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OS DEZ BENEFÍCIOS DAS CAMINHADAS A PÉ

Terça-feira, 15.05.18

Já dizia Hipócrates, médico na Antiguidade: “Andar é o melhor remédio para um homem.” Na verdade o caminhar, isto é o andar a pé, combinado com um bom sono e uma dieta saudável pode ajudar-nos a evitar completamente vários problemas de saúde. Mesmo que sejam apenas 15-30 minutos de caminhada todos os dias podem melhorar drasticamente não apenas a aparência geral de uma pessoa, mas também a saúde. Se for uma hora é ótimo.

Uma boa caminhada é uma prática única que pode beneficiar significativamente todo o corpo e a própria mente. É grátis, fácil e requer pouco esforço.

Podem considerar-se os seguintes os benefícios de uma boa caminhada pé, usando um bom calçado e roupas leves.

  1. Alterações cerebrais positivas:

Como alguns estudos revelam, exercícios aeróbicos de baixo impacto, como caminhar, previnem a demência precoce, reduzem o risco de doença de Alzheimer e melhoram a saúde mental em geral. Sem mencionar a redução do stresse mental e a manutenção de um nível mais elevado de endorfinas.

  1. Visão melhorada:

Mesmo que os olhos possam parecer a última coisa relacionada com as pernas, caminhar também beneficia realmente a saúde visual. Pode até ajudar a combater o glaucoma, aliviando a pressão ocular.

  1. Prevenção de doenças cardíacas:

De acordo com a American Heart Association, andar não é menos eficaz do que correr quando se trata de prevenir doenças relacionadas com o coração ou derrames. Esta atividade ajuda a evitar problemas cardíacos, baixando os níveis de pressão arterial e o colesterol, bem como a melhorar a circulação sanguínea.

  1. Volume pulmonar superior:

Andar a pé é um exercício aeróbico que aumenta o fluxo de oxigênio na corrente sanguínea e ajuda a treinar os seus pulmões, além de eliminar toxinas e resíduos. Por causa da melhor e mais profunda respiração, alguns sintomas associados à doença pulmonar também podem ser aliviados.

  1. Efeitos benéficos no pâncreas:

Caminhar acaba sendo uma ferramenta muito mais eficaz na prevenção da diabetes do que a corrida. Pesquisas mostram que um grupo de “caminhantes” demonstrou melhoria na tolerância à glicose quase 6 vezes maior (ou seja, quão bem o açúcar no sangue é absorvido pelas células) do que o de um grupo de “corredores”, durante um período experimental de 6 meses.

  1. Melhor digestão

30 minutos de caminhada todos os dias podem não só diminuir o risco de câncer de cólon no futuro, como também ajudar a melhorar a nossa digestão, ajudando a regimentar nossos movimentos intestinais.

  1. Músculos tonificados:

A tonificação muscular e a perda de peso (em casos de pessoas com excesso de peso) também podem ser alcançados através da caminhada. A prática de andar 10.000 passos por dia pode ser considerada como um exercício real numa academia/ginásio, especialmente se fizer alguns intervalos entre a caminhada ou caminhar em subidas. Além disso, é de baixo impacto e não há tempo de recuperação, o que significa que não há músculos doloridos.

  1. Ossos e articulações mais resistentes:

A caminhada pode proporcionar mais mobilidade articular, evitar a perda de massa óssea e até ajuda a reduzir o risco de fraturas. A Arthritis Foundation recomenda caminhar moderadamente pelo menos 30 minutos por dia numa base regular para reduzir a dor nas articulações.

  1. Alívio da dor nas costas:

Caminhar pode ser um verdadeiro salva-vidas para aqueles que experimentam dores nas costas durante exercícios mais desafiadores de alto impacto. Como é uma atividade de baixo impacto, não causará mais dor ou desconforto, como correr, por exemplo. Caminhar contribui para uma melhor circulação sanguínea nas estruturas da coluna vertebral e melhora a postura e a flexibilidade, que é vital para uma coluna saudável.

  1. Uma mente mais calma e sã:

A caminhada ajudaria a sentirmo-nos menos deprimidos ou esgotados e ajuda-nos a sermos pessoas mais felizes e a melhorar o nosso humor!

 

 In Bastante Interessante.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

CORSÕES DE MILHEIROS E BOIS DE SABUGO

Domingo, 13.05.18

Na Fajã, no início dos anos cinquenta, não se compravam brinquedos, por duas razões muito simples: primeiro porque não havia dinheiro e, em segundo lugar, nem sequer havia brinquedos para comprar.

Assim, exceptuando um ou outro automóvel de baquelite ou alguma boneca de loiça que vinham da América muito bem embrulhados nas roupas que traziam as encomendas, éramos nós próprios, crianças de então, que construíamos, por vezes de maneira tosca e rudimentar, todos, mas mesmo todos, os nossos brinquedos, a maioria dos quais se baseava ou imitava objectos e utensílios utilizados pelos adultos na sua principal faina quotidiana – a agricultura.

Ora um dos objectos mais imitado na elaboração dos nossos brinquedos era o corsão com que brincávamos em cada dia, em cada hora e em cada minuto. Fazíamos corções minúsculos com uma rapidez, uma competência e uma agilidade fantásticas. Por vezes fazíamo-los de madeira mas, como esta era rara e mais difícil de trabalhar, utilizávamos habitualmente e como alternativa, as canas do milho. Pegávamos num milheiro ou em dois e cortávamo-los em dois pedacinhos do mesmo tamanho. Depois aguçávamos em forma de proa de navio uma das extremidades de cada um dos pequenos e delgados troncos do milho e arranjávamos cinco ou seis “fochos” a fazer de travessas que cravejávamos nos milheiros, formando assim um verdadeiro corsão em miniatura. Faltavam apenas os fueiros, tarefa também muito fácil de concretizar pois bastava apenas fixar mais uns pauzinhos na parte de cima dos milheiros e lá estava o corsão completo. Depois era só carregá-lo com lenha, incensos, ervas, casca de milho, produtos que eram sempre bem presos e amarrados com cabos de espadana e apertados com arrochos, como se de um corção de verdade se tratasse.

E o cabeçalho? Bem o cabeçalho era feito com um fio de espadana bem grosso que se prendia a uma canga, também de espadana com duas laças nas pontas onde se enfiavam dois sabugos a fazer de bois que assim ficavam verdadeiramente “encangados”. E então se conseguíssemos um sabugo vermelho!...

E assim nos entretínhamos horas e horas a brincar, tão felizes e alegres, com estes brinquedos tão simples, apesar da pouca durabilidade de que eram dotados, pois o corção desfazia por completo assim que os milheiros secavam.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

A MESA POSTA NO LARGO DA CANCELINHA

Quinta-feira, 10.05.18

Antigamente e antes da construção da nova estrada entre o Porto da Fajã à Ribeira Grande, um dos caminhos mais importantes da Fajã Grande era o que ligava o cimo da Assomada aos Lavadouros. Dezenas e dezenas de pessoas, animais, corsões e alguns carros de bois por ali passavam diariamente, de manhã, ao meio dia, à tarde e até à noite, nas suas idas e vindas para as terras de cultivo do Descansadouro, para as hortas do Delgada, da Cabaceira e da Cancelinha, para as casas e festas da Cuada, para as terras de mato do Espigão, Vale Fundo e Desarraçado, para as terras de inhames da Lombega e do Moledo Grosso, para as relvas da Alagoinha e Lavadouros e até para os longínquos e pouco produtivos os currais do Curralinho e Portalinho, lá para os lados do Poço da Alagoinha. Um dos percursos mais curiosos deste longo e importante caminho era o que ficava entre o Largo de Santo António, no cruzamento que dava para a Cuada, e o início da Ladeira do Espigão, onde o caminho também se bifurcava para os lados do Desarraçado e do Vale Fundo. Era precisamente neste troço daquele caminho, logo acima da ladeira da Cabaceira e depois da canada que dava para a Cabaceira de Cima, que ficava o celebérrimo largo da Cancelinha, onde também desembocava uma estreita e sinuosa canada vinda dos lados do Pocestinho e do Pico Agudo.

O largo da Cancelinha impunha-se e destacava-se, por um lado, pelo seu excessivo tamanho e exagerada largura no contexto de um caminho onde pouco mais cabia do que uma junta de bois e, por outro, por uma lenda a que estava ligada à sua existência. Na realidade era um largo enorme, coberto por árvores altíssimas que lhe davam uma sombra austera, esconsa e descomunal. Não ficasse por ali uma terra do Guarda Furtado, ou seja aquelas que tinham incensos graúdos, faias enormes e criptomérias altíssimas dado que a lenha nunca era cortada pois o dono dela não precisava como não necessitava de incensos para o gado e os seus procuradores não o podiam fazer. Esse arvoredo ao redor do largo dava-lhe um aspecto assombroso, taciturno, sinistro, tétrico e nefasto. Talvez daí ter sido criada uma lenda segundo a qual quem por ali passasse ao lusco-fusco via uma mesa posta com toda a espécie de comida em cima. No entanto ninguém tentava aproximar-se dela pois à medida que o fazia a mesa ia-se afastando sem que quem quer que fosse a agarrasse ou dela retirasse qualquer vitualha das muitas existentes sobre a mesma.

Passei lá muitas vezes de madrugada, à noite, acompanhado e por vezes sozinho mas na realidade nunca vi a tal mesa, nem posta nem por pôr. Não porque ela lá não estivesse, ou melhor, lá não aparecesse, mas porque eu ao passar no largo quando sozinho, ao ir levar as vacas aos Lavadouros, ou a ir buscá-las para o palheiro, cheio de medo, fechava os olhos bem fechadas e largava em tão grande carreira como em nenhum outro sítio por onde habitualmente passava. Como conhecia o caminho de cor e salteado safava-me sempre muito bem, não esbarrando nas paredes nem caindo em algum barranco.

Mas confesso que quando se abriu a nova estrada que desviou o trajecto para os Lavadouros do Largo da Cancelinha foi um grande alívio para mim.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

UM SONETO DE ROBERTO DE MESQUITA

Quarta-feira, 09.05.18

 

Desenrola-se a noite aveludada,

O Ocidente cerrou as suas portas.

Eis a hora em que tu, alma excitada,

Ao país das quimeras te transportas.

 

Erro na praia. Paz ilimitada.

As pupilas do céu fitam-me absortas.

A alma do mar na noite constelada

Sente saudades das nereides mortas.

 

Como um eflúvio místico, erra agora

Uma emoção anónima no ar

Da balsâmica noite de veludo.

 

É um vago sentir que se evapora

Das cousas que me cercam a sonhar,

Do espírito incógnito de tudo…

 

in “Nocturno

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publicado por picodavigia2 às 00:05

VIAJANDO COM FERREIRA DE CASTRO

Terça-feira, 08.05.18

O Padre José Soares, por motivos de doença, nos tempos em que o Carvalho Araújo ainda escalava as ilhas dos Açores e da Madeira, deslocava-se com alguma frequência a Lisboa, a bordo daquele paquete.

Numa dessas viagens viajou juntamente com Ferreira de Castro, que se deslocava para a ilha da Madeira, em férias. O escritor foi-lhe apresentado por um amigo comum, o médico de bordo, pessoa extremamente culta, organizador e dinamizador de muitos encontros, reuniões e tertúlias a bordo do velho navio, congregando assim poetas, escritores e homens da cultura que frequentemente viajavam a bordo do Carvalho. A partir daí, a conversa Ferreira de Castro e José Soares terá sido diária, longa e prolongada, sendo o tema principal da mesma não apenas a obra literária do escritor, que o padre conhecia, de fio a pavio, mas também muitas e muitas outras obras e vultos da literatura portuguesa e universal

Ao chegar à Madeira e antes de se despedirem, Ferreira de Castro manifestou o seu espanto e satisfação por encontrar um padre açoriano tão culto e tão profundamente conhecedor da sua obra e da literatura universal, congratulando-se por isso e elogiando o clero açoriano em geral, considerando que, neste campo e a julgar pela amostra que ali tinha, se sobrepunha e superava de longe o clero do continente que, na opinião do escritor, era, culturalmente, muito pobre e ignorante.

Resposta imediata e pronta do Padre José Soares:

- Mas saiba Vossa Excelência que está, tão somente, a falar com um humilde e simples “padre de fazer enterros”, pároco duma das mais pequenas, retirada e longínqua freguesia dos Açores, a Fajã Grande das Flores. Por aqui imagine, então, Vossa Excelência a cultura e sabedoria que terão os padres das grandes vilas e cidades açorianas e, sobretudo, os doutores e professores do Seminário…

E com esta se foi Ferreira de Castro passar as suas férias à Madeira.

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publicado por picodavigia2 às 00:08

BENEFÍCIOS DA ÁGUA PARA O NOSSO ORGANISMO

Segunda-feira, 07.05.18

Entre outros benefícios, a água:

1 – Regula o trânsito intestinal;

2 - Contribui para o bom funcionamento dos rins;

3 - Ajuda no combate à celulite e estrias;

4 - Tem uma ação de prevenção no que diz respeito ao envelhecimento da pele, ajudando a manter a elasticidade e tonicidade;

5 – Ajuda no controlo do apetite e peso.

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publicado por picodavigia2 às 00:05

OS POLÍTICOS

Domingo, 06.05.18

 

"Os políticos devem ganhar mais para não cair em tentações."

 

Ana Gomes, PS  (ao CMTV 5-5-18)

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publicado por picodavigia2 às 00:05

OLHOS D'ÁGUA

Sábado, 05.05.18

Olhos D’Água é uma Praia Fluvial situada junto à nascente do Rio Alviela, na antiga freguesia de Loureiro, concelho de Alcanena, no distrito de Santarém.

O percurso interpretativo desta praia desenvolve-se desde a nascente do Alviela ao sumidouro da ribeira dos Amiais. A ribeira dos Amiais, um dos raros cursos de água superficiais do maciço calcário estremenho, forma estruturas geológicas de rara beleza ao atravessar os calcários do Jurássico Médio. A sua beleza geológica rodeada pela vegetação mediterrânica essencialmente arbustiva torna este percurso um dos mais atrativos da região. Na lapa da Canada, a ribeira dos Amiais encontrou, em profundidade e ao longo de cerca de 200 metros, o seu trajeto preferencial. Mais a jusante, a natureza criou uma importante estrutura cársica natural, a janela cársica, que nos deixa observar a ribeira a circular em profundidade e vários níveis de grutas calcárias formadas ao longo de milhões de anos. Estas grutas são agora um importante abrigo de maternidade de uma colónia de morcegos que traz ao Alviela, todos os anos, mais de 5000 indivíduos. Antes de desaguar no rio Alviela e já a circular novamente à superfície, a ribeira dos Amiais produziu um canhão flúvio-cársico, estreito, encaixado na paisagem, de vertentes íngremes, que não deixa ninguém indiferente. No início deste canhão encontra-se o poço escuro, uma cavidade cársica protegida por um dique de betão que, na época chuvosa, expele água com uma intensidade que deixa antever a importância do maciço como reservatório de água doce subterrânea. E a nascente do Alviela, uma das seis nascentes cársicas permanentes do maciço, é a que tem o maior caudal, já abasteceu a cidade de Lisboa e dá origem ao rio Alviela que, logo nos primeiros metros do seu trajeto, permite-nos ter a bela Praia Fluvial dos Olhos d´Água do Alviela.

Locais a visitar: a nascente do Rio Alviela, o Poço Escuro, o Canhão fluvio-cársico da Ribeira dos Amiais, o Sumidouro da mesma ribeira, a Janela Cársica e a Ressurgência da Ribeira dos Amiais.

A praia possui um restaurante e num raio de sete km existem outros entre os quais - O Peregrino (Louriceira); Tertúlia do Gaivoto (Louriceira); Adega Miceu (Espinheiro); Cantinho do Tóino (Alcanena); Central (Vila Moreira); Cervejaria Calado (Casais da Moreta); Frazão (Malhou); Leamad (Espinheiro); Nutriself (Intermarché - Alcanena); O Atlético (Alcanena); O Caneiros (Alcanena); O Caracol (Covão do Feto); O Facho (Alcanena); O Mal Cozinhado (Monsanto); O Malho (Malhou); O Nosso Cantinho (Alcanena); O Patanisca (Raposeira); Penedas (Malhou); Pizza Buona (Alcanena); Retiro dos Pacatos (Malhou), etc.

No que a alojamento diz respeito, pode dormir-se, no local, no Centro Ciência Viva do Alviela – Alojamento em Camarata ou no Parque de Campismo da Praia Fluvial dos Olhos D’Água – Campismo e Bungalows. Num raio de 15km existem vários hoéis: Hotel Eurosol (Alcanena); Residencial Planeta (Alcanena); A Coelheira (Moitas Venda); Residencial Glória (Moitas Venda); Estaminé (Minde); Parreirais dos Moquinhos (Minde); Alojamento Local – Praça Velha (Minde).

Fonte, Net

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publicado por picodavigia2 às 00:05

MARIA

Quinta-feira, 03.05.18

(POEMA DE ANTERO DE QUENTAL)

 

Nova luz, que me rasga dentro d´alma,

Dum desejo melhor me veste a vida…

Outra fada celeste agora leva

Minha débil ventura adormecida.

 

Não sei que novos horizontes vejo…

Que pura e grande luz inunda a esfera…

Quem, nuvens deste inverno, nesse espaço,

Em flores vos mudou de primavera?!

 

Se as noites nos enviam mais segredos,

Ao sacudir seus vaporosos mantos,

Se desprendem do seio mais suspiros…

É que dizem teu nome nos seus cantos.

 

Nem eu sei se houve amor até este dia…

Nem eu sei se dormi até esta hora…

Mas, quando me roçou o teu vestido,

Abri o meu olhar – acordo agora!

 

Antero de Quental, Maria, (versão adaptada)

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ACORDAR NA RUA DO MUNDO

Quarta-feira, 02.05.18

 

(POEMA DE LUISA NETO JORGE)

 

madrugada, passos soltos de gente que saiu
com destino certo e sem destino aos tombos
no meu quarto cai o som depois
a luz. ninguém sabe o que vai
por esse mundo. que dia é hoje?
soa o sino sólido as horas. os pombos
alisam as penas, no meu quarto cai o pó.

um cano rebentou junto ao passeio.
um pombo morto foi na enxurrada
junto com as folhas dum jornal já lido.
impera o declive
um carro foi-se abaixo
portas duplas fecham
no ovo do sono a nossa gema.

sirenes e buzinas, ainda ninguém via satélite
sabe ao certo o que aconteceu, estragou-se o alarme
da joalharia, os lençóis na corda
abanam os prédios, pombos debicam

o azul dos azulejos, assoma à janela
quem acordou. o alarme não pára o sangue
desavém-se. não veio via satélite a querida imagem o vídeo
não gravou

e duma varanda um pingo cai

de um vaso salpicando o fato do bancário

Luiza Neto Jorge, in ‘A Lume’

 

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publicado por picodavigia2 às 00:05

O SONO DO JOÃO, DE ANTÓNIO NOBRE

Terça-feira, 01.05.18

O João dorme…(Ó Maria,

dize áquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João acordar…)

O João dorme… Que regalo!
Deixá-lo dormir, deixá-lo!
Calai-vos, águas do moinho!
Ó Mar! fala mais baixinho…
E tu Mãe! E tu Maria!
Pede àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João acordar…

O João dorme, o inocente!
Dorme, dorme eternamente,
Teu calmo sono profundo!
Não acordes para o Mundo,
Pode levar-te a maré:
Tu mal sabes o que isto é…

Ó Mãe! canta-lhe uma canção,
os versos do teu irmão:
«Na Vida que a Dor povoa,
Há só uma coisa boa,
Que é dormir, dormir, dormir…
Tudo vai sem se sentir.»

Deixa-o dormir, até ser
Um velhinho… até morrer!

E tu vê-lo-ás crescendo
A teu lado (estou-o vendo
João! que rapaz tão lindo!)
Mas sempre, sempre dormindo…
Depois, um dia virá
Que (dormindo) passará
Do berço, onde agora dorme,
Para outro, grande, enorme:
E as pombas que eram maiores
Que João… ficarão menores!

Mas para isso, Ó Maria
Dize àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João, acordar…

E os anos irão passando.
Depois, já velhinho, quando
(Serás velhinha também)
Perder a cor que, hoje, tem
Perder as cores vermelhas
E for cheiinho de engelhas,
Morrerá sem o sentir,
Isto é, deixa de dormir:
Acorda, e regressa ao seio
De Deus, que é donde ele veio…

Mas para isso, ó Maria!
Pede àquela cotovia
Que fale mais devagar:

Não vá o João acordar…

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publicado por picodavigia2 às 09:48





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