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SALMO DORIDO

Sexta-feira, 16.01.15

Rasgavas, com a enxada, o escuro das madrugadas

E adormecias com a foice ao lado do travesseiro.

 

Fazias do machado a tua bandeira de vitória

E gravavas no teu brasão os sulcos do arado em terra ressequida.

 

Lutavas, destemido, contra os rugidos do vento norte

E caminhavas, seguro, por entre nevoeiros e tempestades.

 

Levantavas-te, sonolento e destroçado, a meio da noite

E à tardinha, aguardavas, com um sorriso, o pôr-do-sol.

 

As tuas mãos, calejadas, encerravam uma sabedoria infinita

E as tuas pegadas eram marcos de honestidade e de justiça.

 

Trazias estampado no rosto o travo amargo da angústia

E carregavas sobre os ombros doridos as vicissitudes da penúria.

 

Transformavas a pobreza em dignidade e virtude

E os esteios da verdade atraiam-te, numa procura permanente.

 

Foste pai e companheiro, retalhado de dor e de amargura

Mas ocultavas os lamentos sob o manto áureo da resignação.

 

Partiste, no silêncio escuro, depois de um longo sofrimento

Mas a tua memória brilha como estrela que nunca se apagará.

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publicado por picodavigia2 às 17:18





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