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VISITANTES

Sexta-feira, 05.09.14

"Visitantes sempre dão prazer. Senão quando chegam, pelo menos quando partem"

Dito popular português

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publicado por picodavigia2 às 10:30

PAREDES – A CIDADE E O CONCELHO

Sexta-feira, 05.09.14

Paredes é uma cidade portuguesa, sede do município com o mesmo nome, pertencente ao Distrito do Porto, situada na região Norte de Portugal e integrada na comunidade urbana do Vale do Sousa. O Concelho de que é capital tem uma área de 156 km2, com cerca 85 mil habitantes, dos quais cerca de 12 600 vivem na cidade. O município é constituído por 24 freguesias e limitado a norte pelo município de Paços de Ferreira, a leste por Lousada e por Penafiel, a sudoeste por Gondomar e a oeste por Valongo. O concelho foi criado em 1836, sucedendo, em grande parte do seu território, ao antigo concelho de Aguiar de Sousa, actualmente uma das freguesias mais pequenas que o constituem.

Paredes integra-se numa das regiões mais prósperas e paisagisticamente interessantes de Portugal: o Vale do Sousa e tem uma riquíssima história, uma vez que é o sucedâneo do antigo concelho de Aguiar de Sousa, que data dos primórdios da Monarquia, tendo sido criado em meados do século XII, pois já consta nas inquirições de 1258 mandadas fazer por D. Afonso III, nas quais, também, já são referidas algumas das actuais freguesias do concelho de Paredes, pertencentes ao então julgado de Aguiar de Sousa: Estremir, Crestelo, Vilela, Bendoma, Ceti, Gondalães, Veiri e Gandera. Aguiar de Sousa recebeu foral em 1269, confirmado em 1411 por D. João I e reiterado por D. Manuel I em 1513. Sensivelmente na mesma altura, Baltar recebia também a categoria de concelho. Baltar foi elevada a categoria de vila, passando assim a ter enormes direitos, só comparáveis às maiores povoações do reino, privilégios confirmados por  D. João V, em 1723.

Extinto em 1837, o concelho de Baltar era constituído por 9 freguesias: Baltar, Cête, Vandoma, Astromil, Gandra, Sobrado, S. Martinho do Campo, Rebordosa e Lordelo. À excepção de Sobrado e S. Martinho de Campo, que actualmente fazem parte de Valongo, todas as outras seriam posteriormente integradas no concelho de Paredes. Foi durante o séc. XVIII que o lugar de Paredes, integrado na freguesia de Castelões de Cepeda, foi ganhando importância. Assim, em finais do séc. XVIII, já existiam os Paços do Concelho, actual Academia de Música, e o pelourinho.

Em 1821, o concelho de Aguiar de Sousa foi extinto como concelho e grande parte das suas freguesias foram anexadas a Paredes. Com a criação do concelho de Paredes, não só se extinguiu o de Aguiar de Sousa, como ainda o de Baltar, Louredo e Sobrosa, que emergiram da crise liberal e tiveram duração pouco superior a dois anos. O concelho de Paredes foi criado por Passos Manuel, em 1836, como resultado do reordenamento que ocorreu com a entrada da Constituição de 1820. Nesta data, passou a conter algumas das freguesias do extinto concelho de Aguiar de Sousa, englobando um total de 23 freguesias. Em 1855, dos vários lugares da freguesia da Sobreira foi criada a freguesia de Recarei.

Com esta configuração, Paredes passou a vila em 7 de Fevereiro de 1844, data do Alvará Régio de D. Maria II que elevava Paredes a essa categoria, com os correspondentes direitos e deveres por "a mesma povoação possuir os necessários elementos para sustentar com dignidade a categoria de vila".

O concelho de Paredes possui uma grande tradição na indústria do mobiliário, assegurando cerca de 65% da produção de mobiliário nacional. A relação tradição/modernidade da arte de trabalhar a madeira nas suas diferentes vertentes sustentam um produto turístico-cultural denominado "Rota dos Móveis".

A partir de 20 de Junho de 1991, Paredes ascendeu à categoria de cidade. A 26 de Agosto de 2003, foram elevadas a cidade as freguesias de Lordelo e Rebordosa. Gandra também se tornou cidade com estatuto especial, em virtude de nela se situar um importante pólo universitário. O concelho de Paredes contém, deste modo, quatro cidades, sendo o concelho português com maior número de cidades.

 

NB – Dados retirados do BMP

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publicado por picodavigia2 às 10:25

A MATANÇA

Quinta-feira, 04.09.14

O Silvestre todos os anos, uns dias antes do Natal, matava um porco. Engordado ao longo do ano com os cuidados excessivos da mulher que passava horas e horas a alimentar o bicho, os porcos que o Silvestre matava em cada ano eram coisa que de se ver. Grandes, gordos, pesados, com uns bons palmos de toucinho no lombo, os porcos do Silvestre eram sempre muito gabados por todos.

Para a matança, um verdadeiro dia de festa, o Silvestre convidava sempre os familiares e os amigos, muitos amigos. E no dia da matança, a casa do Silvestre enchia-se como nunca. Muitos ajudavam-no a apanhar o bicho, a meter-lhe a faca, aparar o sangue, lavá-lo, raspá-lo, barbeá-lo e até a abri-lo. Depois de um lauto almoço, onde não faltava, inhames, peixe assado, polvo guisado, molha de carne e até bifes de toninha, tudo acompanhado com o vinho de cheiro que o próprio Silvestre ia buscar à adega, era o “desfranchar” do suíno, esquartejando-o, partindo, cortando, serrando, picando a carne para a linguiça, derretendo os torresmos. As mulheres numa azáfama medonha, a lavar tripas, a preparar as morcelas e a fazer os bifes para a ceia.

E à noite a casa do Silvestre enchia-se, não apenas dos que haviam ajudado durante o dia mas também de muitos outros amigalhaços que, a convite do Silvestre, ali chegavam apenas com a intenção de jantar e depois, quiçá talvez jogar as cartas.

Quem nunca faltava â matança do Silvestre era o amigo Matias. Era um costume de há muitos anos, uma espécie de tradição que não podia diluir-se. Todos os anos o Matias, a mulher e os filhos eram presença certa na matança do Silvestre.

Um ano houve em que o Matias tinha em sua companhia um sobrinho, filho duma irmã que morava na Serreta, na Terceira. O rapaz ao acabar os estudos no liceu de Angra, fora estudar economia para Coimbra, onde se formara. Terminado o curso, ao regressar aos Açores, decidiu-se por concorrer para as Finanças. Como rareassem vagas na Terceira, a pedido da mãe, concorreu para o Pico, sendo colocado na Madalena, para gáudio da progenitora, que assim via o filho hospedar-se com segurança e requinte em casa do irmão. Ora o convite que o Silvestre fazia era para toada a família, incluindo o sobrinho.

O rapaz, embora tímido e pouco à vontade, acabou por aceitar ao convite, comparecendo em casa do Silvestre, apenas à noitinha, para a ceia. Sentaram-se à mesa, exagerando-se nas atenções e cuidados que em casa nunca lhes havia entrada tão ilustre visitante. O senhor doutor merecia todas as atenções e comidinha à farta. A abundância do cardápio e a excelência do repasto havia de ocultar e sublevar a pobreza e humildade da casa do Silvestre.

Quem mais se esmerou em cuidados e atenções à volta do senhor doutor, foi a filha mais velha do Silvestre, a Lucília, muito solícita, a colocar-lhe na frente travessas de inhames fumegantes, bifes de lombo muito bem temperados e rodelas de morcela frita, a cheirar a cebola e temperos. Lucília não era bonita, mas era deliciosamente bela e encantadora. Não era linda, mas era fascinante e atraente. O rosto acentuadamente moreno, com uma boa parte encoberta por um cabelo muito negro, liso e sedoso. Tinha um ar destemido, ousado, quase selvagem embora simulasse, sobretudo ao aproximar-se de tão ilustre hóspede, uma evidente timidez. Tinha um sorriso muito límpido e transparente e resplandecia-lhe do rosto um encanto sublime e uma ternura atraente.

Terminado a ceia os homens fumaram, a maioria tomou um traçadinho, outros, um copo de aguardente pura, boa, da safra do Silvestre. Mas o senhor doutor não estava habituado a estas bebidas… O Silvestre que sim e ele que não… Insistência daqui e recusa dacolá, até que a Lucília veio resolver a contenda com um cálice de angelica,ao mesmo tempo que, com unhas e dentes, defendia o senhor doutro das risotas e garçolas dos outros que afirmavam, à socapa, que aquilo era bebida de mulheres.

Sentaram-se, de novo à mesa para as cartas. E como o senhor doutor, que fizera par com o Silvestre, logo após a primeira partida a dar um capote, fosse muito elogiado pela sua hábil e sábia arte de jogar, Lucília nem por nada queria perder aquele momento. Inquieta, a arfar desejos e a vassalar-se numa tremenda paixão que o primeiro olhar dele, terno meigo e sedutor consubstanciara, veio sentar-se ao seu lado. Pouco depois os seus corpos tocavam-se, ao de leve, num enlevo recíproco que foi crescendo e intensificando-se, ao longo da noite

No dia seguinte foi ela que se adiantou, como era costume, a ir levar uma postinha de carne e uma morcela a casa do amigo Matias. Foi o senhor doutor que a recebeu porque não estava mais ninguém em casa. Ele muito preocupado e aflito e ela nervosa e decidida. Iam despedir-se. O tio Matias havia de agradecer ao pai.

Mas antes de sair, Lucília, no impulso da sua gigantesca e indomada paixão, sem que ele o persentisse, deu-lhe um beijo que havia de selar, para sempre, o enorme amor que entre eles, nascera na noite anterior, na noite da matança do Silvestre.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:56

MUDANÇA

Terça-feira, 02.09.14

Entrou-me na sala já o ano lectivo teria começado há uns bons quinze dias.

- Não gosto da escola. Não gosto da escola. – Estrebuchou por entre dentes

Sem se dar conta do feito armava-se, assim, em objectora de consciência à escola, ao ensino e a todo o tipo de aprendizagem. Simplesmente incrível e a tarefa de desfazer este muro de vergonha e casmurrice.

Aproximei-me e fui dizemdo comalguma tranquilidade. Que sim senhora. Que tinha toda a razão, estava no seu direito de não gostar da escola. Mas a contrária também era verdadeira. A escola também não gostava dela. Sem dar grande importância às suas convictas opções. Por fim. apenas murmurei;

- Mas ainda se vão tornar grandes amigas.

Ela arregalou-me os olhos, a indicar que não percebera nada mas que também não estava interessada em perceber o que quer que fosse.

De seguida, agarrou dum saco que trazia, emborcou nele um caderno que lhe pus na frente, debruçou-se sobre a carteira e, aparentemente, adormeceu, alheada de tudo e de todos.

Na sala apenas eu seguia, com atenção, aquele pedaço de gente inerte e inactivo. Para os outros era como se estivesse ali uma estátua de gesso, inerte e inactiva. Permaneceu assim durante toda a aula.

No fim e depois dos mais apressados saírem, meti conversa. Nada. Permanecia inerte. Quando terminei a provocação, levantou-se e saiu da sala como entrara, repetindo vezes sem conta a mesma frase: - “Não gosto da escola.”

No recreio ainda lhe apanhei uma dica:

- Meu pai trabalha de baixo da terra.

(Só mais tarde percebi que o pai trabalhava no metropolitano do Porto.)

Depois outra, mais esclarecedora:

- Quero ser doméstica como a minha mãe. Não preciso de vir para a escola. - Depois num tom colérico – Eu odeio os professores. Não gosto da escola. Não preciso da escola para nada. Quero fazer como a minha irmã. Ela saiu de casa e casou cedo por causa do meu pai. Ele é teso da verga. Quem manda lá em casa é ele. Se não lhe obedecemos… Pimba! Tareia p’ra burro.

Percebi do que necessitava. De quem lhe desse o carinho e a amizade que lhe faltava em casa,

E ano lectivo lá foi decorrendo. Ao princípio um ou outro dia de aulas, intercalado com dias e dias de faltas. Foi chamada a mãe. Veio à quinta convocatória da Directora de Turma.

- Preciso da cachopa e se preciso da cachopa a cachopa não pode vir à escola. Ela nem gosta da escola.

Melhorou. Algum tempo depois, veio o pai:

- Vou meter a cachopa na linha. Vai saber que tem pai…

- O demónio em pessoa – comentava a senhora Otília da secretaria. - O homem não veio por causa da filha. Veio buscar o cheque dos livros… que se calhar nem comprou, porque a pequena anda sempre com a sacola vazia. E os pais sabem, mas não se importam.

Depois do Natal melhorou muito e a seguir à Pascoa, entrava-me na sala com um sorriso rasgado, de orelha a orelha. Fazia o que queria e o que lhe apetecia, Não a recriminava nem reprendia. Apenas lhe dava o que ela mais necessitava: amizade e carinho, sobretudo carinho, porque é um crime deixar viver uma criança sem carinho. É verdade que não aprendeu rigorosamente nada, mas isso, decerto, não era o mais importante.

No fim do ano, na última aula, aproximou-se e, a muito a medo, disse-me:

- Para o ano quero vir outra vez para a escola, mas só se for para a sua sala.

 

 

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publicado por picodavigia2 às 06:53

GORGULHO MOLEIRO

Segunda-feira, 01.09.14

“O gorgulho mal chega à farinha e logo pensa que é moleiro.”

 Este é um adágio de grande significado e de rico conteúdo, utilizado para combater a vaidade, a arrogância e a soberba daqueles a quem é dado um poder mínimo e pouco significativo o transformam, pela sua arrogância e soberba, num poder superior, máximo, cuidando que podem tudo e que sabem tudo e os outros. A soberba transforma-os em domadores imbecis. Na verdade, a soberba é um sentimento caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando a manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em factos ou variáveis reais. A manipulação da soberba, da arrogância e da pretensão de superioridade pode gerar conflitos, inimizades e intrigas

A soberba não é privilégio dos ricos. Os pobres também podem experimentar a soberba ao se considerarem especiais, superiores, procurando fingir ou imaginar serem o que não são. O soberbo só se sente auto-realizado quando mostra aos outros a todo preço, mais do que vale ou do que pode, querendo despertar a inveja e a admiração dos outros, como se isso elevasse sua estima ao máximo e lhe trouxesse prazer.

Com este adágio pretendia.se pois combater estas atitudes . Ninguém deve mostrar ser mais do que o que é, do que o que vale ou do que o que pode ou é capaz.                                                                                                                                               

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publicado por picodavigia2 às 11:51


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