PICO DA VIGIA 2
Pessoas, costumes, estórias e tradições da Fajã Grande das Flores e outros temas.
A VOLTA DO PINHEIRO
A construção da estrada entre o Porto da Fajã Grande e a ladeira do Pessegueiro, junto à ponte sobre a Ribeira Grande, trouxe grandes alterações na vida, nos costumes, nas tradições, nos hábitos e até na toponímia da mais ocidental freguesia açoriana.
No caso da toponímia, dado que o traçado da nova estrada, sobretudo a partir do sul da Cabaceira, se afastou sensivelmente dos caminhos antigos, rasgando um novo trajeto por lugares até então pouco conhecidos ou até inexistentes, surgiram novos lugares enquanto outros adquiriram nomes diferentes. N verdade, a nova estrada, aproximando lugares outrora distantes, trouxe a inexaurível vantagem de criar lugares novos. Foi o caso do lugar ainda hoje designado por Volta do Pinheiro, inexistente antes da construção daquela estrada.
Este lugar passou a designar-se assim porque junto à estrada, naquele local, um pouco antes do caminho que dava para Cuada, vindo do sul, existia um grande pinheiro. Além disso o troço da nova via desenhava, ali, no sítio onde vicejava o pinheiro, uma das suas maiores curvas, sendo que estas, nas Flores, popularmente, eram designadas por voltas. Aí paredes meias com a estrada erguia-se altivo e florescente o velho pinheiro que, pela sua altura se destacava no meio dos incensos, das faias, dos sanguinhos e dos loureiros circundantes. Assim, devido a um pinheiro tão imponente e a uma curva tão acentuada da estrada, tornou-se inevitável, na criatividade popular, batizar o novo lugar de Volta do Pinheiro.
O lugar da Volta do Pinheiro, cuja área era totalmente ocupada por terras de mato, tinha como limites, a sul o Vale Fundo e o Tufo da cuada, a oeste o Desarrassado, a norte a Cabaceira e a leste a a Pedra Vermelha.