Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



FESTA DO ESPÍRITO SANTO EM SÃO CAETANO

Terça-feira, 26.05.15

É por demais sabido que as festas de Espírito Santo, nos Açores, tomam matizes muito diversificadas e expressam tonalidades bem diferentes de ilha para ilha e até, dentro da mesma ilha, de freguesia para freguesia.

São Caetano do Pico é um bom exemplo das diferenças e dissimetrias existentes entre estas celebrações e as que referi, neste blogue, relativamente à Fajã Grande das Flores.

Em São Caetano “atestam-se” ou “arrolam-se” os irmãos, não para receber mas sim para dar, no caso, a tradicional rosquilha, feita de saborosa massa sovada. Cada irmão pode contribuir com um ou com meio açafate, sendo o primeiro de trinta rosquilhas e o segundo de quinze. Quem o entender, normalmente por não ter possibilidade de cozer a massa, pode substituir o açafate do pão por equivalente valor em dinheiro, contribuindo assim para as várias despesas da festa, nomeadamente para a compra das rezes e de outras iguarias destinadas a confeccionar a refeição comunitária que se realiza no dia da festa. É que o almoço conjunto de toda ou quase toda a população da freguesia constitui um dos momentos altos da festa.

Durante a semana que antecede a terça-feira de Pentecostes, dia em que se realiza a festa, canta-se o terço junto das insígnias. Trata-se de um conjunto de invocações ao Espírito Santo, cantadas de forma repetitiva e com uma estrutura semelhante à do terço habitual.

No dia da festa, alta madrugada ouve-se o foguete anunciador do início do cozer da carne. Esta é colocada em mais de uma dúzia de gigantescos tachos e é devidamente temperada. Assim vai cozendo lentamente e formando um saboroso caldo com o qual se irá regar o pão partido a meio, acamado em terrinas e coberto com folhas de hortelã. Antes da missa forma-se o cortejo, com destino à igreja, sendo as coroas transportadas por meninas familiares ou convidadas do mordomo, ricamente vestidas e pelo próprio mordomo, enquanto a bandeira é levada conjuntamente por um casal, umas e outras dentro de quadrados formados por varas, seguradas por crianças. Seguem-se conjuntamente os foliões com tambor, pandeiro e insígnias e o povo. Terminada a missa procede-se à “coroação do mordomo”, rito que consiste na imposição da coroa na sua cabeça, pelo celebrante, ao som do “Veni Creator”, agora numa adaptação vernácula “Vinde Espírito Paráclito”. O cortejo regressa ao local onde é servido, na presença da coroa e da bandeira, a refeição, sendo esta constituída pelas tradicionais sopas, carne assada e arroz doce, tudo regado com vinho de cheiro. Durante o almoço é revelado o nome do futuro mordomo, através de voto de cada irmão.

A festa e o convívio continuam durante a tarde e termina com o seu ponto alto ou seja, com a distribuição das rosquilhas, uma por cada habitante ou forasteiro que participe na festa ou simplesmente passe, por mero acaso, pela freguesia.

Actualmente a festa do Espírito Santo em São Caetano duplica-se, uma vez que, para além de ser efectuada na Prainha, na terça-feira seguinte ao domingo de Pentecostes, também é realizada, na Terra do Pão, no mês de Julho.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 00:05





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Maio 2015

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31