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O POLVO

Domingo, 02.11.14

(PADRE ANTÓNIO VIEIRA)


Mas já que estamos nas covas do mar, antes que saiamos delas, temos lá o irmão polvo, contra o qual têm suas queixas, e grandes, não menos que S. Basílio e Santo Ambrósio. O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja latina e grega, que o dito polvo é o maior traidor do mar. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo: e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais, porque não fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas diante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é a luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor!

 

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publicado por picodavigia2 às 15:47

A LENDA DO ENTERRO DO VELHO LARANJINHO

Domingo, 02.11.14

Antigamente, na Fajã Grande, as pessoas mais idosas contavam que todos os anos, no dia dois de Novembro as almas realizavam uma procissão pelas ruas da freguesia, até ao cemitério e que a mesma representava o enterro do velho Laranjinho. Todas as pessoas tinham a certeza que ela se realizava e até a viam e ouviam os sinos dobrar a finados, no entanto, não podiam contar a ninguém nada do que viam, nem sequer aparecer à janela ou espreitar para ver as almas.

Ora há muitos anos, nesse dia, à hora em que se realizava a procissão, uma rapariga muito curiosa e que dizia que não acretiva naquelas tolices, quando já estava deitada, ouviu o sino a tocar a finados e um barulho de passos de pessoas na rua em frente à sua casa. Sentou-se logo na cama e, levantando-se, assomou à janela para espreitar por um canto da cortina e ver o que se passava na rua e se era o que as pessoas diziam que acontecia naquela noite do dia dois de Novembro.

Foi então que, para espanto seu, viu que estava a passar, em frente à sua casa, uma procissão em que participavam muitos vultos desconhecidos, cada um coberto com uma veste branca e todos com velas acesas nas mãos. Atrás seguia um caixão com um féretro. Ao princípio cuidou que era o enterro de alguém que havia morrido naquele dia ou na véspera. Mas pensando melhor concluiu que àquela hora da noite não se realizavam enterros e, por isso, começou a ficar muito apreensiva. Foi então que reconheceu, entre os vultos vestidos de branco, uma parente sua que já tinha morrido havia algum tempo. Para cúmulo, quele vulto, voltando-se dirigiu-se para ela e, entregando-lhe a vela, disse-lhe:

 - Ó rapariga, pega nesta vela e guarda-ma que eu amanhã venho buscar-vos, a ela e a ti.

A rapariga retirou-se para casa muito nervosa e aflita, permanecendo acordada toda a noite. Logo que amanheceu correu a casa dos vizinhos e contou a toda a gente o que tinha visto e ouvido, na noite anterior.

Reza a lenda que no dia seguinte a rapariga morreu porque não devia ter dito nada a ninguém do que lhe tinha acontecido.

 

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publicado por picodavigia2 às 01:11





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