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A GALINHA ESTOUVADA

Terça-feira, 20.01.15

Era ma vez uma galinha que, apesar de parva como são todas as galinhas, diferenciava-se de todas as outras por ser muito estouvada. Saltava da cerca com facilidade, pulava para os currais dos vizinhos, depenicava as sementeiras e punha os ovos onde bem queria e entendia. Numa palavra, nunca parava em ramo verde. Pior do que isso, para além de comer os seus ovos ainda depenicava e dava cabo dos das companheiras.

Certo dia, a dona farta de tanta leviandade e tanta estroinice que punha, permanentemente, o galinheiro em alvoroço que até parecia contagiar as outras galinhas, até então sempre mansas e submissas, resolveu enterrar, no meio do curral, uma estaca a que prendeu uma corrente com um suevo a meio, à qual amarrou a galinha por um dos pés. Assim o mundo da galinha, outrora tão grande e amplo ficou reduzido a um pequeno círculo onde ela, mesmo esticando o pé, podia chegar Ali, permaneceu dia e noite, meses a fio, cacarejando, ciscando, comendo, dormindo e pondo os ovos. De tanto andar, de tanto ciscar, de tanto depenicar formou-se, ao redor da estaca um círculo perfeito e muito bem delineado.

Passado algum tempo, a dona, cuidando que a galinha já se tinha emendado das suas estroinices e estravagâncias resolveu soltá-la, deixando-a livre. Reparou, então, que ela, apesar de solta, não saía do círculo que ela própria havia desenhado durante o seu cativeiro. Só circulava dentro do seu limite imaginário. Olhava para o lado de fora mas não tinha coragem suficiente para se aventurar a ir até lá. E assim foi até ao fim dos seus dias.

 

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publicado por picodavigia2 às 14:37

FRANCISCO VIEIRA GOULART

Terça-feira, 20.01.15

Francisco Vieira Goulart nasceu na Horta, a 8 de Março de.1758 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1830. Estudou na então vila da Horta e foi destinado pelo pai à vida eclesiástica. Partiu para Coimbra onde se doutorou em Filosofia viajando de seguida pelas cidades da Europa. Regressou ao Faial em 1807, a convite do juiz de fora Joaquim Gaspar de Almeida Cândido. Elaborou com ele uma memória sobre o Faial com especial destaque para a agricultura.

Aberto concurso para a vigararia da matriz hortense apresentou-se a concurso, mas o bispo opôs-se a que fosse provido, alegando incompetência para o cargo por ser surdo. Contudo, sempre se suspeitou que a verdadeira causa eram os ideais liberais do concorrente. Desgostoso, emigrou para o Rio de Janeiro onde foi bem recebido por D. João VI que o nomeou chantre da Sé de Angra, o encarregou da direcção do Jardim Botânico e do Laboratório Químico da Corte e o fez fidalgo capelão. Foi ainda sócio correspondente da Real Academia das Ciências de Lisboa.

Poeta neoclássico, da sua poesia só se salvaram poucas composições por terem sido publicadas postumamente no jornal O Grémio Literário, da Horta. Foi também tradutor.

Obras poéticas: Poesia Completa «Antigualhas» In Boletim do Núcleo Cultural da Horta, e «Memória sobre a construção de nitreiras».

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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publicado por picodavigia2 às 10:14





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