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NEM SÓ DE CAVALOS...

Sexta-feira, 04.09.15

O cavalo abarrotava ternura e exalava meiguice. Os olhos encastoados num cinzento amarelado eram pérolas acetinadas, verdadeiros pedaços de cristal, lâminas de safira flavescente, a aspergirem uma afeição exasperada. Ela, feita de lava solta, enlevada no restolho das marés, fixava-o retribuindo quanto emanava do animal, permitindo justificar a afirmação de que o cavalo é o melhor amigo do homem, se bem que nestas circunstâncias fosse o melhor amigo da mulher, isto é, à mais nova das flores arrancadas a um deserto da esperança. Quanto ao fundamento e à razão de ser deste enlevo recíproco, soube-o mais tarde. Num sábado, inesperado, onde só existiam duas identidades. Tudo nasceu recentemente e tudo é ainda pouco claro, nem sequer existindo correntes históricas que possam afirmar já os verem, designados, persignados, entalados entre paredes sinuosas. A doçura e a simplicidade terão sido encontradas mais tarde. Quanto ao cavalo sabe-se que foi acariciado, idolatrado, mimoseado. Tanto pedi e tanto gostava de ter um cavalo! Pois os cavalos e os cães são os animais mais próximos de nós:

- Lembras-te do cão Argus de Ulisses?

- Só me lembro da luta com o gigante e dele tapar os ouvidos para não ouvir i canto das sereias.

- Quando regressou de Troia, o cão foi o único ser vivo que o reconheceu o seu dono, Ulisses, quando ele regressou da guerra de Troia. Nem a esposa Penélope o reconheceu.

Voltaram os cavalos. De facto, segundo alguns cientistas mais rigorosos não se tem um conhecimento exato da psicologia dos cavalos. Cuida-se, no entanto, que o seu comportamento terá a ver com a ternura, a bondade e as boas intenções do ser humano que o procura. Neste caso as intenções não podiam ser melhores, por isso o cavalo se rendeu perante tamanha doçura, no enlevo de tanta beleza. Óh felix equus! É na intimidade com um cavalo que existe a mais persistente docilidade que pode desejar. Sabe-se também que, desde os primeiros tempos, o cavalo se tornou num importante ícone, dada a falta de comunicação mesmo que imaginária com uma senectude inconsciente mas grabosa e com a crescente carência afetiva, nomeadamente, na trânsfuga em cunco dimensões: lenta, normal, rápida, profunda e meiga.

Esta semana vai encher-se de desejos, procuras, frustrações e desencantos. Apenas às oito e meia em ponto de cada manhã se celebrará a festa da passagem. O dia ficará mais seco e deserto. Na verdade, durante muitos anos, o desconhecimento foi um dos maiores dos erros, alguma vez cometidos. Além disso, um cavalo só se pode notabilizar, como ente desejado. Há cavalos que mesmo sem terminar a corrida têm o bafejo da sorte.

O simples desejo de um cavalo apresenta diversos pontos de interesse, começando pela própria ligação afetiva, simples e linear, com os olhos de cristal prateado, que tão bem espelham refletem a ternura desejada.

Morra o cavalo de Troia, renasça a simplicidade das misturas:

- Eu gosto das misturas que ele faz!

Nem só de cavalos se pode viver!...

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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