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A RUA DATRONQUEIRA

Segunda-feira, 15.12.14

A palavra tronqueira utilizada como nome comum tem um significado interessante. Com ela pretende-se designar uma espécie de cancela ou porteira duma cerca, construída com três a quatro peças de madeira mais finas que os mourões, presas com quatro ou cinco fios de arame farpado ou liso. Uma das peças da extremidade deve ficar ajustada em meias-luas de arame, com possibilidade de girar em torno do seu eixo fazendo, assim, que a que fica na outra extremidade possa encaixar-se nas meias-luas de arame (liso ou farpado) fixadas uma rente ao chão e a outra na parte superior do mourão da cerca. Portanto o significado desta palavra parece ser o de cancela ou portão de cerca e a rua da Tronqueira pese embora herde o seu nome de um lugar com o mesmo nome, situado ao seu redor, pode considerar-se uma espécie de portão de saída duma espécie de cercal que é o povoado da Fajã Grande. Trata-se de uma espécie de saída para o norte, mais concretamente de uma fuga para os lados das Covas, da Ribeira das Casas, da Ponta e até para a longínqua freguesia de Ponta Delgada. A Tronqueira parece ter sido em tempos idos e era-o ainda na década de cinquenta uma viela extremamente movimentada, porquanto para além dos seus moradores que nela transitavam diariamente, passavam por ali muitas outras pessoas, não só com destino à Ponta ou a Ponta Delgada, mas nas suas idas e vindas para as terras e relvas que possuíam para aqueles lados, desde o Calhau Miúdo à Ribeira do Cão. Era também a principal via de acesso ao mar, mas para os lados do Rolo e este, em dias de saída de sargaço, era procurado por quase todos os habitantes da freguesia. Assim, o epíteto Tronqueira atribuído à rua que liga o centro da freguesia ao Calhau Miúdo pode advir-lhe, simplesmente, desta sua funcionalidade e até ter sido a rua a dar nome ao local e não ao contrário.

A Rua da Tronqueira iniciava-se no fim da Rua Direita ou na sua parte mais próxima do mar e prolongava-se para nordeste, em forma de um L com o ângulo invertido. Por isso a sua primeira parte e a mais próxima da rua Direita e do centro do povoado, seguia perpendicular à rua Direita e quase paralela à Fontinha, sendo, nessa parte, quase roda ladeada de casas, com exceção da entrada, do lado sul, onde era ladeada pelas altíssimas paredes de uma terra que pertencia ao Francisco Tomé. Do outro lado e após estas paredes eram casas e casas, muito aconchegadas umas às outras, seguindo quase em linha reta até ao palheiro do Lucindo Cardoso, antes do qual, no entanto, havia um outro espaço, neste caso de ambos os lados, sem casas. Aí, junto ao palheiro do Lucindo Cardoso, a rua que até então segui na direção nordeste, muda o seu rumo e seguia na direção do norte, com algumas pequenas curvas e contra curvas. A meio desta reta, junto à casa do Senhor Rodrigues, havia um bebedouro ou poço do gado beber e, logo adiante, uma fonte, a única existente nesta rua. Aqui as casas também ladeavam a rua quase por completo, sendo que nalguns sítios existiam pequenas veredas ou canadas dando acesso a habitações construídas for da berma da estrada, por nesta não caberem todas. A rua, com as casas mais espaçadas lá para o norte, terminava no Alto do Calhau Miúdo, junto à casa do Manuel Branco, onde havia um emblemático descansadouro.

A Tronqueira pode orgulhar-se de nela ter nascido um dos mais ilustres filhos da Fajã Grande, o padre José Luís de Fraga que, para além de sacerdote, distinguiu-se como músico e poeta, neste caso utilizando o pseudónimo de Valério Florense.

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publicado por picodavigia2 às 14:27





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