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PIRATARIA NA ILHA DAS FLORES (DIÁRIO DE TI’ANTONHO)

Segunda-feira, 30.03.15

“Meu avô contava que quando ele era rapaz os habitantes desta freguesia e de toda a ilha das Flores viviam constantemente atormentados com medo que fossem atacados por piratas que os roubassem, violassem as mulheres e as filhas e, por fim, os matassem. Ele contava muitas aventuras, entre elas a de um tal capitão Rafael Semes que comandava um navio de piratas chamado Alabama que caçou dezenas de navios da marinha mercante americana, assaltando-os, roubando-os, matando os seus tripulantes e, por fim, afundando-os. Só num mês aquele maldito capturou e incendiou, ao largo das Flores, a escuna Starlaitt, que viajava da Horta para Boston, e ainda várias baleeiras algumas delas que já haviam ancorado na ilha para aguadas e embarcar muitos emigrantes clandestinos, que tentavam a sua sorte na América. Também contava estórias de uma grande batalha que tinha acontecido quase cem anos antes de ele nascer. Nesses recuados tempos, certo dia, a esquadra de um tal lord Tomas, que se encontrava ancorada e escondida na baía da Ribeira da Cruz, ao avistar uns barcos que vinham de oeste lançou-se, precipitadamente, contra eles julgando que eram espanhóis. Nesse tempo Portugal era governado pelos Filipes, reis de Espanha e quem odiava a Espanha odiava Portugal. Porém, em vez de encontrarem navios mercantes, mal armados, os ingleses depararam-se com a frota de defesa das ilhas, constituída por 40 navios de guerra, comandados por D. Alonso de Bázan, que lhes vinham dar caça. A armada inglesa era bem mais pequena, pelo que foi duramente atacada e destruída pelo fogo inimigo, sendo obrigada a fugir como pôde. Mas houve um navio que não conseguiu fugir juntamente com os outros tendo-se demorado em zarpar de Santa Cruz, e acabou por ser capturado pelos espanhóis. Esse combate foi terrível. Foi uma dura batalha que ficou conhecida pela Batalha das Flores Mas meu avô também contava que, por vezes, os piratas até eram amigos e ajudavam a população. Ocasiões houve em que, tanto os piratas como as pessoas da ilha souberam, por interesse comum, cultivar uma convivência amiga e boa camaradagem. O melhor exemplo disso foi o de um tal pirata chamado Pedro Eston, talvez o mais bem sucedido pirata do seu tempo, que chegou a comandar 40 navios com alguns milhares de homens ao seu serviço, o que fazia dele o corsário mais temido no Atlântico Norte, e que angariou uma fortuna pessoal avaliada em dois milhões de libras. Este pirata visitava com muita frequência a ilha das Flores na procura de carne, água e lenha. Pelos vistos chegou a estar de casamento marcado com uma filha do capitão-mor das Flores. Duplamente incomodado com os prejuízos causados pelos navios deste pirata e ainda com a cumplicidade entre florentinos e corsários, Filipe III de Espanha e II de Portugal mandou-o prender. Mas ele era esperto e poderoso e o rei nunca lhe pôs as mãos em cima. Quem foi preso nas Flores, acusado de compactuar por interesses pessoais com os piratas foi o ouvidor e também capitão-mor da ilha, Tomé de Fraga. “

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publicado por picodavigia2 às 08:55





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