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A RIBEIRA GRANDE II

Quinta-feira, 12.02.15

Paredes meias com a Fajã Grande ficava a freguesia da Fajãzinha. A separá-las o imenso e por vezes intransponível caudal que era Ribeira Grande. Apesar de vizinhas, na década de 50, as duas freguesias ainda ficavam, muitas vezes, sobretudo o inverno, separadas, sendo impossível deslocar-se de uma para a outra. As crianças e os mais idosos que se aventuravam sair de casa e percorrer o Caminho da Missa, a fim de irem esperar os americanos e outros passageiros vindos no Carvalho, ficavam pela Eira da Cuada, junto ao Calhau de Nossa, lá no alto, no início da descida da ladeira do Biscoito.

Na verdade, a Ribeira Grande, com o seu imenso caudal sólido, embora constituísse uma benesse para as duas freguesias, era uma ameaça e um estorvo, sobretudo para a Fajã Grande. Por vezes, a força do seu caudal era tão grande e tão forte que era sempre muito difícil construir pontes capazes de resistir às enxurradas em que era fértil. Uma das muitas tentativas ocorreu em 1789, sob a orientação do juiz de fora José Gonçalves da Silva, sendo então construída uma ponte de pedra sobre a Ribeira Grande, construção formidável para a época, mas que ficou como a ponte da má memória, pois nas palavras do padre Camões.

Reza a história que em 1794, quando a Fajã Grande ainda era um simples lugar, pertencente à freguesia das Fajãs, houve uma grande inundação e uma enchente que derrubou a velha e frágil ponte ali existente de modo que nem sequer ao menos della ficou o menor vestigio, sem rasto, saindo de seo leito natural a dicta ribeira que no desembocar no mar deixou um areal largo em maior distancia de 300 braças com uma perda inextimavel dos pobres lavradores que possuião terras a ella contiguas, que todas ao mar foram derregadas.

Igual destino tiveram várias tentativas de outras pontes para atravessamento, todas elas destruídas por caudalosas torrentes. A penúltima derrocada aconteceu em 1964, com a destruição da ponte de madeira ali colocada alguns anos antes. Finalmente, mm Novembro de 1996, o forte caudal da Ribeira Grande destruiu a ponte da estrada que liga a Fajãzinha à Fajã Grande, junto à Ladeira do Pessegueiro. Pouco depois foi construída, a jusante da antiga, uma grande e moderna ponte em betão, com um vão dezenas de vezes superior ao anterior.

A Ribeira Grande é, na realidade, a maior torrente da ilha das Flores, que, apesar de bela e majestosa com as suas gigantescas cascatas, das quais a maior tem cerca de 300 m de altura, provocou, através dos tempos, através das suas monumentais enxurradas, inúmeras inundações que muitas vezes prejudicaram a própria freguesia da Fajãzinha e impedindo os habitantes da Fajã de a atravessarem, numa altura em que grande parte da sua vida, sobretudo religiosa, como batizados, casamentos e funerais eram celebrados na Fajãzinha. Conta-se que nessas ocasiões, os habitantes da Fajã Grande, impossibilitados de atravessar a Ribeira para assistir, ficavam no alto da Eira da Cuada, de um lugar de onde viam a igreja da Fajãzinha. Essa a razão por que existia lá um calhau chamado Pedra da Missa.

O Padre Camões descreve a Ribeira Grande nestes termos: Passado aquela povoação encontra-se logo a Ribeira Grande, que divide a freguesia, (…) e se encareceo a sua força e impetuosidade que certamente é grande. Cai a dicta ribeira de uma formidavel cachola, eminente à freguesia da Fajanzinha, a que dão de altura 200 braças: e caida; vem successivamente encorporar-se e ajuntar-se a ella todas as agoas da rocha, que serve de demarcação à freguesia, desde leste a sueste, e vem a ser a Ribeira dos Ferreiros, 4 grotas, sem nome na rocha chamada – a Rocha do Velho, a grota do Enchente, cujas águas engrossão e infurecem tanto que de inverno, e ainda mesmo havendo chuvas, de verão a fazem invadeavel.

O local por onde corre a Ribeira Grande é uma zona de relevo marcado pela presença de grandes falésias e enormes rochedos expostos, formando, no entanto, uma paisagem de grande beleza e, além disso, por mais de quatro séculos abasteceu de aguadas a navegação que sulcou os mares entre o Velho e Novo Mundo.

Acredita-se que a zona das Fajãs, embora a última parte da ilha das Flores a ser povoada, terá começado a ser desbravada em meados do século XVI, com os primeiros núcleos populacionais estáveis a surgirem nas primeiras décadas do século seguinte. Assim cuida-se que o lugar das Fajãs já estaria estruturado como povoado no início do seculo XVII, uma vez que o lugar da Fajãzinha foi em Julho de 1676, por provisão do bispo de Angra D. frei Lourenço de Castro, desanexado da vila das Lajes das Flores, à qual pertencia apesar da grande distância e maus caminhos, e erecto na paróquia de Nossa Senhora dos Remédios das Fajãs, então com sede na igreja de Nossa Senhora dos Remédios, com jurisdição que abrangia toda a costa oeste da ilha, desde a Ponta da Fajã até ao Mosteiro, englobando assim os lugares de Ponta, Fajã Grande, Caldeira e Mosteiro e outros, na década de 50 já despovoados, como a Fajã dos Valadões. a Ribeira da Lapa, o Pico Redondo e os Pentes.

 

NB – Alguns destes dados foram retirados da net.

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publicado por picodavigia2 às 10:31





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