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OS BAILHOS

Domingo, 08.03.15

De acordo com pesquisas efetuadas, sobretudo junto de pessoas mais idosas, pelo grupo folclórico da Casa do Povo de São Caetano do Pico, muitos e variados eram os bailhos de outrora e que tinham lugar não só naquela freguesia, mas em toda a ilha do Pico, sobretudo, nas célebres folgas ou serões onde se dançava. O grupo, atualmente, inclui no seu repertório muitos destes bailhos, considerando-os como o reflexo de todo o viver das gentes de uma freguesia simples e modesta como são quase todas as da ilha montanha. No entanto, os seus bailhos e melodias têm um ritmo próprio, vivo e contagiante, que se coaduna com a agitação espontânea das suas gentes, conforme se pode ler no site daquele grupo.

Entre esses bailhos destacam-se o pezinho, que é um dos mais característicos e representativo do folclore da freguesia e espelho da sua autenticidade. É um bailho completamente distinto dentro das diversas variantes de “Pezinhos” conhecidos em outras ilhas açorianas. A Joanita é uma moda que não sendo considerada um bailo de roda, tem uma coreografia muito viva e interessante. A letra, feita ao jeito do povo, sãocaetanense e conta uma história de amor vivida entre dois primos: Joanita e António.

O baile Cá-sei, também é conhecido noutras localidades da ilha por Abana, Bailho da Casaca ou simplesmente Casaca, não é, por conseguinte, um exclusivo da Ilha do Pico, nem muito menos de São Caetano estando também presente no folclore de outras Ilhas. Consoante o local, diverge ainda, ao nível do ritmo e da letra. Maria Tomásia ou Volta no Meio é um exclusivo da Ilha do Pico. Maria Tomásia é a típica mulher do Pico que trabalhava em casa e na terra. Uma mulher que, para além de cuidar da casa e dos filhos, era capaz de acompanhar o homem nas lides árduas do campo, mas que não se deixava vencer pelo cansaço nem pelo sofrimento. Segue-se a Tirana é um dos bailhos mais harmoniosos do folclore da Ilha do Pico. Tem uma letra bonita que evoca a figura feminina e a sua imagem, pois sempre foi uma constante do homem do Pico, um homem que para além dos seus ofícios tinha sempre um espaço dedicado ao amor e à família. O Chiu-Chiu é uma moda já pouco conhecida na Ilha do Pico, pois trata-se de  um bailho muito antigo e localizado em comunidades mais isoladas. A sua coreografia e bsolidão. Justifica-se assim a expressão chiu chiu. A Praia também é um bailho muito antigo, pois remonta ao Século XVIII, sendo comum às ilhas do Pico e do Faial. Crê-se ser originário destas ilhas e criado por influência dos antigos marinheiros e corsários que demandavam estas paragens. A Praia reflecte nitidamente a envolvência do homem das ilhas com o mar. A Sapateia, também conhecida por Sapateia de Cadeia, é considerada como a fina-flor dos bailhos de roda do folclore de São Caetano e da ilha do Pico. É um bailho típico das casas de folga e disputado pelos melhores e mais esmerados bailadores pelo seu grau de dificuldade. É o mais vivo, o mais variado e o mais ritmado de todos os bailhos do folclore de São Caetano Tem a particularidade de ser a letra a mandar o bailho nas suas mudanças coreográficas. O Mané Chiné é, certamente, o bailho mais alegre e ritmado do repertório do grupo. Apesar de todas as dificuldades que os nossos homens e mulheres passavam, o Mané Chiné é o reflexo da boa disposição, vontade de viver que nutriam. À semelhança do Pezinho e da Chamarrita, o Rola era um dos bailhos característicos das folgas. As folgas eram os momentos em que o nosso povo se reunia numa casa, pelo serão e bailava algumas modas, esquecendo as dificuldades das vidas de então. O ladrão é um bailho que demonstra evocar os amores proibidos de então. É vivo, cadenciado e é o reflexo de grande diversidade de ocasiões para os encontros fortuitos. Por fim, mas não o menos importante, a chamarrita o bailho dos bailhos e o mais emblemático do folclore picoense. Era bailado tanto nas casas de folgas, como num terreiro, eira ou em qualquer outro espaço destinado a ajuntamento popular, como sejam, vindimas, desfolhadas, matanças de porco ou romarias.É um bailho mandado que requer ao mandador experiencia e animação e aos executantes, arte e sabedoria. Ainda hoje, e à semelhança dos nossos antepassados, é interpretada espontaneamente e já com variantes em todas as Ilhas dos Açores.

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publicado por picodavigia2 às 17:20

NASCIMENTO DO DESPREZO

Domingo, 08.03.15

Vagueava o amor. Ogivas de ternura.

Enlevos arrogantes de amizade.

E eu… preso, acorrentado à soledade.

Só! Navegando em barcos d’amargura.

 

É ódio a pedra que vão se procura.

Escravo d’ousadia, d’ansiedade,

E d’ilusão. Tremenda a crueldade

Que me prende. Arrogante desventura!

 

Se eu esqueço o sofrer que se evapora,

Há um mar de ilusão acrisolada,

Um gemido de arrogância magoada.

 

E o desprezo, na alvura da aurora,

Renasce, lança amor e rodopia.

E adormece em dolente nostalgia.

 

Angra, 1966

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publicado por picodavigia2 às 17:17





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