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A ÁGUA

Sábado, 04.07.15

A água é um bem natural, um recurso indispensável à vida. Possui um enorme valor económico, ambiental e social, fundamental à sobrevivência do homem e à subsistência dos vários ecossistemas do planeta Terra. A água, pois, é fundamental para o homem porque é um recurso natural único, escasso e essencial não apenas à sua vida mas também à vida de todos os seres vivos. Uma zona do planeta abundante em água é fértil e produtiva. Por sua vez, as zonas onde falta este importante recurso natural são áridas e desertas.

Ora a Fajã Grande era um lugar muito fértil em água. Embora a sua vizinha Fajãzinha fosse considerada a freguesia açoriana com mais água no subsolo, a Fajã não lhe ficaria muito atrás. Primeiro porque debruada a oeste por uma enorme e extensa orla marítima, muito recortada e assimétrica, com imensas enseadas, baías e caneiros a penetrarem por terra dentro e a vazar-lhe salpicos de salmoura e respingos de maresia. Depois a rocha que a protegia dos ventos de leste, por onde desciam várias ribeiras e dezenas e dezenas de grotas e veios de água. Muitas das ribeiras, depois de cair em deslumbrantes cascatas, deslizavam pelo chão, até desaguar no mar, povoadas, por vezes, de belos e frescos lagos e prolongadas por estreitos e úteis regos. Os primeiros destinavam-se a lavadouros de roupa e bebedouros de animais, outros transformavam-se em força motriz que movia os moinhos. Noutros casos as ribeiras, ao atirarem-se, do alto e abrupto rochedo, caíam no chão, formando poços, sendo os mais emblemáticos e míticos o do Bacalhau e o da Alagoinha, hoje transformados em interessantes pontos turísticos. Por vezes a água das ribeiras era desviada através de regos e levada não apenas para os moinhos mas para rega de campos mais distantes. Em diversos lugares, como as Covas, a Ribeira das Casas, a Figueira, as Águas, os Paus Brancos e o Curralinho, a água que brotava do subsolo era tanta que encharcava os terrenos, transformando-os em pântanos. Eram as lagoas, onde a erva, devido à permanência constante da água a jorrar de dentro da Terra, crescia abundantemente, obrigando a que fosse ceifada e trazida para os palheiros para alimento das vacas leiteiras. Nestas lagoas e nas margens das ribeiras, também devido à abundância de água, cresciam inhames e agriões sem que fosse necessário trabalhá-los.

A freguesia possuía água canalizada desde a década de cinquenta, sendo esta captada do subsolo r armazenada num tanque ou depósito que existia no Alagoeiro. Os fontanários, chamados fontes, eram cerca de uma dúzia, espalhados pelas várias ruas e os poços do gado cinco ou seis sendo que nalguns a torneira, reduzida a um simples tubo, estava sempre aberta, como no caso do poço do Alagoeiro, o maior da freguesia. Fora do povoado existiam muitas outras nascentes de água, algumas delas também transformadas em chafarizes, como o de Santo António, no caminho que dava para a Cuada, o do centro da Cuada e o da Rocha, onde existia o mais mítico e emblemático de todos – a Fonte Vermelha.

Com tanta água não admirava pois que esta palava entrasse na Toponímia da freguesia. Eram vários os lugares com o nome “água”. Uma rua chamava-se Via d’Água e outra Fontinha, Havia os lugares de Baía d’Água, Pedra d’Água, Água Branca, Águas e muitos outros com nomes relacionados com a água, como Lagoinha, Alagounha, Fonte Velha, Fonte Nova, Fonte Simão. Lavadouros, Alagoeiro, Fontecinma, Tanque, Grota da Lagoinha, etc.

Além disso a Fajã Grande ainda tinha a água da chuva que, sobretudo no inverno, caía diariamente sobre o povoado, encharcando, alagando, molhando e, muitas vezes, impedindo o trabalho nos campos.

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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