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A SENHORA DE BRANCO

Terça-feira, 15.09.15

Conta-se que há muitos anos, vivia isolada no lugar do Areal, bem junto do mar, uma mulher pobre e humilde juntamente com a sua filha. A mulher era de avançada idade e, devido à sua simplicidade e ingenuidade, e sobretudo devido à sua pobreza, muitas pessoas do povoado faziam troça dela, sendo constantemente alvo da chacota e de descrédito por toda a população do povoado. Mãe e filha viviam miseravelmente e passavam muita fome.

Certo dia enquanto a velhinha e a filha, como habitualmente, estavam sentadas à mesa, tendo á sua frente apenas uma tijela de caldo de couves e uma côdea de pão velho e rijo que lhe haviam oferecido, bateram-lhe à porta. A noite já ia adiantada e como tivessem medo, cuidando que fosse alguém que lhes quisesse fazer mal, não abriram a porta, mas perguntaram quem estava de foa, a bater. Ninguém respondeu, mas de repente a velha porta de madeira rangeu e rodando sobre as dobradiças de ferro abriu-se e apareceu uma formosa senhora vestida de branco que nem a idosa nem filha conheciam. No entanto, a velha convidou-a a entrar e a sentar-se à sua mesa. Haviam de repartir com ela a parca e pobre ceia que tinham e que por caridade lhes haviam oferecido.

A Senhora de Branco agradeceu tão grande generosidade e entrando, disse:

- Não me posso demorar. Ide, de pressa, avisar a toda a gente da Fajã, Cuada e Ponta que fujam para o mato antes de amanhecer. Um barco de piratas, poderosos e salteadores vai chegar, durante a madrugada, a este areal. Os piratas vão entrar por terra dentro, roubando, destruindo, violando as mulheres, matando os velhos e as crianças.

E dito isto, desapareceu. Apesar de ser noite escura a velha e a filha deixaram a sua ceia e correram na direção do povoado, indo de porta em porta, batendo, chamando e acordando as pessoas, dizendo a todos que fugissem de suas casas, que subissem a rocha e se escondessem no mato porque de madrugada chegaria mais um barco de piratas, salteadores, ladrões e assassínios. A população troçou delas, poucos foram os que acreditaram na profecia e muitas pessoas até as insultaram por lhes baterem à porta àquela hora da noite. Mas a velha, acompanhada da filha, pôs-se, imediatamente, a caminho do mato, subindo a rocha àquela hora da noite. Algumas pessoas, muito assustadas, também as seguiram. Durante toda a longa caminhada a subir pelas estreitas veredas daquele alcantil pétreo e abrupto, a velhinha que acreditara no que a Senhora de Branco lhe dissera pensava que as pessoas, por serem incrédulas, tinham ficado em perigo, lá em baixo, onde muitos dormiam descansadamente. Mas de madrugada o pior aconteceu. Um enorme barco ancorou por fora da Baía d´´Agua. Um numeroso grupo de piratas armados de espadas e lanças saltaram para terra e entraram pelas casas, destruindo, roubando, violando as mulheres e matando muita gente. Algumas pessoas ainda conseguiram fugir mas a maioria foi assaltada, roubada, morrendo às mãos dos malvados assassinos.

Quando à noitinha, o barco zarpou para norte, depois de ter devastado completamente o povoado, a velha e os que tinham seguido os seus rogos e que atrás dela haviam fugido para o mato, desceram a rocha e encontraram no povoado, apenas morte e destruição. Todos os que escaparam á catástrofe, quando a velhinha lhes contou como tinha sido informada do que havia de acontece acreditaram que fora Nossa Senhora que a havia avisado e que devido à Sua bondade os salvara. Mas também não se cansavam de agradecer à velhinha a coragem que tivera e, a partir de então, embora continuando a viver indigente e humilde, no seu pobre casebre, passou a ser respeitada por todos.

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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