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A ORAÇÃO AO ANJO DA GUARDA (DIÁRIO DE TI’ANTONHO)

Quarta-feira, 17.06.15

Quando eu era criança, meu avô contava dezenas e dezenas de estórias. Muitas delas eram casos verdadeiros que tinham acontecido em tempos muto recuados, outras haviam-se passado quando ele era criança. Algumas dessas estórias narravam casos com acontecimentos assustadores como aquela em que ele numa noite se encontrou com o vulto estranho e que era nada mais, nada menos do que o diabo. Antigamente, as pessoas acreditavam que o diabo costumava andar a tentá-las e que lhes aparecia sobretudo à meia-noite, que era a hora do diabo. Por isso ninguém devia andar longe de casa à meia-noite. Mas antigamente não havia relógios e as pessoas que iam para os campos mais distantes ou que faziam viagens mais longas, muitas vezes, para acabar um ou outro trabalho ou porque se demoravam, ficavam até de noite longe de casa. Como não davam pelo passar do tempo, chegava a meia-noite e nem davam por isso.

Ora num certo dia, meu avô foi a Santa Cruz tratar de uns assuntos e, quando regressava, anoiteceu ainda vinha ele a subir o Rochão do Junco. Continuou a andar, mas como a noite estava muito escura perdeu-se e, passado algum tempo já muito cansado e sem saber onde se encontrava, aproveitou uma furna que por ali existia para dormir o resto da noite. Quando clareasse de manhã havia de reconhecer o lugar onde se encontrava e retomar o caminho para casa. Juntou algumas ervas secas com que fez uma cama e cobriu-se com a froca que trazia ao ombro. Mas não conseguia dormir. Passado algum tempo ouviu um barulho estranho. Levantou-se, pegou no bordão que trazia consigo e saiu da furna a ver o que era aquilo. Foi então que à sua frente viu um vulto negro. Era o diabo em carne e osso. Voltou à gruta, pegou num pedaço de pau e amarrou-o ao bordão formando uma cruz. Saiu de novo e, como o diabo ainda lá estivesse, ergueu a tosca cruz que construíra bem alta e, desenhando com ela uma cruz no ar, gritou bem ato:

- Reda vás, Satanás! Reda vás, Satanás.

Como o diabo não se mexesse, meu avô insistiu, gritando mais alto:

- Reda vás, Satanás! Em nome de Deus Pai, de Deus Filho e de Deus Espírito Santo da Virgem Maria e do meu Santo Anjo da Guarda, eu te arrenego Satanás.

Mal acabara esta oração, o diabo deu um estoiro e desapareceu. Meu avô regressou à furna e pensou que tudo isto lhe tinha acontecido porque, por esquecimento, não tinha rezado, como fazia todos os dias na sua cama, a oração que a mãe lhe ensinara e que devemos rezar todos os dias ao nosso Santo Anjo da Guarda, antes de nos deitarmos. Pôs-se de joelhos e rezou:

 - Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois que a ti me confiou a piedade divina, hoje e sempre me rege, me guarda, me governa e me ilumina. Amem.

De seguida rezou um Pai Nosso por alma dos seus, levantou-se e, já deitado na tosca e provisória enxerga que ali construíra, concluiu a sua oração, implorando a proteção divina:

- Com Deus me deito, com Deus me levanto, com a graça de Deus e do Espírito Santo. Nossa Senhora me cubra, com seu divino manto. Meu Anjo da Guarda, meu bom amiguinho, leva-me sempre para o bom caminho. Amém! – Por fim, benzendo-se, concluiu – Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amem.

Foi assim que adormeceu descansado, sem ouvir mais barulho algum. De manhazinha cedo, levantou-se e logo encontrou o caminho para casa.

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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