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A PRIMA ALICE

Sábado, 12.12.15

Alice Mendonça de Sousa, a “Prima Alice” como era conhecida em minha casa, era uma das mais simpáticas primas da minha mãe. Filha de um irmão da minha avó Joaquina, António Maria de Sousa, conhecido por “Ti Britsa” e de sua esposa Maria da Glória Mendonça, irmã das Senhoras Mendonças, que viviam na Assomada, nasceu a 23 de Novembro de 1923, no cimo da Fontinha.

Bastante mais velha do que eu, não a conheci em jovem, mas diz quem com ela conviveu que era uma das jovens mais bonitas da Fajã Grande. Mas o que mais caracterizava a prima Alice, para além da sua beleza, era a sua bondade, a sua simpatia, a sua simplicidade e, sobretudo o carinho que dispensava a quantos com ela conviviam, nomeadamente com a minha mãe. Essa a razão pela qual na minha casa, todos nos habituamos a trata-la sempre familiarmente pela “Prima Alice”.

Ainda jovem casou com o Teodósio, filho de Ti José Teodósio, que morava também no alto da Fontinha, em casas muito próximas, dando continuidade a uma vida árdua, de muito trabalho, grandes sacrifícios a que já se iniciara em casa de seus pais durante a sua juventude. 

Como a minha mãe, a Prima Alice teve muitos filhos, nove a todo. Como a minha mãe, a Prima Alice tratava das lides da casa, criava os filhos, cozinhava, lavava, arrumava e até rachava lenha. Como a minha mãe, para além das lides domésticas, a “Prima Alice” ainda tinha tempo e força para ajudar o marido nas lides agrárias, nomeadamente, a semear, a plantar, a sachar, a mondar, a acarretar cestos de inhames e batatas. Esta intensa atividade advinha sobretudo de o marido, o Teodósio, ser um dos mais dinâmicos, ativos e esforçados lavradores da freguesia. Herdara os dons do trabalho e da música do velho pai. Cantava no Outeiro, nas noites da Quaresma, era folião do Espírito Santo e fora jogador de futebol do Atlético Clube Fajãgrandense. Para além de trabalhar as terras, criava muito gado, ia ao leite ao mato duas vezes por dia, subindo e descendo a rocha com uma velocidade e uma destreza notáveis e consta que foi o único homem da Fajã Grande que lavrou terras e semeou milho no mato, mais concretamente no lugar do Queiroal. Era a esposa e companheira fiel, trabalhadora, mãe extremosa que o apoiava em toda estas dinâmicas atividades, enquanto ia criando os filhos, dois deles, infelizmente já desaparecidos. Muito feliz ficava quando, nas férias de verão, eu regressava à Fajã, a bordo do velho Carvalho Araújo, trazendo, também de volta, uma das filhas, a Leónia, a estudar em Angra, em casa de uma das suas irmãs, a Maria da Paz.

Permanece e acompanha-me, ainda hoje, a imagem da Prima Alice, dois anos antes da sua morte, ocorrida em 20 de Maio de 1995, quando, após trinta e três anos de ausência, regressei à Fajã Grande. Recebeu-me com um misto de alegria e de felicidade, manifestando um enorme contentamento. Irradiando aquele sorriso simpático e carinhoso de que era seu timbre, deu-me um abraço tão grande e tão terno como se fosse o da minha mãe.

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