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A GROTA DOS PAUS BRANCOS

Quinta-feira, 24.11.16

A Grota dos Paus Brancos, como a maioria das grotas e ribeiras da Fajã Grande, situava-se na rocha. Neste caso recebeu o nome não apenas da rocha por onde deslizava e escorria, mas também do lugar onde as suas águas caíam perdendo-se na Ribeira dos Paus Brancos, ainda afluente da Ribeira das Casas e muito distante dela. A grota escoava-se pela rocha dia e noite, com enorme afluência de água, através de inúmeros veios, regatos e grotões, entre o verde dos arvoredos, dos fetos e da cana roca, a serpentear por entre rochedos, caindo, finalmente, em chão raso, onde formava uma espécie de rego que ia alimentando uma ou outra lagoa ali existente, indo finalmente aumentar o curso da ribeira que ladeava a rocha desde os Lavadouros até à rocha das Águas.

A Rocha dos Paus Brancos que dava o nome à grota, situava-se por baixo do alto do Rochão Grande, do Rochão Tamusgo e do Curral das Ovelhas, situados lá bem altos, no Mato. Na década de cinquenta ainda existia uma vereda de acesso ao mato pela Rocha dos Paus Brancos quase paralela à grota, mas muito pouco utilizada como forma de acesso ao Mato. Apenas servia como caminho para quem tinha propriedades naqueles andurriais. Do lado sul, ou seja da banda da Fajãzinha a, Rocha dos Paus Brancos ligava-se a Mateus Pires e à Rocha da Alagoinha. A sul prolongava-se até à Escada-Mar. Como a das suas congéneres, a água da Grota dos Paus Brancos escorria da rocha, era muito abundante e alimentava, exuberantemente, as pastagens e terrenos circundantes, transformando alguns em verdadeiros pântanos, fazendo com que a erva crescesse tanto que as assemelhava às lagoas das Covas, da Ribeira das Casas, da Figueira, das Águas, embora com o senão de ficarem bastante distantes do povoado. Assim como noutras grotas, nomeadamente na do Vime, lá para os lados da Ponta e na da Figueira, a Grota dos Paus Brancos também sulcava a rocha em escarpas por onde descia em pequenos veios de água, uns a enriquecerem o caudal da grota, um ou outro a escorrer, isoladamente, até ao sopé da rocha, perfurando chão, a perdendo-se nas suas entranhas, para mais a baixo, já em terreno plano, reaparecer, engrossando o caudal da grota, esta sim a alagar as pastagens e, sobretudo, a alimentar os inhames que por ali proliferavam, criando ao seu redor uma vegetação exuberante. Para além da quantidade, os inhames de água daquelas paragens, assim como os de outras lagoas da Fajã, nomeadamente os da Ribeira das Casas, eram de excelente qualidade.

A origem do topónimo Paus Brancos parece ser de fácil e simples explicação. Decerto que provinha do facto de naquele lugar e até na Rocha com o mesmo nome existirem inicialmente muitos paus-brancos que aos poucos terão desaparecido devido ao arroteamento e transformação de algumas terras de mato em pastagens e lagoas e, mais tarde, devido à plantação de criptomérias.

O pau-branco é uma árvore endémica açoriana, existente em quase todas as ilhas do arquipélago. Atinge os oito metros de altura, tem folhas lanceoladas a ovaladas, com flores brancas e frutos de tom azulado escuro, semelhantes aos da oliveira, árvore a cuja família pertence, mas curiosamente a oliveira não vegeta nos Açores. A sua madeira é muito apreciada e utilizada sobretudo no fabrico de móveis.

Cuida-se que no início do povoamento das ilhas o pau-branco que se desenvolve juntamento com o incenso e a faia, ambos ainda hoje muito abundantes nas ilhas, existiria em grande quantidade nas Açores. No entanto, com o início da colonização, as zonas mais soalheiras e de melhor terreno foram assoreadas dando origem a terrenos agrícolas para cultivo dos cereais ou a pastagens para a criação de gado, o que provocou um enorme desbaste da mancha florestal primitiva. As espécies menos resistentes, como o pau-branco foram as mais prejudicadas. Atualmente, dado o abandono de muitos campos agrícolas e pastagens, as espécies mais persistentes como a faia e, sobretudo, o incenso são as mais privilegiadas e protegidas pela natureza.

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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