Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



NATAL DE OUTROS TEMPOS

Sexta-feira, 22.12.17

(TEXTO DE MAMUEL AZEVEDO)

 

É bom lembrar para que não esqueça… Preparado por novenas na igreja, o Natal, também, se ia preparando em cada casa. Na minha, lembro-me de minha mãe armar o presépio com as figuras que passavam de ano para ano (ovelhinhas, pastores, casas, reis magos, Jesus, N. Senhora e S. José), com as leivas que íamos buscar bem perto (hoje, é preciso ir para “cascos de rolha”) que o resto era reservado à criatividade da autora. Meu pai já trouxera do mato azevinho com que era enfeitada a casa naquele período. E quão bela ficava!

Mais perto do dia, meu pai trazia um galho de pinheiro, tão grande que dava para fazer a árvore de Natal, que era enfeitada com postais da América e com caixinhas embrulhadas em pratas, que nós íamos alisando, depois de comer os deliciosos chocolates que elas embrulhavam. Com estes e outros enfeites, a árvore ficava bem bonita!

Ao lado da árvore, o “altarinho”. Caixotes e caixotinhos cobertos com uma toalha branca, de renda e, lá em cima, o Menino. Obviamente, o altar era enfeitado com solitários pequeninos com camélias brancas duma árvore do nosso jardim. Laranjas e tangerinas, bem como pratos de trigo postos de molho pela Senhora da Conceição, para que estivesse viçoso naquela época.

Muitas vezes, havia um “de molho”, o que obrigava alguém a não participar nalgumas manifestações. É claro que aparecia sempre um brinquedo, debaixo do travesseiro (alguns nem isso!), mais uns figos passados, comprados na loja do sr. Correia, que os tirava de uma seira. Mas, a festa não estava, totalmente, feita: faltavam os ranchos, que podiam chegar, a qualquer hora, na época natalícia que ia até os reis. Depois de cantarem eram brindados: além dos figos passados, alfarrobas e bolachas feitas lá em casa, tudo acompanhado de uns “calzinhos” de licor, aguardente ou anis.

Refeições melhoradas nos dias festivos. E por aqui nos ficávamos que o outro viria no ano seguinte.

Também, festa na igreja. Precedida de solene novena, tudo convergia para a noite de Natal. Até ao Gloria era Advento. Ainda me lembro do cântico que a capela cantava, no início da celebração: “Sem pátria, sem teto,/ Opressos do mal./ Nós somos qual ave,/ Sem ninho no vale!” Depois, vinha o espetáculo. Na altura do Gloria – quiçá o momento mais importante – fazia-se festa: Tocavam as campainhas e os sinos e só não havia outras manifestações porque não havia eletricidade. Corrida a cortina, os circunstantes deparavam-se com um trono, muito bem enfeitado e iluminado, com “anjinhos” (crianças da catequese) e, lá em cima, o Menino Jesus. No fim da missa, todos se cumprimentavam, desejando as boas festas tradicionais.

No dia, missa cantada e, de tarde, procissão para as crianças que primavam por levar as suas ofertas que, depois eram arrematadas, revertendo o seu produto para a catequese. As ofertas eram constituídas por fruta da época: laranjas e tangerinas mas, também, outras coisas.

E a festa continuava, com os ranchos a passar pelas casas, sobretudo nos dias festivos: primeiro do ano e dia de reis.

 

Manuel Azebedo in FB

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 00:05





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Dezembro 2017

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31