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A TERRA DO SOL POENTE

Segunda-feira, 03.11.14

Era uma vez uma terra, uma freguesia se quisermos ser mais precisos, que em tempos idos, apesar de pobre, todos os dias se enchia de Sol, de pessoas e de felicidade. Os seus moradores trabalhavam muito, sachavam, mondavam, cortavam, cavavam e lavravam os campos e tudo crescia, florescia, amadurecia e surgiam belas colheitas, pese embora, por vezes, ventos, tempestades e salmouras as tentassem destruir, pois aquela terra ficava perto do mar e era assolada, frequentemente, por fortes ventanias vindas do norte. Naquela terra, apesar de pobre, humilde e muito sacrificado, o povo vivia em paz, amor e felicidade. O Sol acordava todas as manhãs, surgindo, destemido, lá por detrás dos matos e só se ocultava à tardinha, quando amarelado e fulvo parecia que era engolido pelo horizonte. E os habitantes daquela terra, todos os dias, à tardinha, sentavam-se às portas das suas casas, postavam-se às janelas, acocoravam-se num descansadouro ou desciam até à beira-mar para ver o pôr-do-sol, na terra do Sol Poente.

Um dia, porém, começaram a chegar nuvens escuras àquela terra. Primeiro uma, depois duas e, finalmente, muitas e ainda mais e mais. E o Sol, que era a vida daquela terra, desapareceu, para nunca mais aparecer e, consequentemente, nunca mais se pôr. Nunca mais houve pôr-do-sol na terra do Sol Poente.

Aos poucos, a escuridão, o desalento e a tristeza invadiram aquela terra. Muitos habitantes partiram para terras distantes. Outros, os mais velhos, partiram para a eternidade.

É verdade que chegaram novos habitantes, mas não perceberam, não entenderam e, sobretudo, nunca foram capazes de compreender, sentir, apreciar e viver a beleza, a simplicidade e grandiosidade daquela terra, simplesmente porque nppunca viram o pôr-do-sol, naquela terra do Sol Poente.

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publicado por picodavigia2 às 10:08

O TOUCINHO E O ESPETO

Segunda-feira, 03.11.14

“ Deus dá o toucinho a quem não tem espeto.”

 

Este adágio, muito utlizado na Fajã Grande, parece ser, sem sombra de dúvida, uma espécie de tradução ou de adaptação de um outro muito conhecido e citado em todo o país; “Deus dá nozes a quem não tem dentes.”, com o qual se pretende demonstrar que a natureza, por vezes, é pródiga, porquanto protege, apoia ou enche de bens aqueles que não precisam e que deles não podem usufruir. Era também isso que se pretendia demonstrar, na Fajã Grande, ao referir o adágio do toucinho e do espeto. Na verdade, a muitas pessoas são proporcionados bens, condições de vida, talvez até dons e alegrias, de que não sabem usufruir e, consequentemente, desperdiçando-os. Esta adaptação daquele adágio, na Fajã Grande, prende.se, muito naturalmente com o facto do porco e, consequentemente o toucinho, como que fazer parte da alimentação quotidiana, revelando-se um alimento precioso. Sendo assim, é fácil compreender-se o seu sentido e a intenção com que era usado. Na realidade com ele queria significar-se que muitas vezes se desperdiçam as boas oportunidades que a vida nos proporciona. Há quem as não as aproveite, apesar de serem proporcionadas, enquanto outros as aproveitariam se elas lhe fossem disponibilizadas.

Curioso é o facto de se relacionar o espeto com o toucinho, talvez para o assar. Mas na Fajã Grande não se usava espeto para assar toucinho Este era simplesmente cozido ou frito sob a forma de torresmos. Por sua vez o espeto era usado para assar maçarocas, no forno ou num brasido, quando estas ainda restavam verdes, isto é quando vertiam leite.

É, pois, estranha esta referência feita ao espeto utilizado para assar o toucinho, porquanto na Fajã Grande não era costume assar-se o toucinho na brasa, muito menos enfiado num espeto. Na Fajã Grande o espeto era usado, quase exclusivamente, para assar maçarocas de milho, quando este ainda veria leite, isto é, quando ainda estava verde, enquanto o toucinho se comia cozido em sopa ou frito, sob a forma de torresmos. Isto significa que este adágio, muito provavelmente, terá sido importado ou trazido pelos primeiros povoadores, como aliás muitos outros.

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publicado por picodavigia2 às 00:41





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