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OS ARROCHOS

Quarta-feira, 03.06.15

Na Fajã Grande, onde abundavam canadas, veredas e caminhos toscos e sinuosos, a maioria dos produtos agrícolas, assim como a comida para os animais, a cama para os mesmos e a lenha para o lume eram acarretados às costas dos homens ou à cabeça das mulheres, em pesados molhos ou em carregadíssimos cestos ou sacos. No entanto e por alturas em que uma ou outra colheita abundava, ou em que era necessário transportar maiores quantidades de um determinado produto, recorria-se ao transporte em corsões ou aos carros de bois, uns e outros puxados por uma ou duas rezes, consoante fossem de canguinha ou de junta. Era o caso da apanha do milho, da lenha para a matança, da rama seca para o inverno, da cana roca para a cerca do porco ou dos fetos para a cama do gado e de alguns outros produtos. Nestas circunstâncias recorria-se a enormes carregamentos em que os produtos eram colocados em grande quantidade e, nalguns casos, com gigantesco volume, sobre o carro ou corsão. Para que os produtos se segurassem e não caíssem durante o transporte, com os solavancos do veículos, por vezes a empeçar em grossos pedregulhos quer os corsões quer os carros eram ladeados pelos fueiros, apertados, ao meio por uma atiradeira. Para o transporte do milho ou do estrume eram usadas as ceiras de vimes. Mas na maioria dos casos os produtos amontoavam-se soltos em cima do veículo. Mas como a carga, geralmente, excedia em muito a altura dos fueiros, tinha que ser amarrada e apertada com um grosso cabo, preso num e no outro lado do veículo abraçando todo o carregamento. Mas apertá-lo com a força dos braços era impossível, devido ao grande tamanho da carrada e à grossíssima espessura do cabo. Para apertar os cabos recorria-se aos arrochos.

Os arrochos eram dois pedaços de pau devidamente preparados e adequados para apertar o cabo que segurava uma carrada de lenha, fetos, incensos, melheirós, rama, erva, etc. Um deles era direito e pontiagudo numa das extremidades, a fim de ser espetado na carga, junto ao cabo. O outo, por sua vez, era um pouco mais curto e torto ou arqueado. Enrolado no cabo, ia girando à volta do primeiro, de maneira que o cabo se fosse enrolando e, consequentemente diminuindo de tamanho e apertando a carga. Ambos os arrochos eram furados numa das extremidades, no caso do direito na extremidade que não era pontiaguda, sendo presos uma ao outro com uma corda. Assim, por um lado, quando não utilizados, o facto de estarem amarrados permitia que não se perdessem e fossem presos a um fueiro e, por outro, quando utilizados, a corda servia para os prender ou amarrar ao cabo, impedindo-os de se soltarem, deixando que o produto transportado se soltasse e caísse.

Eram pois muito úteis estes arrochos e todos os lavradores os tinham. Alguns eram muito bem trabalhados, pois quanto mais limpos fossem os paus de nós e cascas, mais lisos ficavam e melhor apertavam. Os lavradores mais cuidadosos com os seus apetrechos agrícolas, por vezes, até os untavam com o sebo com que que eram untados os eixos dos carros, no sítio onde rolavam entre os queicões ou nos tamoeiros que prendiam os cabeçalhos às cangas

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publicado por picodavigia2 às 09:03





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