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PRATOS TÍPICOS

Segunda-feira, 20.07.15

Despertar para os "valores culturais tradicionais" de uma comunidade, por mais humilde, pequena e pobre que ela seja, e fazer o seu registo ad perpetuam rei memoriam, é cada vez mais interessante, necessário, imperativo, frequente e comum. Em toda a parte. Nas Flores e na Fajã Grande, uma minúscula comunidade açoriana encastoada entre o mar e a rocha, isolada por veredas, ribeiras e grotões, também tem, obviamente, os seus valores culturais, os seus costumes, as suas tradições, as suas lendas e até a sua história. O Pico da Vigia, desde sempre tem alertado e até registado, embora de forma simples, os seus valores a diversos níveis, permitindo realizar um conjunto de recolhas que, uma vez armazenadas, explicam, conservam e preservam aquilo que foi o dia-a-dia dos nossos antepassados, os seus hábitos, costumes e tradições. Infelizmente quase tudo é feito, apenas, de memórias. Por vezes, no entanto, tratam-se de recolhas completas e pormenorizadas de valores tradicionais, com destaque especial para os costumes e tradições, onde se inclui a culinária. É verdade que hoje nos podemos confrontar com outras pesquisas mais persistentes, com trabalhos mais interessantes e valiosos. Sem tudo isto, muita coisa se perdia, pois poder-se-ia cuidar que o mundo, sobretudo o do passado, nada mais era para além de nós próprios. É também com intenção de desenvolver o turismo de que a Fajã Grande é uma espécie de ex-libris da ilha das Flores e atrair turistas para esta ilha que estas pesquisas mais presentes se tornam no nosso quotidiano.

A Fajã Grande não era muito rica em culinária, aliás não o era em nenhuma outra coisa. Mas possuía os seus pratos típicos. Os principais tinham a sua origem no porco, cuja matança, em Dezembro era efetuada em quase todas as casas, incluindo as mais pobres. No dia da matança saboreava-se a deliciosa caçoila feita com algumas das vísceras do animal e um pouco de carne da barriga. Nos dias seguintes vinham os torresmos e a linguiça, os ossos salgados e o toucinho, por vezes cozido numa sopa de agrião, de couve ou de funcho as morcelas, o sarapatel e o molho de fígado. Nos dias de festa, se houvesse carne de vaca, ela era guisada. Na sua ausência era substituída por galinha, sobretudo pelo Carnaval e pelo Natal. No domingo subsequente ao dia de fio era o carneiro guisado que imperava. O consumo do porco perdurava por todo o inverno e estendia-se aos meses de verão e outono. Intercalava-se com tortas, com peixe frito, lapas, feijão e o tradicional mangão. Por vezes imperava uma boa sopa de feijão, couve, repolho, agrião e até de funcho. Sopas de pão ou bolo do tijolo e leite constituíam o cardápio da ceia. Raramente se faziam as fatias douradas. Quando mais velho, o pão era estufado. Doces eram raros: as filoses pelo Carnaval, o arroz doce pelo Natal e o pão adubado ou massa sovada pelo Espírito Santo e Santo Amaro. As escaldadas cozidas no formo, em vez do pão, também eram frequentes, assim como o milho cozido e a abóbora. As papas também eram muito frequentes à ceia. As finas e as grossas, as fatias. No dia seguinte eram cortadas à talhada e, por vezes, fritas.

 

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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