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A IGREJA MATRIZ DE PENAFIEL

Domingo, 05.07.15

A Igreja Matriz de Penafiel situada bem no centro da cidade foi construída no século XVI, no local onde se encontrava uma antiga ermida edificada em honra do Divino Espirito Santo. Trata-se de um edifício renascentista de três naves e quatro tramos, ou seja, quatro unidades rítmicas, formadas por uma abóbada e elementos de descarga de força, definidos transversalmente por dois arcos torais e longitudinalmente, também por dois arcos mas formeiros e que separam a nave principal das laterais, e ainda por arcos cruzeiros, que formam as arestas ou nervuras da abóbada. As naves, por sua vez, estão separadas por duas arcadas de arcos de volta perfeita apoiados em colunas jónicas, e cobertas por abóbada de berço. A igreja foi mandada construir, ao gosto manuelino, por João Correia, rico mercador da cidade de Penafiel, para aí albergar o seu túmulo, constituído por uma lâmina de bronze de tipo flamengo onde aquele mandou gravar sua imagem. O túmulo está na capela do Senhor dos Passos, que corresponde à antiga capela-mor da ermida do Espírito Santo, coberta por abóbada estrelada. A capela-mor, cujo espaço foi ampliado em 1694, alberga um grande retábulo rocaille dourado.

O templo, no exterior, apresenta u modelo de fachada-retábulo de linhas austeras e despojadas e preserva ainda o remate ameado com merlões chanfrados e uma janela decorada com pérolas, abre-se para a nave lateral do lado do Evangelho através de um arco quebrado com três arquivoltas de toro e escócia, sendo rematada por uma abóbada tardo-gótica de nervuras ou arestas. O portal é enquadrado, a cada lado, por pares de colunas jónicas e encimado por entablamento decorado com motivos geométricos. Sobre este, o habitual nicho foi substituído por uma pintura que representa São Martinho repartindo a sua capa, ladeada por duas cartelas inscritas com as datas que possivelmente se reportam ao início das obras do templo e à sua sagração. De cada um dos lados do conjunto retabular do portal foram rasgadas duas janelas. O conjunto da fachada é rematado em empena, e do lado esquerdo, embebida pela estrutura do corpo da igreja, foi edificada a torre sineira. Inserida no cunhal existe uma gárgula, que, possivelmente, formaria um par, sendo que a outra gárgula se encontrava no cunhal oposto. Esta gárgula, de construção muito tosca, apresenta forma de cabeça humana e caracteriza-se por um grande arcaísmo formal e plástico que nos indica que a sua realização e construção terá partido de um artista local, pouco experiente em tais construções. Foi executada em granito, o que faz com que apresente semelhanças com cachorros ou modilhões românicos. As gárgulas, na arquitetura, são desaguadouros, ou seja, são a parte saliente das calhas de telhados que se destinam a escoar águas pluviais a certa distância da parede e que, especialmente na Idade Média, eram ornadas com figuras monstruosas, humanas ou animalescas, comumente presentes na arquitetura gótica. A palavra em origem no francês gargouille que significa gargalo ou garganta. Acredita-se que as gárgulas eram colocadas nas Catedrais Medievais para indicar que o demônio nunca dormia, exigindo a vigilância contínua dos fiéis. No templo penafidelense ainda se destaca a fachada maneirista, de parede lisa rasgada por duas amplas janelas que flanqueiam o pórtico, composto por colunas jónicas e entablamento clássico sobre o qual se desenvolve um nicho retangular, com a representação policromada de S. Martinho e do mendigo, encimado por rosácea.

Recorde-se que Penafiel, na Idade Média, se chamava de S. Martinho de Moazare e, mais tarde, Arrifana do Sousa e era um pequeno povoado que tinha sede na capela de Santa Luzia. Em meados do século XVI, ascendeu a sede da própria freguesia e a nova igreja foi construída. A parir de então passou a chamar-se Penafiel. Cuida-se que este topónimo tem origem de os fiéis de Arrifana, durante as obras de construção da sua igreja se deslocavam a Meinedo para assistir à missa. No regresso a casa vinham carregados de pedras para a construção do templo. Os habitantes de Meinedo, ao vê-los tinham pena deles Pena fidelis, ou Penafiel A pequena freguesia de Arrifana de Sousa ascendeu a vila em 1741.Trinta anos depois no reinado de D. José, dão-se novas alterações. El-Rei solicitou ao Papa Clemente XIV, a criação de uma diocese e um novo bispado em Penafiel, com sede em Arrifana de Sousa, desfazendo a área existente da diocese do Porto. Assim a diocese de Penafiel, hoje uma sé titular, foi criada em 1 de Junho de 1770 por bula do Papa Clemente XIV, desanexada da diocese do Porto. Com a elevação da vila de Arrifana de Sousa a cidade por D. José I, sob o nome de Penafiel; a criação da nova diocese duriense ficou em parte a dever-se ao desejo do Marquês de Pombal e Ministro de D. José, de afrontar o bispo do Porto, com o qual digladiava havia algum tempo, retirando-lhe assim uma fatia muito significativa da sua diocese e, mais importante que isso, os respetivos rendimentos. Foi nomeado para prover o cargo episcopal Dom Frei Inácio de São Caetano, confessor da princesa da Beira D. Maria. Esta, ao subir ao trono em 1777, conseguiu a renúncia de Frei Inácio no ano seguinte, e pedia pouco depois a abolição da diocese ao Papa, sendo esta reincorporada, novamente, no bispado do Porto. A atual igreja matriz foi destinada a catedral e a residência do bispo num edifício da rua do Paço, que assim houve jus a este nome.

Foi neste belo e histórico templo que hoje, 5 de Julho de 2015, se batizou o Gonçalo.

 

NB – Para a construção deste texto foram retirados alguns dados da Wikipédia.

 

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