das suas vidas – a fuga para a América.

Para chegar a esta fajã devia partir-se da Ponta, subir a rocha e, após uma caminhada através das pastagens dos matos, paralelas          às relvas da Caldeirinha, descer por entre grotões e valados até chegar à beira da rocha, de onde se avistava não apenas o ilhéu, mas também a enorme baía que o ladeava, assim como, a norte, o promontório do Albarnaz. Lá ao longe o Monchique e ainda mais longe e mais a norte, o Corvo.

Ao chegar à beira da rocha os que demandavam aquelas paragens, iniciavam uma descida, difícil, íngreme e perigosa que os conduzia até à pequena fajã, ora ladeando uma queda de água denominada Ribeira da Francela, com a sua nascente bem lá no alto e no interior da ilha ora entricheirando.se entre fetos, cana rocas e pequenos arbustos, ao mesmo tempo que desfrutavam de autênticos e variados miradouros, debruçados sobre uma falésia.

Não consta que está fajã tenha sido, em tempos idos, uma localidade com vida própria como a Fajã de Lopo Vaz ou a dos Valadões, onde durante muitos séculos, viveram muitas famílias, muitas permanentemente outras, apenas, durante alguns meses no ano.

A fajã dos Fanais, um lugar idílico e de rara beleza, era atravessada pela ribeira da Francela que, atravessando-a de leste para oeste, desaguava no oceano. A seu lado, muitos deles seus afluentes, corriam na direcção do mar, uma infinidade de pequenas ribeiras e grotas, tornando-a muito abundante em água, criando assim para florescerem ali belos inhames de água e excelentes agriões. Era também considerado um excelente lugar para a pesca, sobretudo de vejas e para a apanha de lapas, que se diziam serem muito abundantes e grandes como a palma da mão.

Muitos homens desciam à fajã dos Fanais para ir pescar, sendo que alguns para ali se deslocavam em pequenos barcos a remos, quer oriundos da Fajã Grande quer de Ponta Delgada. É que a fajã da Francela tinha excelentes pesqueiros, onde, para além das vejas se pescavam sargos, a moreias, moreões preto, etc. Mas o que mais se apanhava naqueles descampados e sobretudo no ilhéu eram lapas e caranguejos.

Muitas aves também viviam por ali, sendo as mais frequentes cagarras, gaivotas, ganhoas, pombas e um ou outro milhafre.

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publicado por picodavigia2 às 09:35

O PADRE JAIME

Sábado, 16.08.14

O Padre Jaime Luís da Silveira nasceu na Fajã Grande, na rua da Assomada, em 1926, sendo os seus pais José Luís da Silveira, mais conhecido pelo Senhor Faroleiro e Maria Lucinda da Silveira. Fez a instrução primária na Escola Primária da Fajã Grande e deu entrado e matriculou-se no Seminário de Angra, em 16 de Setembro de 1937, tendo terminado o Curso de Teologia, no ano lectivo de 1047/48. Foi ordenado sacerdote, a 13 de Junho de 1948, por Dom Manuel Augusto da Cunha Guimarães, tendo celebrado missa nova, alguns dias depois, na Capela do Seminário.

Exerceu toda a sua actividade sacerdotal nos Seminários de Angra e, mais tarde, no de Ponta Delgada. No Seminário de Angra iniciou a sua carreira com prefeito dos Miúdos, ou seja da Prefeitura de São Luís Gonzaga, que albergava os alunos mais novos. Alguns anos mais tarde foi nomeado secretário e ecónomo daquela insigne instituição de ensino religioso dos Açores, cargos que exerceu até aos finais da década de sessenta, altura em que foi transferido para o Seminário Menor de Ponta Delgada, onde lhe foram confiadas as mesmas funções. Durante os longos anos em que trabalhou no Seminário foi professor de Música, dos alunos dos primeiros anos, de Geografia e, mais tarde de Inglês, dado que, com a ideia de aperfeiçoar a sua formação, frequentou vários cursos de verão em universidades inglesas.

O Padre Jaime exercia todos os seus cargos com competência, dignidade e esmero, pese embora, o último, o de ecónomo, lhe trouxesse um ou outro dissabor. Eram os alunos a reclamar que a “miragaia” era rija que nem sola, eram desenhos anónimos, no “Carpinteiro”, a representarem mergulhadores, equipados com escafandros, na procurar duma nica de linguiça no meio da feijoada, eram os mais novos a protestar contra a “bacalhoada” das sextas, os teólogos contra as travessas vazias e, até um outro professor a gracejar com frases evangélicas, adaptadas à carestia, “carne, autem, infirma est”. Por isso, como ecónomo, embora condicionado pelo permanente e contínuo aperto dos cordões da bolsa diocesana, por parte do Prelado, via-se e desejava-se para tentar, geralmente sem sucesso, “melhorar o rancho”.

Cuidava ele, no entanto, que, se a variedade e a qualidade do cardápio eram metas obstaculizadas pela estranha e condenável sovinice do Senhor Bispo, pelo menos podia diligenciar-se a qualidade na cozedura e apresentação das travessas. Essa a razão, porque passava grande parte do dia, na cozinha, não fossem os cozinheiros descuidarem-se e agravar, com a falta de qualidade, o défice e a pobreza dos produtos cozinhados.

Saudosista e amante da freguesia onde nasceu, o padre Jaime todos os anos ia passar alguns meses de Verão à Fajã Grande, fixando-se na Assomada, na casa que era dos seus pais. Após a morte do progenitor, adquiriu uma casa em Angra, na freguesia de Santa Luzia, perto do Seminário, onde passou a residir com a mãe e a irmã Avelina, não deixando, no entanto de continuar a visitar a Fajã Grande, no Verão, por vezes acompanhado de colegas e amigos de outras ilhas, entre os quais o Dr Simão Leite de Bettencourt, professor de Teologia e Filosofia e Director Espiritual do Seminário de Angra. Era um homem educadíssimo, muito correcto, sempre alegre, convivendo com todos os conterrâneos que o respeitavam de sobremaneira. Depois de alguns anos en Ponta Delgada reformou-se, passando a exercer o cargo de capelão do Convento das Mónicas, em Angra, onde celebrava missa diariamente.

No final da sua vida foi acometido de doença que o obrigou a isolar-se em casa, impedindo-o de continuar a exercer o seu múnus sacerdotal.

Respeitado por todos no Seminário, onde gozava de grande simpatia e estima, o padre Jaime impôs-se sobretudo como professor de música que o ilustre maestro Emílio Porto, seu aluno, assim descreveu. O professor de Música, para os primeiros cinco anos do curso do Seminário, foi o Padre Jaime Luís da Silveira. Possuidor de uma excelente formação musical, trazia para as aulas discos de música clássica, profana, religiosa e sacra. A sua apresentação era motivadora para o gosto musical. Sabia como incentivar e sabia como comunicar. A audição era sempre acompanhada de explicações fundamentadas. Recordo essas aulas como das mais importantes para o que hoje sinto e penso sobre o mundo da música. Não era um pianista, no verdadeiro sentido da palavra, mas dedilhava o piano com alguma facilidade. Tocava também para os alunos algumas canções populares. Toda a turma acabava por cantar ao som do piano. A primeira canção foi Santa Luccia, melodia napolitana mundialmente conhecida. Foi sempre recordada durante o curso, e mais tarde pela vida fora. Santos Narciso, que foi aluno do Seminário, uma vez escreveu: “foi uma canção que marcou uma geração”. Recordo que foi a canção escolhida pelo professor, para o estudo experimental dos primeiros acordes.

A sua estadia no Seminário, como professor, no entanto, ficou assinalado por um dos mais trágicos acidentes acontecidos naquela casa. Como era o ecónomo e muito zeloso para que tudo o que dizia respeito à alimentação dos alunos corresse da melhor forma, o Padre Jaime, todos os dias e, sobretudo antes das refeições, de manhã, ao meio dia e à noite, deslocava-se do seu escritório, no Largo de Santa Teresinha, junto à Capela de Baixo, para a cozinha. Para o fazer, dado que nessas horas os alunos estavam a estudar ou em aulas, saía do seu gabinete, entrava nas camaratas dos médios e, antes da última, voltava à esquerda, pois esta ligava-se directamente à cozinha, através duma espécie de balcão. Era o caminho, mais curto, mais rápido e mais acessível.

Ora o padre Jaime tinha o hábito de ler, quer fosse a rezar o breviário quer a fazer a leitura matinal dos jornais, passeando de um lado para o outro ou até caminhando. Habitualmente, era de manhã, quando se deslocava à cozinha que lia “A União”. Todas as janelas das camaratas comunicavam com o pátio interior do Seminário, através de amplas janelas, sob a forma de portadas, mas não tinham varanda, grade ou sequer um simples varão.

Certa manhã em que padre Jaime mais concentradamente e totalmente absorto lia o jornal, ao atravessar as camaratas, cuidando instintivamente que já estava na última, na que dava acesso à cozinha, virou na anterior, seguindo sempre pela janela fora, como se o chão continuasse. Foi uma queda abruta, um tombo medonho, um estrondo assustador que pôs em polvorosa todo o Seminário, sobretudo os médios que, àquela hora, estavam sentados nas suas cadeiras, no piso inferior, em profundo e absoluto silêncio, pois estavam em hora de estudo. Prontamente socorrido por professores e alunos, padre Jaime ficou em estado de grande debilidade. Levado ao hospital, verificou-se que tinha várias fracturas, para além de muitas escoriações. Das segundas livrou-se facilmente, mas as primeiras causaram-lhe grandes males de que só com o passar do tempo e com o a ajuda do “endireita” de Santa Bárbara se foi lentamente aliviando. Nada mais de grave lhe aconteceu, o que na altura foi considerado um verdadeiro milagre.

 

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publicado por picodavigia2 às 17:14

LA VITA

Sábado, 16.08.14

"La vida, hoy más que nunca, parece un cuento relatado por un idiota, lleno de ruido y furia."

Juan José Millás, El País, 27 Junho 2014

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publicado por picodavigia2 às 15:30

EVIDENTE PROGNÓSTICO

Sábado, 16.08.14

Parece ser por demais evidente que no Campeonato Nacional de Futebol da 1ª Divisão ou 1ª Liga, agora que os alea iacta est, tudo parece estar, senão decidido, pelo menos clarificado.

Assim, não é difícil preconizar nem é necessário ser profeta para definir uma mais que evidente profecia ou elaborar um antecipado e previsível prognóstico. O Porto será o próximo campeão nacional, vencendo o 81º campeonato, com uma distância superior a dez pontos do segundo classificado que será o Benfica.

A grande indecisão será a da conquista do terceiro lugar, onde andarão Sporting, Braga e Estoril, sendo mais provável que o lugar seja conquistado pelo Sporting. Assim Braga e Estoril ficariam nos lugares seguintes, garantindo o acesso à liga Europa, juntamente com o finalista da Taça de Portugal, uma vez que esta também deverá ser ganha pelo Porto, frente a um adversário mais fraco e que não será nem o Benfica, nem o Sporting. Mas a luta pela Europa não será fácil, nem simples, pois nela se hão-de imiscuir, muito provavelmente, Guimarães e Nacional, com probabilidades de o Marítimo nela, também se intrometer. Académica, Setúbal, Rio Ave, Paços e Gil Vicente, decerto que se livrarão a tempo da despromoção, de cuja fuga deverão lutar arduamente e até ao fim do campeonato Boavista, Belenenses, Penafiel, Moreirense e Arouca.

Assim a classificação final não andará muito longe da seguinte: 1º Porto, 2º Benfica, 3º, 4º e 5º Sporting, Braga e Estoril, 6º, 7º, 8º Guimarães, Nacional e Marítimo, do 9º ao 13º lugar, classificar-se-ão Académica, Setúbal, Rio Ave, Paços e Gil Vicente, enquanto nos últimos lugares ficarão: Boavista, Belenenses, Penafiel, Moreirense e Arouca.

A taça da liga, muito provavelmente será conquistada, como prémio de consolação, pelo Benfica, frente ao Sporting ou Porto.

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publicado por picodavigia2 às 12:20

ANTERO DE QUENTAL

Sexta-feira, 15.08.14

Antero de Quental era oriundo de uma família ilustre ligada, desde longa data, à colonização de S. Miguel, Açores, contando-se, entre os seus antepassados, o padre Bartolomeu de Quental, introdutor em Portugal da Congregação do Oratório. Tanto o avô como o pai de Antero militaram com bravura a favor da causa liberal. Aprendeu as primeiras letras em Ponta Delgada onde teve Castilho como mestre. Em 1858, com dezasseis anos, matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra e aí obteve, em 1864, o diploma de bacharel, após frequência com aproveitamento bastante modesto. Depressa se notabilizou entre a juventude estudantil pela irreverência e espírito generoso, pelo fôlego poético e talento literário, pelas causas cívicas e políticas em que participava. De espírito inconformista, avesso à estagnação e ao conservadorismo, moviam-no convicções firmes quanto ao advento de um mundo novo governado por ideais de Justiça, Liberdade e Amor que era urgente preparar.

Se foi em Coimbra, no convívio com amigos, que se revelou a enorme riqueza e complexidade do coração e inteligência do jovem Antero, foi aí igualmente que se evidenciaram sinais de indecisão quanto ao seu projecto de vida. Começava assim uma via-sacra de propósitos generosos mas pouco consequentes: projecta combater em Itália integrado nas fileiras do exército de Garibaldi; aprende na Imprensa Nacional o ofício de tipógrafo e vai exercê-lo em Paris; frequenta o Colégio de França e visita Michelet, a quem oferece as Odes Modernas; pondera inscrever-se como voluntário no exército papal; viaja depois pelos Estados Unidos da América; fixa-se em Lisboa e passa a viver em casa de Jaime Batalha Reis, o local onde se reúne o grupo do Cenáculo. Para trás ficavam as pugnas da Questão Coimbrã (1865), os assomos iberistas proclamados no opúsculo Portugal perante a Revolução de Espanha (1868), e a criação em parceria com Eça de Queirós do «satânico» Carlos Fradique Mendes, o poeta da escola de Baudelaire, autor dos «Poemas de Macadam».

O apelo da intervenção social mobiliza-lhe as energias para se envolver, a partir de 1870, em iniciativas como a fundação de associações operárias, a organização dos trabalhadores portugueses e a sua filiação na Associação Internacional dos Trabalhadores, a direção e colaboração em jornais, como sucede com a República – Jornal da Democracia Portuguesa e O Pensamento Social. É ainda no decurso destes anos frenéticos que se ocupa do Programa para os Trabalhos da Geração Nova, chamando a si o estatuto de guia espiritual da geração a que pertence. Participa também nos trabalhos que levaram à fundação do Partido Socialista. Pertence a este bem preenchido ciclo de intervenções públicas a dinamização das Conferências Democráticas inauguradas no dia 22 de Maio de 1871, no Casino Lisbonense, e compulsivamente encerradas por uma portaria do Ministério do Reino, no mês seguinte, quando Salomão Sáragga ia pronunciar a sexta conferência subordinada ao tema «Os Historiadores Críticos de Jesus». As conferências tinham um programa ambicioso cujos objetivos eram «ligar Portugal com o movimento moderno», «agitar na opinião pública as grandes questões da filosofia e da ciência moderna», «estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa». Mesmo que no imediato este programa tenha ficado por cumprir, continua a ecoar até hoje como toque de alvorada de um Portugal novo. O mesmo se pode afirmar da segunda conferência intitulada «Causas da decadência dos povos peninsulares», um dos textos anterianos mais lidos e discutidos. Aí se escalpeliza, em âmbito peninsular, o trabalho inexorável da decadência, efeito de vícios históricos que urge corrigir. Propõe, por isso, que à rigidez monolítica do catolicismo inquisitorial e tridentino se contraponha a consciência livre esclarecida pela ciência e pela filosofia, à monarquia centralizada a federação republicana, à inércia industrial o trabalho e a livre iniciativa solidária e em prol da colectividade. Apesar de leitura esquemática e ideológica da história peninsular, são páginas que dão que pensar.

Com o ano de 1874 chegava a gravíssima doença nervosa para a qual procurou assistência nos cuidados médicos de Sousa Martins, Curry Cabral e Charcot. Por causa dela, foram abandonados vários projectos, ao mesmo tempo que se intensificavam as interrogações filosóficas sobre a existência, adensadas pelas sombras do pessimismo. Intermitentemente, o poeta, o prosador e o cidadão continuam activos. A residir em Vila do Conde desde 1881, aí encontrou a calma propícia à meditação filosófica sobre questões morais e intelectuais que o ocupam insistentemente. O seu derradeiro acto de intervenção cívica foi aceitar a presidência da Liga Patriótica do Norte, função para a qual o propusera o amigo Luís de Magalhães. Participava assim na comoção patriótica que abalou o país após o Ultimatum inglês de 11 de Janeiro de 1890. E, igual a si mesmo, manifesta de modo lapidar a sua posição: «o nosso maior inimigo não é o inglês, somos nós mesmos».

Regressou aos Açores, em 1891, com destino a Ponta Delgada, onde se fixou. Nesta cidade, junto ao muro do Convento da Esperança, suicidou-se com dois tiros, no dia 11 de Setembro. O suicídio de Antero coroa uma existência densa onde a luz e a sombra, a razão e o sentimento esculpiram uma esfinge de muitos e perturbadores enigmas. O suicídio tem o valor de resposta exorbitante a dois excessos mortais do seu intenso viver: a cândida entrega à vitória final do Bem e a radical angústia quanto ao seu ansiado advento. Sagrou-se assim como o menos retórico de quantos poetas e prosadores povoam a literatura portuguesa.

A consagração de Antero como poeta passa pela publicação de duas obras desiguais e únicas quanto à forma e quanto à temática. As Odes Modernas (1865) introduziram no panorama da poética nacional uma voz de inconformismo e revolta que encontra inspiração nos acontecimentos dramáticos da cena social e política. Ao desligar-se de tópicos rotineiramente glosados pelos versejadores dos salões literários, o livro não podia passar despercebido e acabou por se transformar num dos rastilhos da polémica Bom Senso e Bom Gosto. Não obstante a reposição da obra em segunda edição, em 1875, o autor assume em relação às Odes Modernas distanciamento crítico e reconhece que «além de declamatória e abstracta, por vezes aquela poesia é indistinta e não define bem e tipicamente o espírito que a produziu». Sem nunca enjeitar o vigor revolucionário da juventude, Antero tinha entretanto crescido em ponderação filosófica e agitação interior. Data de 1886 o volume de Sonetos Completos, com prefácio de Oliveira Martins. A organização estrófica de catorze versos oferecia o molde perfeito onde podia condensar os ímpetos metafísicos e místicos de uma sensibilidade dilacerada por tensões jamais resolvidas. A consciência inquieta e sofrida que se confessa nesses versos não cabe na experiência lírica do eu individual, porque nela pulsa a universalidade transcendente da própria condição humana. Se, nos Sonetos, Antero sente o que pensa, nos ensaios filosóficos em que trabalhou durante os últimos anos, ele pensa o que sente. Homem de debate interior, peregrino do Absoluto, pensador do social e do histórico, militante do Portugal moderno, a aventura pessoal de Antero perfila-se, pelos tempos fora, como um dos mais inquietantes desafios da consciência humana.

Obras Principais: Odes Modernas, Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos, Primaveras Românticas: Versos dos Vinte Anos, Odes Modernas. 2.ª ed., Odes Modernas. 4.ª ed., Os Sonetos Completos, Sonetos, Raios de Extincta Luz – Poesias Inéditas, A Philosophia da Natureza dos Naturalistas, Prosas, Cartas, Filosofia, Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX, Política e Novas Cartas Inéditas.

 

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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publicado por picodavigia2 às 19:27

ALEA IACTA EST

Sexta-feira, 15.08.14

Inicia-se hoje o 81º Campeonato Nacional de Futebol, no qual, ao longo dos anos em que se disputou, já participaram 70 clubes portugueses. Destes uns são habitués, outros participaram com alguma frequência, outros, de vez em quando e alguns apenas uma vez. Actualmente designado por Primeira Liga, esta prova é a mais alta competição do sistema de ligas de futebol de Portugal, sendo o seu actual campeão, o Benfica, o clube, até ao presente, com mais vitórias, uma vez que conquistou 33 dos 81 campeonatos disputados, seguindo.se o Porto com 27 e o Sporting com 18. Apenas outros dois clubes venceram este campeonato e, apenas, por uma vez cada: o Belenenses e o Boavista.

Esta época não se verifica nenhuma estreia mas acontecem dois regressos importantes: o Boavista e o Penafiel.

Aparentemente e como desde há alguns anos, o campeonato parece virado a norte e ao litoral, centrando-se nos três grandes, supostamente os três crónicos candidatos ao título que, como os reis da Babilónia, são apenas um. “Os três candidatos ao título são o Porto.”

São os seguintes os dezoito clubes participantes:

Boavista - Saído da Primeira Liga, sem honra nem glória, regressa poucos anos depois, por via de um processo administrativo que se pode revelar prematuro. O Boavista conta com o treinador de Petit, com os jogadores Bobó, Beckeles e o veterano Fary, a completar 40 anos, um relvado sintético e meia dúzia de jogadores com experiência na divisão maior. Esta é a sua 52ª participação nesta prova

Penafiel – Com Rabiola e Mbala, sendo treinado por Ricardo Chéu, que com apenas 33 anos é o mais novo da Liga e que se destacou na época passada no Académico de Viseu, o Penafiel vai competir pela 13ª vez na 1ª divisão, tendo como objectivo principal a manutenção, tentando ultrapassar a sua melhor classificação de sempre. o 10º lugar. É a equipa mais nacional da prova. Aguarda a contratação do guarda-redes do Irão, que brilhou no Mundial, comandado por Carlos Queirós.

Moreirense – Foi o campeão da II Divisão e participa pela 5ª vez, tendo como objectivo tentar fugir à fatalidade de voltar a ser despromovido, como nas últimas duas presenças. Destacam-se os jogadores Ramón Cardoz, Edivaldo Bolívia e Anilton, sendo o treinador Miguel Leal que na época passada treinou o Penafiel. Alguns reforços estão a ser introduzidos no onze, com o objectivo de garantir mais qualidade e maior experiência.

Paços de Ferreira – Passando do céu ao inferno nas duas épocas anteriores, O Paços acabou por confirmar, depois de disputar uma liguilha, a sua 17ª presença na 1 , sob o comando do regressado Paulo Fonseca, também ele à procura de equilibrar a sua carreira, depois do fracasso no FCP Destaque para os jogadores Paolo Hurtado e Valkenedy.

Belenenses - Um dos clássicos do futebol português, confirmou a 73ª presença na prova que venceu em 1945/46. O objectivo é sobreviver entre os grandes, sob o comando de Vidigal, pelos vistos com dificuldades em obter um grupo que lhe dê garantias de permanência. Jogadores em destaque Miguel Rosa e Abel Camará.

Gil Vicente – Na sua 18ª  presença na 1ª divisão o clube de Barcelos pretende aproveitar os "restos" dos 3 grandes e uma boa relação com o vizinho Braga. Destacam-se ss jogadores Gladstone, César Peixoto e Marwan, mantendo-se o treinador João de Deus no comando da equipa, que pretende ter melhor performance doque a segunda volta da época passada.

Arouca – Foi estreante na prova há um ano conseguindo um interessante 12º lugar, pelo que apostou na continuidade de Pedro Emanuel, como treinador, mantendo um núcleo importante de jogadores. O objectivo principal é o de tentar consolidar a sua presença entre os maiores e para isso conta com alguns valores como David Simão e Goicoechea.

Rio Ave – Ufana-se o clube de Vila do Conde por viver o melhor período da sua história, uma vez que chegaram às finais da Taça de Portugal, da Taça da Liga e da Supertaça, tendo, já esta época, obtido um excelente resultado a nível europeu, eliminando da Liga Europa o Gotemburgo. Com um novo treinador, Pedro Martins vindo do Marítimo, destacam-se os jogadores Tarantini e Marvin Zeegelaar. A nível interno, nesta sua 21ª presença no campeonato maior, o objectivo principal parece ser ultrapassar a melhor classificação de sempre, ou seja o 5º lugar alcançado em 1981/82.

Vitória de Guimarães – Depois do Benfica, Sporting, Porto e Belenenses, o Guimarães é o clube com mais presenças na Primeira Divisão, atingindo, este ano a 70ª. Rui Vitória mantém-se há quatro anos como treinador do clube que tem como objectivo conquistar um lugar europeu, apostando em jogadores como Bernard e Douglas,

Braga - O clube que, nos últimos tempos, mais se aproximou dos três grandes, teve uma época decepcionante. Agora, ao participar pela 59ª vez na 1^Divisã, sob o comando de Sérgio Conceição, tenta voltar à ribalta, lutando pelos lugares cimeiros da tabela. A ajudar os jogadores Rafa e Wallace, entre outros.

Académica - Em Coimbra, a época transacta foi tranquila, longe da despromoção e muito perto dos lugares europeus. Naturalmente que, com 63 presenças na 1ª divisão, a Académica quer repetir, com Paulo Sérgio no comando, no mínimo o mesmo lugar da época transacta, espreitando a conquista de um lugar europeu, com jogadores como Rui Pedro e Olascuaga.

Vitória de Setúbal – Neste clube que participa pela 67º vez na 1ª divisão, o objectivo é manter o excelente 7º lugar alcançado por José Couceiro, na época anterior. Agora orientado por Domingos Paciência, a equipa sadina tenta relançar-se na saga da Europa, para o que conta, entre muitos outros jogadores com Zequinha e Lukas Raeder.

Marítimo – Nesta sua 35ª na 1ª liga, apadrinha o Porto na jornada inaugural e, muito naturalmente, tem como objectivo principal a conquista de um lugar europeu. Com o adjunto de Paulo Bento na Selecção, Leonel Pontes o Marítimo pretende o acesso aos lugares europeus, contando com um leque de jogadores de boa qualidade, com destaque para Danilo Pereira e Edgar Costa

Nacional - Mantendo Manuel Machado no comando do team, o objectivo é continuar a  crescer e aproximar-se, cada vez mais dos grandes, o que passa pela obtenção, novamente de um lugar na liga europa, ou na champions. O clube que inicia a sua 15ª

Presença na 1ª liga e que na época passada se classificou em 5º lugar com apuramento para a Liga Europa, pretende fazer melhor. Para isso conta com um excelente plantel onde se destacam Mário Rondon e Marco Matias.

 

Estoril - O Estoril, nos últimos anos, arquitectou e construiu um interessante e surpreendente projecto no futebol português. Os resultados não se fizeram esperar e o clube tem, não só, mantido uma a alta qualidade de futebol, mas também obtendo excelentes resultados, conquistando, na época passada, o 4º lugar do campeonato por dois anos seguidos. José Couceiro, ao iniciar a 23ª presença do Estoril na 1ª Divisão Nacional, é o novo treinador, tendo, com a colaboração de jogadores como Kuca e Sebá, como objectivo o desafio de, no mínimo, manter os resultados anteriores.

Porto - Depois de uma época desastrosa o Porto apostou tudo, transformando-se numa espécie de selecção B da Espanha. Lopetegui é o treinador também ele espanhol e que já foi contratar mais de meia equipa a Espanha. Alguns de qualidade comprovada como Jackson Martinez, outros por confirmar como Casemiro. Porto, Sporting e Benfica fizeram o pleno, no que a presenças no campeonato da 1ª Divisão diz respeito.

Sporting - O Sporting completou uma época excelente garantindo o 2º lugar que lhe abre a porta da Champions. Marco Silva vai tentar dar continuação ao competente trabalho do seu antecessor. Procurando manter a base da equipa enquanto procura reforços que façam a diferença, o Sporting parecia determinado a entrar forte na nova época, com um lote valioso de jogadores onde se destacam William Carvalho e Paulo Oliveira.

Benfica – O objectivo principal do clube da luz parece ser o de ganhar dois campeonatos seguidos, tarefa que se avizinha difícil para Jorge Jesus, que viu grande parte dos jogadores que mais se destacaram na equipa da época transacta. Na condição de Campeão Nacional e mantendo a dinâmica de jogo o Benfica terá de ser considerado candidato ao título. Para isso mantém ainda alguns nomes sonantes como Enzo Perez e Bebé.

Alea iacta est. Os dados estão lançados. Vamos à peleja.

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publicado por picodavigia2 às 18:56

FESTA DA SENHORA DOS MILAGRES NO CORVO

Sexta-feira, 15.08.14

Hoje há festa na mais pequena ilha açoriana, o Corvo Trata-se da maior, mais importante e mais significativa festa da ilha, a festa da Padroeira, a Senhora dos Milagres. Esta é, de facto, o maior dia da ilha, dia de festa em honra da sua padroeira, que todos os anos, desde há séculos, acumula cerimónias religiosas, festejos cívicos e populares. A procissão, com a imagem da virgem, acompanhado de outras imagens e símbolos religiosos, percorre as históricas e estreitas ruas da vila, ornadas com belos tapetes de flores e verduras, feitos pelos moradores de cada rua, mas ajudados por toda a população da ilha. Relativamente à pequenina e antiga imagem da padroeira, reza a lenda que o povo do Corvo, certo dia, vendo-se impotente e sem meios para se defender de um temível e poderoso ataque de piratas, terá invocado o auxílio da sua padroeira, a Virgem Maria, nessa altura sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário e que a Virgem os ajudou a derrotar e expulsar os piratas da ilha, pois todas as balas, eram defendias pela pequenina imagem que, assim, em nada prejudicaram os corvinos. Os piratas, vendo que não conseguiam atacar e destruir a população e invadir e saquear a ilha, desistiram da peleja. Nossa Senhora do Rosário, pelos seus feitos e milagres, passou a ser chamada de Nossa Senhora dos Milagres, tornando-se no epicentro da devoção de todos corvinos. Verdade é que, para além da lenda, o Corvo sofreu, ao longo da sua história, diversas incursões e ataques de corsários e piratas. Os corvinos, entretanto, souberam, sempre, impor-se, muitas vezes, sub-repticiamente, aliando-se aos invasores e participando activamente na sua actividade. Em troca de protecção e dinheiro, a ilha fornecia água, alimentos e homens, ao mesmo tempo que permitia tratar os enfermos e reparar os navios. Sabe-se que o maior ataque se deu no ano 1587, sendo o Corvo saqueado e as suas casas queimadas pelos corsários ingleses, que antes haviam atacado as Lajes das Flores e ainda que no ano de 1632, a ilha sofreu duas tentativas de desembarque de piratas da Barbária, no local do actual cais Porto da Casa, que na altura ainda era apenas uma baía. Duzentos corvinos usaram tudo o que tinha ao seu dispor para repelir os atacantes que acabaram por desistir com algumas baixas. Cuida-se que a lenda sobre a presumível ajuda da imagem da Virgem se relacione com este ataque, uma vez que durante o mesmo, a imagem de Nossa Senhora do Rosário foi colocada na Canada da Rocha, donde terá protegido a população local das balas disparadas dos navios piratas.

Para além dos cerca de quatrocentos habitantes da ilha, participam, habitualmente, nesta festa muitos forasteiros e visitantes, vindos, sobretudo, da vizinha ilha das Flores que aproveitam a ocasião para apreciar as belezas e a quietude da pequenina ilha.

A música ecoa pelas encostas e ravinas, a Filarmónica local e uma ou outra vinda das Flores, onde hoje existe apenas uma, a da Fajazinha e anima a festa, assim como os demais concertos que fazem parte do programa.

O Corvo, neste dia 15 de Agosto, celebra de facto a grande festa da sua Padroeira, festa que se estende e prolonga por uma semana, durante a qual é celebrada a novena, havendo, na véspera, a tradicional Procissão de Velas. No dia 15 é a missa solene, seguida de uma ancestral e já tradicional procissão, durante a qual muitas pessoas, da ilha e de fora, pagam as suas promessas, em virtude de graças obtidas por intercessão de Nossa Senhora dos Milagres. A igreja, onde se venera a Virgem, a única existente no Corvo, é a substituta do primeiro templo erguido na ilha e que seria uma simples ermida, de pequenas dimensões, na qual os corvinos cumpriam o seu preceito Pascal, para o que se deslocava ao Corvo, anualmente, pela altura da Quaresma, um clérigo da vizinha ilha das Flores. Esta ermida foi destruída durante a incursão de piratas da Barbária à ilha, em 1632, a partir da altura em que a imagem de Nossa Senhora passou a ser referida como Senhora dos Milagres. No entanto, em 1674 o lugar do Corvo foi elevado a paróquia. Nessa ocasião cuidou-se de erguer uma igreja paroquial, dedicando-a a Nossa Senhora dos Milagres e dotando-a com um vigário, um cura e tesoureiro. O actual templo foi reedificado em 1795, sendo consumido por um violento incêndio em 1932, no qual se perderam riquíssimas alfaias. Salvou-se, entretanto, a imagem de Nossa Senhora dos Milagres, que a tradição refere ter sido encontrada no mar. O templo foi restaurado em seguida. Trata-se de um edifício erguido em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, à excepção do soco, dos cunhais, da cornija e das molduras dos vãos, pintados de cor cinzenta. Na fachada principal, de frontaria simples, destaca-se um portal axial encimado por uma moldura. No interior desta existe uma placa de pedra com a data de "1795", data da primeira construção, ladeada por duas janelas. É rematada por um frontão encimado por uma cruz em pedra. A cobertura apresenta-se com duas águas e coberta por telha de meia-cana de produção industrial. No exterior, pelo lado direito ergue-se a torre sineira, de planta rectangular. Nela se rasgam os vãos do campanário em arco de volta perfeita, e é encimada por um coruchéu facetado com pináculos sobre os cunhais. Internamente apresenta uma única nave, dotada de sacristia e de um baptistério localizado do lado da epístola. O púlpito encontra-se localizado do lado do Evangelho. Ao fundo da nave encontram-se dois altares, um sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo, o do lado do Evangelho e outro do Sagrado Coração de Jesus, este do lado da Epístola.

A imagem da padroeira é Nossa Senhora dos Milagres, de origem flamenga, e remonta ao século XVI. De acordo com a lenda local, a pequena imagem foi encontrada no mar. Destaca-se pelo seu talhe e pelos magníficos adornos com que foi dotada ao longo dos séculos: coroa e rosário de ouro, capas e mantos de seda recamados de ouro.

Em meados do século passado, quase todos os anos, por altura da Festa da Senhora dos Milagres, partiam de varias localidades das Flores, lanchas com peregrinos, geralmente acompanhadas de uma Filarmónica para participar na mais importante e maior festa da ilha vizinha. Uma dessas lanchas partia da Fajã Grande, pois muitas pessoas tinham os seus amigos e “conhecidos” no Corvo, em casa de quem se hospedavam. Corria o ano de 1942. Muitos peregrinos da Fajã decidiram, mais uma vez ir ao Corvo, à festa da Senhora dos Milagres, fretando o gasolina “Senhora das Vitórias”, conhecida pela “Francesa”. Partiram, na tarde do dia treze de Agosto, com algum atraso e a embarcação chegou ao Corvo, já noite escura. Ao aproximar-se da ilha, o mestre viu uma luz em terra e, cuidando que era o pequeno farol que indicava o porto, rumou a terra. Infelizmente a luz não era a do farol, nem o porto era ali e “A Senhora das Vitórias” enfiou-se, precipitadamente e de rompante, sobre as baixas dos Laredos, abrindo um enorme rombo a meio, enchendo-se de água e provocando grande pânico entre os passageiros. A confusão foi geral, a precipitação tremenda e o terror gigantesco. Não havia luz alguma, por ali perto, cada qual procurava salvar-se e salvar os seus familiares que a muito custo encontravam ou nem chegavam a encontrar, acabando por perder a vida neste acidente dezasseis passageiros e ainda um dos proprietários da embarcação. As autoridades e os responsáveis pelos destinos da ilha, com os limitadíssimos recursos e meios de salvamento que dispunham, tentaram recolher os náufragos e prestar auxílio às vítimas. O local, porém, era longe do povoado e de difícil acesso. Os meios de transportes nulos e os náufragos, quer os mortos quer os vivos, foram transportados a ombros. Havia apenas um médico na ilha. Após muito esforço conseguiram levar os mortos para a Casa de Espírito Santo do Outeiro, onde foram estendidos no chão, sem lhe serem prestados os primeiros socorros, não sendo, provavelmente, assistidos da melhor forma.

A festa da Senhora dos Milagres do Corvo de 1942 e o desastre que a antecedeu, ainda hoje perdura na memória de todos os que demandam a mais pequenina ilha açoriana, neste dia em que festeja a sua padroeira, a Senhora dos Milagres.

 

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publicado por picodavigia2 às 15:55

AMIZADE

Quinta-feira, 14.08.14

"A amizade é como dinheiro: mais fácil de conseguir do que de manter."

Samuel Butler

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publicado por picodavigia2 às 21:41

ANTEPASSADOS PATERNOS

Quinta-feira, 14.08.14

Eu tive cinco irmãos, dos quais três eram mais velhos do que eu: José Ângelo Fagundes, nascido em 19 de Março de 1939, Maria de Jesus Fagundes, nascida em 14 de Agosto de 1940, António Lourenço Fagundes, nascido em 25 de Fevereiro de 1943. Por sua vez, os dois são mais novos: Maria Vitória Fagundes, nascida a 24 de Outubro de 1949 e Francisco Joaquim Fagundes, nascido em Junho de 1952, mais tarde adoptado por uma tia, passando a chamar-se Frank Almeida.

Foram meus pais João Joaquim Fagundes, nascido na Fajã Grande das Flores, a 18 de Outubro de 1902, tendo falecido em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, depois de quase oito anos de internamento na Casa de Saúde de São Rafael, a 16 de Janeiro de 1966 e Angelina da Natividade Fagundes, nascida a 8 de Setembro de1912, festa da Natividade de Nossa Senhora, razão porque lhe foi dado este nome, tendo falecido no antigo Hospital de Santa Cruz das Flores, em 5 de Agosto de1954e que casaram na Fajã Grande, no dia 28 de Maio de 1938.

Meus avós paternos foram António Lourenço Fagundes(1849/?)    e Maria de Jesus Fagundes (1862/194?), que foram os pais de João Joaquim Fagundes e que casaram na igreja da  Fajã Grande em 30 de Novembro de 1882.

Os meus bisavós paternos foram: José Lourenço Fagundes e Mariana Joaquina de Jesus ou da Silveira, pais de António Lourenço Fagundes e que casaram na igreja da Fajãzinha, uma vez que nesta data a Fajã Grande ainda não era paróquia, em 25 de Outubro de 1838. Por sua vez, os meus bisavós e pais da minha avó materna, Maria de Jesus Fagundes, foram: António Joaquim Fagundes e Mariana Júlia de Jesus que casaram na igreja da Fajãzinha em 8 de Novembro de 1855.É curioso o facto de ambas as minhas bisavós paternas se chamarem “Mariana”. Esta minha bisavó morreu muito nova e meu bisavô casou 2ª vez, também na Fajãzinha, em 01 de Agosto de1858 com Policena Joaquina da Silveira.

Por sua vez os meus trisavós paternos e pais de José Lourenço Fagundes e avós do meu avô António Lourenço Fagundes, foram Manuel Joaquim Fagundes, que no seu registo de casamento aparece somente com o nome de Manuel Joaquim, e Maria Isabel ou Isabel Maria que era natural da Ponta da Fajã Grande. Estes meus trisavós casaram na Fajãzinha em 04 de Setembro de 1809. Os meus trisavós, pais da minha bisavó Mariana Joaquina de Jesus, foram Joaquim António Rodrigues de Freitas e Ana de Freitas Júnior que terão casado na igreja da Fajãzinha, na altura paróquia das Fajãs, em 22 de Outubro de 1804. Apenas sei que os meus tetravós e pais do meu trisavô, António Joaquim Fagundes, o tal que no registo só tem como nome Manuel Joaquim se chamavam Manuel Joaquim Fagundes e Clara de Jesus, desconhecendo a data do seu casamento por não se encontrar o registo deste casamento na Fajãzinha, pelo que terão casado noutra paróquia ou fora da ilha, possivelmente na Califórnia. Os pais de Policena Joaquina da Silveira foram António José de Freitas e Ana de Jesus, que casaram na Fajãzinha em 3 de Junho de1805.

Os meus tetravós e pais de Manuel Joaquim (Fagundes) foram João Cardoso e Maria de Jesus, não havendo registo deste casamento e os pais de Maria Isabel ou Isabel Maria foram Manuel Caetano e Maria de Jesus, também não havendo registo do seu casamento. Um e outro terão acontecido fora da paróquia das Fajãs, criada em 1676 e portanto já existente nestas datas. Os pais de Joaquim António Rodrigues de Freitas foram António Rodrigues de Freitas e Ana Maria de São José, também sem registo deste casamento e os pais de Ana Freitas Júnior, foram António de Freitas Fragueiro, nascido nas Lajes das Flores e Ana de Freitas, casados na Fajazinha em 6 de Novembro de 1763

Por sua vez os pais de Manuel Joaquim Fagundes foram Bartolomeu Lourenço Fagundes e Ana de Freitas. Manuel Joaquim Fagundes casou na igreja da Fajãzinha em 17 de Janeiro de 1774, com Clara de Jesus. Os pais de António José de Freitas,  Manuel Furtado e Catarina Freitas também casaram na Fajãzinha em 22 de Junho de 1773, enquanto os progenitores de Ana de Jesus, Francisco George e Maria de Freitas, casaram no mesmo ano e na mesma igreja no dia 22 de Fevereiro

Os meus pentavós paternos de que existem registos, foram António de Freitas Fragueiro, filho de pai incógnito e de Francisca Freitas. Por sua vez, os pais de Ana Freitas foram Francisco Carneiro e Catarina de Freitas, não havendo registo deste casamento. Os pais de Catarina de Freitas foram Francisco de Freitas Lourenço e Maria de Freitas, mas de cujo casamento, também, não se conhece registo. Também não há registo deste casamento dos pais de Francisco George, André George e Francisca Rodrigues. Acrescente-se que se sabe que os pais de Francisco George eram Manuel de Freitas e Margarida Barcelos que, a julgar pelo apelido, não deveria ser natural das Flores.

Notas:

1.         Manuel Joaquim Fagundes, no seu registo de casamento aparece somente com o nome de Manuel Joaquim.

2.         Não se encontra nenhum registo do casamento deste casal que são pais de António Joaquim Fagundes e avós de Maria de Jesus Fagundes.

3.         Não são conhecidos os pais de Clara de Jesus porque não há registo do seu casamento com Manuel Joaquim Fagundes.

4.         Catarina de Freitas quando casou com Manuel Furtado era viúva de António Rodrigues, natural da Ponta e filha de Belchior Rodrigues e de Joana de Freitas, os quais obviamente não nossos antepassados

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publicado por picodavigia2 às 21:23

O SONHO AMERICANO

Quinta-feira, 14.08.14

Não havia habitante da Fajã Grande que durante as várias décadas da segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX, com destaque para as de quarenta e cinquenta deste último, não sonhasse com a América que, assim, povoava o imaginário de todos e de cada um dos habitantes da mais ocidental freguesia açoriana. Era opinião geral entre todos os habitantes da freguesia de que a América, contrariamente à ilha onde viviam, era uma terra de abundância e de fartura, uma terra mítica e lendária, de fascínio e de encanto onde todos, mesmo os mais patetas e menos desenrascados, singravam com sucesso e enriqueciam de verdade.

A provar tudo isto, por um lado, as encomendas ou sacas de roupa que, anunciadas pelos tão desejados avisos amarelos, chegavam Carvalho após Carvalho, e que, de verdade, preconizavam uma América farta, terra de riquezas abundantes e fáceis, de roupas bonitas e floridas, de candis e canetas florescentes e até de um cheiro maravilhoso. Por outro lado eram as visitas de muitos calafonas, ricos e bem vestidos, com os bolsos cheios de dinheiro a cumprir a mandar pregar sermões e celebrar festas votivas, a dar jantares em louvor do Senhor Espírito Santo, com pão e carne em abundância e, sobretudo, a contar maravilhas dos taunes onde viviam, dos ranchos onde trabalhavam, do mechins com que ordenhavam vacas e das dólas que ganhavam.

Os que os viam e ouviam, fartos daquela vida maldita e de miséria absoluta, enchiam-se de raiva e de inveja a adquiriam uma enorme vontade de partir, pelo que ou procuravam papéles que os pais ou os avós haviam guardado no fundo dos baús ou nos caninhos das caixas, ou esperavam que um irmão ou cunhado lhes fizesse a carta de chamada e cheios de coragem, embora tímidos, muitas vezes endividados e vendendo terras e animais, partiam com os olhos postos na obtenção de riquezas e de fortuna fáceis.

A América tornava-se, assim, símbolo de poderio e de riqueza, terra de fartura, de deslumbramento e de encanto para quem vivia no meio de muitas limitações, rodeado de enorme pobreza, debaixo de rochas, muitas vezes cobertas nevoeiro até ao casario, calcorreando atalhos e veredas, com os pés descalços, ao frio ou à chuva, com molhos e cestos às costas, a limpar o esterco das vacas ou agarrados ao sacho, à enxada, ao bordão, à rabiça do arado, para ao fim do dia alimentar a família com um calde couve ou de agrião ou uma tigela de leite com um quarto de bolo ou um pedaço de pão de milho, muitas vezes duro e bolorento.

Por tudo isso e por muito mais era enorme a vontade de partir para a América, essa terra nova, farta e moderna, onde havia de tudo, situada para lá do Monchique e do horizonte, onde todos os dias se viam aparecer dezenas de navios, cheios de luzes e de riquezas que demandavam a ilha mas nunca parava. A América com os seus grandes taunes que todos sabiam os nomes, como San Francisco, Fresno, Turlok e San José, com o Vale de San Joaquim, muito melhor para fruta do que a Cabaceira ou o Delgado, os ranchos e as montanhas da Serra Nevada, povoada de rebanhos e abruptamente despenhada para os lados do Pacífico, e depois infinitamente alastrada por vales e cabeços muito diferentes dos do mato da Fajã, antes como os da Bíblia, onde corria leite e mel, onde havia fartura de tudo. Uma terra bendita, um lugar sagrado, onde não existia a pobreza, a fome, a dificuldade de sustentar os filhos, uma terra que oferecia um futuro radioso a todos os que a demandavam e nela se fixavam.

Foi de modo muito especial a descoberta de ouro na Califórnia, na segunda metade do século XIX, que alimentou uma visão utópica daquele estado da América, originando uma corrida desenfreada de pessoas vindas de várias partes do mundo, levadas pela intensa avidez de obter lucros fáceis. A Fajã Grande, por onde, diariamente, passavam e paravam baleeiras americanas, a carregar, clandestinamente, homens e viveres, não poderia ser, nem foi excepção. Essa a razão por que nas décadas de cinquenta e sessenta do século passado, a Fajã perdeu quase dois terços dos seus habitantes.

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publicado por picodavigia2 às 20:24

TALHERES

Quarta-feira, 13.08.14

Viajava na TAP, num voo entre o Porto e as Lajes. Nesses tempos, a bordo daquela companhia aérea serviam-se refeições quentes e de faca e garfo. Copos e pratos, estes últimos sob a forma de pequenas travessas, eram de plástico. Os talheres, no entanto, eram de metal, tendo no cabo, muito bem estampado o logotipo daquela transportadora aérea.

Achei-os interessantes e apelativos, pelo que, depois de tomar a refeição, cuidando que ninguém me observava, à socapa, limpei-os cuidadosamente, embrulhei-os num guardanapo de papel e guardei-os num pequeno saco que levava comigo.

De repente, a senhora que ia a meu lado, fez o mesmo aos seus, só que, em vez de os guardar ela, deu-mos para que eu os juntasse aos meus.

Estarreci, envergonhei-me, fiquei sem pinga de sangue e cuidei que a senhora estava a dar-me uma bofetada com mão de luva.

Perante a minha hesitação, ela insistiu:

- Esteja à vontade! Não tenha medo! Guarde-os e leve-os à vontade. Eu sou a mulher do comandante e sei que eles não se importam que os passageiros os levem. Muitas vezes, depois de os usarem, deitam-nos fora para não voltar a transportá-los.

Confesso que a partir de então, só não consegui um faqueiro completo com talheres da TAP, porque pouco depois aquela transportadora aérea, lamentavelmente, passou apenas a servir pequenas e ligeiras refeições, ou seja sanduiches, embrulhadas em papel filme, colocadas numa simples  caixa de papelão e sem talheres.       

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publicado por picodavigia2 às 23:27

QUEM NÃO PEDE

Quarta-feira, 13.08.14

“A quem não reza Deus não ouve.”

Este é mais um interessante adágio, outrora, muito utilizado na Fajã Grande, sobretudo com um sentido figurado. Pretendia-se com o mesmo querer dizer ou lembrar a alguém que, para se obter qualquer favor, ajuda ou até conselho de outrem era necessário pedi-lo, primeiro. Na verdade, assim como para se obter as graças e os favores divinos se devia rezar, assim também para se obter o que quer que fosse de outrem, devia-se pedir, mas sob a forma de uma espécie de oração. O pedido, para ser obtido o que se pretendia, devia ser feito com humildade, nobreza e dignidade, como se de uma oração se tratasse. Naqueles tempos não era fácil obter o que quer que fosse sem formular um pedido. E pedir não era vergonha!

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publicado por picodavigia2 às 18:29

MAR

Terça-feira, 12.08.14

Mar,

na tua voz de búzio derrelicto,

há um silêncio contuso

um vulto abafado de vulcão .

Há nas tuas ondas um rumor acrisolado,

um sulco de lava, imperfeito.

Sobrevoam-te, em danças contundidas,

bandos de ganhoas amordaçadas.

 

Há na tua calma

um reboliço contundente de paixão.

No teu seio

navegam barcos sem velas e sem rumo

e as praias são desertos magoados.

 

No cais, de onde, outrora, partiam caravelas,

Constróis madrugadas de desejos.

Já não há jangadas de madeira carcomida,

E as sombras das gaivotas desfizeram-se

Sobre restos de navios naufragados.

 

Há baixios e laredos a arder,

Rochedos submersos e desfeitos,

Há vulcões mortos e sem brilho.

 

A tua água, silente, espelha,

uma canção perdida no horizonte,

um sorriso de donzela perturbada!

 

Mar de espuma obstruída…

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publicado por picodavigia2 às 21:09

A CALDEIRINHA

Terça-feira, 12.08.14

A Caldeirinha era um dos maiores e mais interessantes lugares da Fajã Grande. Situava-se bem lá no alto, quase a tocar os céus, nos matos da Ponta, a norte da freguesia, pelo que, consequentemente, fazia fronteira, a norte, com a vizinha freguesia de Ponta Delgada, já pertencente ao concelho de Santa Cruz. A leste, a Caldeirinha ladeava com o Queiroal e o Bracéu, a oeste com o Risco e a Sul prolongava-se até á à beira da Rocha, fazendo fronteira com as rochas das Covas, do Vime e da Ponta

A Caldeirinha, apesar de se situar nos matos, num enorme descampado, era uma zona de boas pastagens, por conseguinte, grande parte do seu território pertencia a proprietários particulares, residentes na Ponta que tinha ali grandes relvas, separadas uma das outras por gotões e valados, onde floresciam densos bardos de hortênsias e para onde levavam o seu gado, mantendo-o ali, dia e noite, sobretudo nos meses de verão Mas outra parte da Caldeirinha, maior e mais a norte, era concelho, isto é, era território comunitário, onde pastavam em comum contubérnio as ovelhas dos residentes na Ponta e de um ou outro proprietário da Fajã.

Situado numa zona montanhosa, o lugar da Caldeirinha era formado por alguns cabeços, entrelaçados uns com os outros e com um enorme vale, no centro de todos, que lhe dava a forma de uma espécie de caldeira, sendo essa, muito provavelmente, a razão de ser do seu nome, pese embora seja mais difícil de explicar a razão de ser do recurso ao diminutivo. Talvez este nome lhe adviesse do facto de em tempos idos, por ali terem existido vestígios de uma pequena cratera que, vista, cá de baixo, do centro do povoado, se assemelhava a uma espécie de pequena caldeira, embora sem água, caso não raro na ilha das Flores, onde existia e ainda hoje existe uma caldeira sem água, mas não deixando por isso de ser chamada Caldeira Seca.

Debruçado sobre as encostas dos matos da Ponta, ali ao lado do Queiroal e como que emparelhada com ele, quase todo o território da Caldeirinha era visível da Fajã, de onde se podia observar o próprio gado que ali pastava.

Sob o ponto de vista meteorológico a Caldeirinha, aparentemente, constituía uma espécie de indicador de chuva, por quanto, nuvens escuras derramadas sobre a Caldeirinha era prenúncio de que vinha aí chuva. Além disso, quando começava a chover lá no alto da Caldeirinha, o que era frequente, pouco depois chovia, cá em baixo, no povoado.

Mítico, lendário e enigmático o lugar da Caldeirinha era de verdade um dos mais belos lugares da Fajã, pese embora o acesso ao mesmo fosse muitíssimo difícil, quase impossível. Do lado do Queiroal não havia caminhos ou veredas que lá chegassem, o mesmo acontecendo das bandas do Risco, por onde os homens da Ponta passavam, mas conduzindo o seu gado através de pastagens. Apenas pela Rocha do Vime havia uma vereda, mas muito íngreme e difícil de subir.

Situada a 21° 59’ de longitude oeste e a 39° 25’ de latitude norte, a ilha das Flores é bastante montanhosa, tendo no Morro Alto a sua maior elevação, com 914 metros de altura. A Caldeirinha ficaria a cerca de metade desta altitude.

O rochedo que envolve o lugar da Caldeirinha revela-se muito vigoroso, característica comum a todo o relevo aa ilha e que se cuida ser fruto duma actividade combinada de vários cones vulcânicos rondando os 700-800 metros de altitude, posteriormente sobreposta com a de alguns cones menores. Daí resultou uma estrutura planáltica em dois degraus, que se prolonga até à costa. No patamar Norte, desenvolvido a uma altitude média de 600-700 metros, onde a vastidão, o silêncio, a tranquilidade e a homogeneidade dos tons verdes tomam conta da paisagem, encontra-se o Morro Alto, o Pico da Burrinha e, ainda, o da Testa da Igreja e o Pico da Sé. No patamar inferior, a Sul, com altitudes entre os 500-600 metros, os aparelhos vulcânicos são mais pequenos e modernos. Nas zonas aplanadas envolventes dos cones encontram-se lagoas, antigas crateras de afundamento, rasas ou fundas, com água acumulada na sua parte inferior.

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publicado por picodavigia2 às 19:26

NO MEIO DA LAVA

Segunda-feira, 11.08.14

O Maciel é natural de Santa Luzia do Pico, uma das freguesias mais “martirizadas” da ilha montanha, dado que a sua história é profundamente marcada por duas grandes e desastrosas erupções vulcânicas, uma ocorrida no século XVI e uma outra nos princípios do século XVII, mais precisamente em 1718. Esta última foi de enorme violência, tendo procedido à expulsão de grandes quantidades de lava, a correr sob a forma de rios que, em alguns casos, chegaram a percorrer distâncias de nove quilómetros até atingirem o mar, entre o Porto do Cachorro e o Lajido. Embora poupando pessoas, esta imensa torrente de lava matou animais, destruiu casas e campos, desfazendo tudo o que até aí havia sido construído e edificado pelo homem. Os sobreviventes, que ali permaneceram foram obrigados a reconstruir de novo e sobre a própria lava, tudo aquilo que o infortúnio lhes havia retirado e, por isso, mesmo tornaram-se homens, fortes, decididos, corajosos, trabalhadores, honestos, cozendo o bolo com o suor do seu rosto, espremendo o vinho com as lágrimas dos seus olhos, cavando o chão com as mãos calejadas, percorrendo veredas com os pés descalços.

Assim, o Maciel chegou ao Seminário de Angra, no ano lectivo de 1953/54, trazendo consigo todo este património de uma dignidade ressequida pela lava, de um humanismo basáltico, de uma integridade sulfúrica, duma garbosidade espelhada na montanha, num chão construído entre maroiços de cascalho, embalado em vinhedos plantados entre pedregulhos, alimentando-se de bolo cozido sobre lajes. Ali fez a sua formação académica, durante onze anos, revelando-se um jovem, para além de elegante, esbelto e garboso, simpático, alegre, jovial e meigo.

Como muitos outros foi para a guerra colonial, na Guiné. Regressou, fixando-se no Continente, trabalhando sempre nos Serviços Sociais, área em que se especializou. Primeiro em Beja, na Junta de Acção Social e nalgumas Casas do Povo do Alentejo, mais tarde em Setúbal, no Instituto de Família e Acção Social e no Centro Nacional de Segurança Social.

Agora reformado, vive em Angra, onde estava espera dos que longe vieram ao Encontro, recebendo-nos com aquele sorriso meigo, aquela alegria inebriante e aquele abraço fraterno que sempre o caracterizou. Acompanhou-nos com dedicação, envolveu-nos com ternura, fez de cicerone no passeio pela ilha, deslumbrou-nos com as suas narrações e, mais do que tudo, deliciou-nos com a sua amizade e com o seu carinho.

Agora encontro este “Senhor” do Encontro, aqui ao lado, na sua Santa Luzia, a labutar naquele património de lava basáltica, entrelaçado entre os vinhedos sulfúricos, na senda de um delicioso “caldo de peixe” ou de um prato de lapas, no reboliço de um tinto basáltico, ainda a ferver o mosto adocicado.

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publicado por picodavigia2 às 17:23

AEROPORTO

Domingo, 10.08.14

Os sinos, aqui, não tocam…

Não há o marulhar das ondas,

As flores não têm perfume

E o silêncio parece ser branco.

 

Apenas um pássaro destemido,

Talvez sem destino,

Perfura a segurança.

 

Os olhos que se enchem de lágrimas

São os mesmos que sorriram de alegria.

 

Um avião parte

Outro chegará, em brve.

 

 

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publicado por picodavigia2 às 13:22

7º DIA – FARTURA DE PEIXE E DE TEMPORAL

Sábado, 09.08.14

De manhã fartura de peixe. À noite um tremendo e assustador temporal!

São Caetano, desde sempre se encostou ao mar. Rodeado de ribeiras, grotões, ladeiras, maroiços e veredas escabrosas, tudo parece que se dirige e escoa para o oceano, nele encontrando sustento e fartura. Outrora fonte de alimento de muitas famílias, a pesca, quer a de pedra quer a de alto mar, hoje foi desporto. Manhã de Pesca Desportiva. Impressionante a quantidade e variedade de peixe pescado pelos vários concorrentes: congros, moreias, raias, gorazes, bocas negras, sargos, garoupas, rocazes, pargos, etc. etc. Uns transformaram-se num gigantesco caldo, outros foram assados na brasa. Um primor! E o povo acorreu em romaria ao Porto, para saborear tão apreciado cardápio…

Mas a chuva e o mau tempo não desprega. Continua a ameaçar. Apenas uma ou outra aberta durante a tarde.

Agora à noitinha, o pior havia de acontecer. Um vento fortíssimo caiu e continua a cair sobre casas e pessoas, soprando com grande intensidade, sibilando como se estivesse louco. Nuvens negras pairam sobre a montanha, para os lados de São Mateus. Meus Deus! Vem aí borrasca e da grossa…

O vento sopra cada vez mais. Até assobia e leva tudo pelos ares. Que susto! Que nervos” Em véspera de viagem, não poderia acontecer pior.

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publicado por picodavigia2 às 23:45

LAMÚRIAS

Sábado, 09.08.14

O Justino e o Alípio   chegaram a casa muito cansados, mas, cmo sempre, dispostos a queixarem-se ao pais, das estroinices do rebento mais novo.. Foice aos ombros, cordas a tiracolo e bordão na mão, foi o Alípio a anunciar:

- Pai, a Cabaceira ficou pronta, os feitos estão todos cortados.

- E também ceifaram a canarroca da belga do lado do Caminho Velho como vos mandei?

Agora foi o Justino, sempre mais atrasado, a esclarecer;

- Também ficou toda cortada. Ficou tudo pronto como pai mandou. E ainda cortámos umas faeiras que estavam lá muito bastas, por entre os inhames… p’ra lenha.

- E separaram a canarroca dos feitos? É que o outro dia, na Cancelinha, vocês misturaram tudo e depois foi o cabo dos trabalhos… Não viram o vosso irmão?

-Ele ainda não chegou do Outeiro Grande, de levar as vacas do Luís? - Insistiu o Justino.

- Claro que não chegou. Estás a vê-lo? Ele vai e vem é a brincar. Agora tem a mania de levar uma aguilhada e diz que vai tocando as suas vacas. Fala com elas e tudo, o palerma. – acrescentava o Justino ao mesmo tempo que tira um bocado de pão de cima da mesa, comendo-o com sofreguidão..

Logo a irmã, batendo-lhe na mão, ordenava, recriminando:

- Está quieto! Tens mais pressa do que os outros?

- Não mandas em mim! ripostava o Alípio, comendo o pão e continuando o chorrilho de queixas contra o irmão - O José Coutinho contou-me que o viu o outro dia: quando vem a descer o Covão, faz de conta que vem a tocar a Moirata e o Damasco, encangados, puxando um carro de incensos. Depois, de vez em quando para e põe-se de cócoras, a fazer de conta que está apertar ou alargar, os parafusos dos queicões. Parece um toleirão!

- É mesmo tolo! – acrescentava o Justino. - Precisava era duns toitições bem dados. Quando não vai ao Outeiro Grande é só brincar: é com a ovelha, é com vacas de madeira, é de baixo do estaleiro a fazer que está a lavrar…. Passa a vida a brincar e nós…

E como se isso não bastasse para encher os ouvidos do progenitor a própria irmã atirava mais lenha para a fogueira.

- E está sempre a fugir para ir brincar com os amigos à pesca da baleia, ao pai-velho e sei lá o quê… O que sei é que nunca pára em casa…

O pai, em vez de se revoltar, bem os tentava acalmar;

- Ele ainda é uma criança. É muito mais novo do que vocês.

E logo o Justino:

-É muito novo mas já anda a fazer das suas… O Paulino já me disse que ele lhe abriu o portal da relva da Ladeira, para passar com a ovelha e depois pôs-se a andar e não o tapou.

- E o Delfim diz que ele lhe atira pedras às ovelhas. E elas têm crias…

-E demora uma manhã para ir levar as vacas e uma tarde para as ir buscar. E eu é que tenho que ir buscar a água à fonte, acartar lenha e deitar comida às galinhas… Fazer tudo…

- Ele podia bem pegar numa foice e ir connosco… Podia ir ajudar-nos a ceifar feitos. Ou pelo menos ir atrás de nós fazendo as mancheias. A gente a ceifar e ele a fazer as mancheias  era muito mais rápido.

- E podia andar mais depressa… Meia hora dá para ir e vir ao Outeiro Grande…

- E o primo Luís diz que ele sobe o Covão agarrado ao rabo das vacas e a bater-lhes desalmadamente.

- Elas andam que se fartam. Não há vacas na Fajã que subam o Covão tão depressa como as do primo Luís e foi ele que as pôs assim. E a Trigueira deu leite há bem pouco tempo.

Por fim foi a Amélia que suplicou;

- Pai tem que por cobro nisto!... Venham para a mesa que o pão e o queijo já estão partidos. Não vale a pena esperar por ele. Quem não está não come.

E sentaram-se à mesa, saboreando uma boa sopa de feijão,  com um pequeno naco de toucinho.

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publicado por picodavigia2 às 10:56

AS PALAVRAS

Sábado, 09.08.14

(POEMA DE EUGÉNIO DE ANDRADE)

São como um cristal,

as palavras.

Algumas, um punhal,

um incêndio.

Outras,

orvalho apenas.

 

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam:

barcos ou beijos,

as águas estremecem.

 

Desamparadas, inocentes,

leves.

Tecidas são de luz

e são a noite.

E mesmo pálidas

verdes paraísos lembram ainda.

 

Quem as escuta? Quem

as recolhe, assim,

cruéis, desfeitas,

nas suas conchas puras?

 

                   Eugénio de Andrade

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publicado por picodavigia2 às 10:51

6º DIA - LEVANTAR UVA

Sábado, 09.08.14

A vinha do Cabeço hoje, mais se assemelha a um torrão sagrado, ungido com o sereno da madrugada, um pedaço de chão verde salpicado e tingido de vermelho, onde proliferam dezenas e dezenas de cachos de uvas, muitos deles à espera de uma mão amiga, que os levante, que os salve, que os suspenda e retire do charco onde jazem e onde, muito provavelmente, estão condenados a serem destruídos ou apodrecer. A vinha do Cabeço, hoje de manhã, parecia a uma espécie de cratera lávica, a ejacular do seu seio o intenso o perfume das uvas, misturado sabor acre das maçãs, uma leiva domesticada onde se confundem vides, mondas e uma ou outra macieira. A vinha do Cabeço assemelha-se a uma enorme navio, com a proa voltada para a montanha, a carregar o castanho dos troncos arquejados das vides, o verde saltitante das folhas o roxo hesitante dos cachos e, lá no cimo, naquela espécie de castelo da proa, milho, feijão, batata-doce, à mistura com silvados, beldroegas, milhãs, junquilhos, ortigas e muitas outras daninhas. Nas paredes vizinhas alguns braços de caseiras atrevidas e abóboras penduradas, a simularem as bóias de encosto ao cais.

Esta vinha, metamorfoseada em torrão, em leiva, em cratera ou até em navio atrai, convoca e até pede a insolvência de tão famigerada conjugação, tornando-se numa vinha real, cercada de paredes construídas de pedras lávicas, repletas de vides, cujos cachos de uva, levantar. Na verdade, as videiras, aqui no Pico, requerem, exigem, obrigam, intimam e até ordenam que se lhes salvem os cachos rastejantes. Levantar uva é com ser bombeiro, é salvar quem jaz amordaçado, espalhado pelo chão térreo, encharcado de ervas, com a própria sobrevivência em perigo, a roçar o infortúnio, a cercear a sustentabilidade da vindima. Mas é uma operação delicada, quase cirúrgica, como que feita a bisturi, Impõe-se, onde existem cachos despejados sobre o solo, pegar nos ramos rasteiros, com cuidado, a fim de não desfazer a forma, o feitio e a existência dos pobres cachos e, por outro, ao caminhar por entre os vinhedos, não calcar os outros cachos que dormem sossegados de baixo das folhas esverdeadas, a protegerem-se do Sol. Levantado o ramo, coloca-se uma pequena pedra de baixo, de forma a que os cachos fiquem como que suspensos, sem rastejar o solo. Caminhando pela vinha, detectam-se os cachos caídos, mas enquanto se vai retirar a pedra da parede lateral perde-lhe o rasto… Há que inventar uma estratégia para resolver este imbróglio. A mais simples e prática é adquirir um ramo de incenso e deixá-lo a assinalar o local da anormalidade detectada. Resulta! Depois ali ficarão os cachos ora levantados juntamente com os outros, a amadurecer, à espera da safra que lhes há-de chegar, imperiosamente, dentro de três semanas.

Mas a manhã parecia que havia ensandecido. Nascia possessa, senhora duma bruma friorenta, escura, desagradável, com que a forçar o reconforto dos lençóis. Tudo encharcado de chereno muito húmido e contagiante. Havia que esperar, para que o Sol, aparecendo lá no alto, por de trás da montanha tudo secasse. E o astro-rei não se fez esperar e veio, na sua enorme luminosidade. Em breve tudo secou. O Sol radiante, bonançoso, contrariamente ao dos dias anteriores que parecia que havia descambado por completo para os lados do Faial, deixando São Caetano emerso num espectral e escuro sossego. Neste Pico e em pleno mês de Agosto, a regra tem sido a de acordar envolvido por brumas matinais, inicialmente húmidas e escuras, mas que ao longo das manhãs se vão diluindo e desanuviando, embora lentamente, a desfazerem-se como se fosse um novelo de lã que se vai desenrolando, muito devagar, até ao fim.

E quando o Sol, arrependido de tão inusitada graçola, regressou ao seu posto, encastoando-se nos rebordos da montanha, já as vides ardiam em resfolgo, acariciadas por mãos que, embora inexperientes, lá foram colocando, pedra aqui, pedra acolá, a sustentarem a desejada sustentabilidade dos cachos hesitantes. Uma hora e um quarto e havia-se chegado com o primeiro eito ao cimo, ao tal castelo da proa, outrora degredo, berçário de ondas e cana roca, hoje viveiro de batatais verdejantes e promissoras. Significavametada da tarefa cumprida. Há que a acabar, iniciar, pelo lado leste ou da vila, o resto do terreno. Consegue-se mais um pouco mas o desânimo é mais forte e tentador. O cansaço também já é muito e as costas doem. Decisão tomada: o resto fica paa a tardinha, quando Sol abrandar… Não há que preocupar porque a maioria das tarefas programadas para esses dias já estão cumpridas: apanhar as cebolas na Ribeira, cavar a terra e semear feijão - a semente que estava no porta-bagagem do carro era de feijão-verde -, mondar os caculos da batata-doce e sachar o milho. Tarefas árduas, ignóbeis, cansativas, a que se acrescentou a saga dos tomates, alfaces e até um repolho para a sopa. Quase hora e meia, vergado ali no duro, muito tempo a Sol, grande esforço e o corpo num Cristo. A salvação consubstanciou-se num bom duche na adega, que o mar hoje não permite grandes banhos. Mas no corpo ficam as marcas indeléveis de um inócuo esforço: pernas, braços, costas, mãos… Tudo dói!

São Mateus foi o destino no início da tarde. Uma miniatura do Mucifal Havia que descansar e recuperar um pouco, embora sem a habitual sesta. À tarde consumou-se a tarefa de levantar a uva. Menos morosa. O espaço era menor e, aparentemente com menos uva para levantar. Mas mais algumas tarefas foram compridas, como aquela do Coliveda do banheiro, com a vantagem de, ao chegar ao Cais, para tomar uma banhoca na Poça e encontrar o Delfim que, generosamente, interrompe a hora de banha, para vir colocar. Boa notícia, esta, a da recuperação o banheiro. Pior é a água quente que continua em falta.

Finalmente, fez-se escuro e foi o fim do sexto dia e o início da sétima noite que, a julgar pelos astros, parece que vai ser de chuva, assim como o dia de amanhã. A ver vamos.

 

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publicado por picodavigia2 às 07:37

5º DIA – MANHÃ DE INVERNO TARDE DE VERÃO

Sexta-feira, 08.08.14

O Pico é uma gigantesca montanha de cores, de perfumes, de sabores, de formas, de sombras e até de sentimentos diversos e diversificados. A imponente montanha, umas vezes acorda esbranquiçada, com um sabor amargo como se evaporasse indiferença, a querer rebolar-se pelas colinas na tentativa de desentupir todos os atalhos e veredas, anestesiar trabalhos e canseiras, de amenizar angústias e desilusões. À tarde, porém, reveste-se de um amarelo que, embora tímido, perfuma-se com o silêncio das florestas, entrecortado pelo canto dos pássaros pelo sibilante ciciar do vento e resplandece com o perfume, quase incandescente, da maresia, com a luxuriante lucubração de vinhedos e ervaçais. Outras vezes, a mesma montanha como que nasce enegrecida, aureolada com o sabor acre da lava, espargindo uma espécie de indiferença telúrica, com laivos de angústia e socalcos de impertinência. Depois aquele negro, abrupto e lascivo, vai-se diluindo até se metamorfosear num verde espirituoso e doce, a prolongar-se pelos andurriais atá aos campos e vinhedos matizados de lava e aureolados de enxofre, qual gigantesco tapete de silêncio, borrifado de enigmas que a placidez do oceano consubstancia. Mas ainda dias há, em que a montanha revestida de cinza, se perfuma de arrogância e evapora miríades de gotículas de água, que aspergindo, ora lenta, ora torrencialmente, o chão ressequido, umas vezes enriquecendo projectos, fortalecendo investimentos, outras obliterando decisões, obstaculizando desejos. Depois, à tarde, e como que a desfazer, miraculosamente, o manto acinzentado, genuíno e substancial, nasce, lá bem no alto, uma luz radiosa, acariciadora a romper as pérfidas amarras da escuridão matutina e, então, tudo se enche de luz, de brilho, de esplendor, de alegria e de encanto.

Foi precisamente, o que aconteceu hoje: manhã de inverno, tarde de verão.

De facto o dia de hoje nasceu enevoado e triste, com ameaças de aguaceiros. E estes não se fizeram rogados. Desabaram sobre o orbe como se fossem milhares e milhares de cântaros de água, derramados pelos anjos, sobre a face da terra. Tudo fazia prever que estaríamos perante um verdadeiro dia diluviano e de invernia, impedindo o alegre caminhar pelas veredas, obstaculizando o imiscuir-se em pequenas tarefas agrícolas. Mas tudo mudou. E ao meio-dia o milagre aconteceu. Primeiro surgiu, embora ainda um pouco descambado a oeste, um sol claro, sublime e abrasador. Depois uma leve e hesitante bruma, a confundir clarificações. Pairavam no ar, intercaladas, mudanças repentinas, difíceis de prever e ainda mais de se perceber.

Mas a chuva tem destas coisas, pois obriga a uma denguice preferencialmente caseira. Fazer réstias de cebolas e limpar o lar, o doce lar. Útil, necessária e bem conseguida tarefa, esta de desfazer o que incomoda e se rejeita… Mas a chuva tanto fugiu e se encafuou lá por trás da montanha, pelos vistos indo refugiar-se em São Roque e outras localidades do norte, e o sol tanto insistiu, tanto teimou e tanto chegou, que na ida com destino ao Multiusos para o almoço, já deu para molhar o Aquiles na escada do Cais, com a maré quase cheia. Excelente o menu de hoje: folhados de sobras de albacora e boca negra, com migas de brócolos e uma boa sesta. O Sol, de tarde, abrasava. O dia invernoso da manhã, transubstanciava-se em verão a sério, por isso, entre o virar da rama da batata-doce no castelo da proa, lá para os Cabeços e o mondar das abobrinhas na Ribeira, uma bela banhoca, hoje na Poça que a maré no Cais estava muito seca.

Do Faial chegaram ecos da semana do mar. Ontem foi dia de Toy, precisamente na noite da festa do Bom Jesus. Ao serão faltou a luz. Felizmente havia velas e uma pilha. Caso contrário, ficar totalmente às escuras, seria dramático. Nesta escuridão, não se sabe com que cor, perfume ou sabor o Pico vai acordar, amanhã. O luar de Agosto aparenta alguma frouxidão e são poucas as estrelas, no céu.

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publicado por picodavigia2 às 09:10

MANHÃ DE CHUVA

Quinta-feira, 07.08.14

Chove!

Chove, torrencialmente.

A manhã é escura, pardacenta,

Evapora incertezas

E até se confunde  com a noite.

 

São Caetano,

De ruas desertas,

Transformadas em rios.

Janelas fechadas

Ferias cerceadas.

Procura-se um abrigo.

 

Apenas o pequeno “café”

- refúgio abençoado -

Alberga uma meia-dúzia:

- “turistas” revoltados,

- populares impedidos de trabalhar,

- “reformados à espera d’um copo.

Supostamente, a indignarem-se

Com este tremedal!

 

“Aqui,

Em Novembro,

O tempo costuma estar melhor

Do que em Agosto.”

Comentam…

 

E as lamentações continuam;

“Com este tempo

A uva apodrece…”

“Estraga-se toda”.

 

“Há-de ser o que Deus quiser…”

Dizem os mais conformados.

 

Manhã de bruma,

De chuva,

De escuridão e trevas…

E pior:

De uvas a apodrecer

E de mondas a crescer.

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publicado por picodavigia2 às 11:10

4º DIA - BOM JESUS

Quinta-feira, 07.08.14

Dia de festa, festa do Senhor Bom Jesus Milagroso mas também dia de muita chuva. Consequentemente dia de descanso quase absoluto.

A noite, pelos vistos, voltou a borrifar-se de chuva e, como se isso não bastasse transformando a manhã num verdadeiro manto de bruma escuro e pardacento, num torrão de persistente e irritante nevoeiro. Ao longe o eco do foguetório a anunciar a festa do Bom Jesus.

Apenas as ervas do tapete bagacinado desta espécie de Fonte Sacra, aqui mesmo ao lado de casa. Não eram muitas, mas o levanta e baixa que o seu arranque exige e a consequente dobra das costas, dói e deixa marcas. Maleitas que parecem ser permanentes e definitivas. Impõe-se não abusar. Com este tempo, imperava saber que condições, eventualmente, teria o mar, para banhos. Cais e Poça desertos. Maré bem seca. Numa ida ao mar, apenas o Aquiles enfiado na Poça. Há por ali um silêncio profundo, quase misterioso, apenas quebrado pelo marulhar ritmado das ondas e do seu desfazer-se contra os laredos.

São Mateus foi o destino seguinte. O tempo parecia ter melhorado e a chuva, aparentemente, amainara. Puro engano. São Mateus estava engalanado. Era a hora de arrematar o gado e havia missa. O templo estava repleto de fiéis, de música, de sons e de flores. Há sempre por ali vestígios do passado…A prédica do ouvidor do Faial" Terminada a missa uma chuvada como ainda se não vira por aqui. Parecia uma camada de snow, sob a forma líquida

Ir a São Mateus no dia de Bom Jesus e não almoçar ou, no mínimo, não trazer o almoço é quase como ir a Roma e não ver o papa. E se for albacora assada no forno, a aquisição torna.se ainda mais tentadora. E foi. Só parar em casa para fazer uma salada e romagem ao Multiusos. Jã não chove e cai uma calma serena. Almoço ao relento, seguido de uma boa sesta.

De tarde o mar revoltara-se, a maré estava seca, o frio e a chuva a boicotar o banho. A procissão do Senhor Bom Jesus é como que o epicentro da festa. O tempo melhorou, está fresco e permite o regresso à festa, embora, previsivelmente, exija um grande percurso a pé, com malefícios terríveis para o Aquiles. Milhares de pessoas, mais de uma dúzia de reverendos, dez filarmónicas, cinco andores, mais de uma dezena de guiões, muitas opas e muitas flores, pessoas descalço e carregadas de velas, permanente repicar dos sinos enfim um desfilar de símbolos, de penitência e de sentimentos. Uma hora!

E o mais curioso é que o almoço para amanhã está pronto. À noite, confecção de folhados com sobras de peixe fresco misturados com os restos de albacora, para um novo dia, onde se retomarão as actividades suspensas, neste meio da volta. O roteiro já está a mais de meio.

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IDEIAS CLARAS

Quinta-feira, 07.08.14

Infelizes os homens que têm todas as ideias claras.”

 

 Louis Pasteur

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