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O FAROL

Quarta-feira, 14.01.15

Na ilha das Flores, assim como nas restantes ilhas açorianas, existem muitos faróis, marcos orientadores na frequente navegação que ao redor daquelas ilhas tinham e têm lugar, que hoje como que já fazem parte da história do arquipélago. No entanto e para além de serem testemunhos históricos e marcos necessários e indispensáveis a quem anda no mar, os faróis dos Açores contribuem, indiscutivelmente, para a caracterização paisagística de que as ilhas disfrutam, tornando-se, muitos deles, verdadeiros ex-libris das localidades onde se situam.

No entanto, estes faróis, uns muito grandes e potentes, outros pequenos e titubeantes, são, na generalidade, relativamente recentes, sendo o da Ponta do Arnel, em São Miguel, cuja construção teve lugar no ano de 1876, o mais antigo dos existentes nas nove ilhas. Por sua vez, na ilha das Flores dos dois grandes faróis existentes, um a norte e outro a sul da ilha, o da Ponta das Lajes, na parte sul da ilha, é o mais antigo, tendo sido construído 1910, enquanto o da Ponta do Albarnaz, no extremo norte, é um pouco mais recente, tendo sido construído em 1925. Na Fajã Grande existia, apenas, um pequeno farolim, situado no antigo Caminho do Porto, entre o Cais e o Porto Velho.

O farol da Fajã Grande era uma pequena construção, caiada de branco e debruada a vermelho, em forma de torre, com a parte inferior da mesma formando uma pequena cabine. Nesta cabine, para além de outros objetos, guardava-se durante o dia uma enorme lanterna que, depois de acesa, à noitinha, subia através de uma espécie de elevador manual, até ao alto da torre, onde havia uma espécie de pequeno varandim circular, descoberto e com um gradeamento de ferro ao redor. Era aí que encaixava a lanterna e era aí, também, que a mesma permanecia acesa até de manhã. Nessa altura, voltava a descer, sendo então apagada e guardada na cabine inferior, até à noite. A lanterna ficava voltada a oeste e, desse lado da torre, havia umas pequenas escadas em ferro que, em caso de necessidade, permitiam a subida à parte mais alta do farol. A torre e a cabine ficavam dentro de um pequeno quadrado, construído em cimento sobre o baixio, com um muro ao redor e com um portão de acesso. De resto mais nada. Uma simplicidade pura, genuína mas prática.

A luz do farol era pouco potente e destinava-se apenas às embarcações costeiras. A navegação no mar alto guiava-se pelo farol do Albarnaz, cujos raios eram bem visíveis na Fajã Grande, por de trás da Rocha da Ponta. O farol da Fajã teve sempre um faroleiro a quem competia a tarefa diária de o acender à noite apagar de manhã. No entanto e para além destas atividades diárias, o faroleiro era também o responsável pela manutenção do mesmo, nomeadamente, pelo olear de roldanas, cabos e manivelas, limpeza e asseio do interior da cabine, abastecimento do combustível para a lanterna, pintura de gradeamentos e escadas, etc..

Na Fajã, na década de 50 o faroleiro era o senhor Arnaldo, viúvo de um primeiro casamento e casado em segundas núpcias com a senhora Luciana Gonçalves. Curiosamente, o pároco, o professor e o faroleiro eram consideradas as pessoas mais ricas da freguesia, com melhores casas e com estatuto social superior,

O farol da Fajã deu nome ao lugar onde se situava, sobretudo na zona do baixio, onde havia uma poça, chamada Poça do Farol e que servia de piscina natural e de aprendizagem de natação aos mais pequeninos. Além disso era um local acolhedor e fascinante sobretudo aos domingos e nas tardes de verão, durante as quais muitas senhoras da freguesia davam passeios até ao farol, sentando-se no murete, observando o mar, a baía, o rolo e a maravilhosa paisagem que dali se disfruta De facto, o farol da Fajã Grande, tendo com cenário oposto a Rocha das Águas e a cascata da Ribeira das Casas, enquadrava-se numa espécie de aguarela viva em que a natureza estava mais viva e mais próxima, dando-nos a sensação de estarmos a ser “embalados” na presença do infinito.

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publicado por picodavigia2 às 00:19





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