PICO DA VIGIA 2
Pessoas, costumes, estórias e tradições da Fajã Grande das Flores e outros temas.
CAIR DAS FOLHAS
(UM SONETO DE VALÉRIO FLORENSE)
“Fantástico palácio em um país distante,
Castelo de ouro e azul tingido de alvorada,
Que tentei conquistar, numa altiva arrancada,
Feito um divino herói, um cavaleiro andante.
Meus lindos ideais de idade louca e amante,
Meus sonhos juvenis, meu Graal, minha espada
E coroa de louro – auréola ambicionada –
Tudo, tudo se esvai e fina, instante a instante.
Em seu lugar me fica um pardo desalento
Que vem caindo na alma, frio como gelo,
Tristeza tumular de um bem que se não alcança.
Também por este Outono, triste e nevoento,
Vão formando no chão um tapete amarelo
Folhas de Primavera, outrora cor de esperança.
Nordeste, 1-X-43”
Retirado do livro “CAMINHOS” de Valério Florense, pseudónimo literário do P.e José Luís de Fraga, composto e impresso na tipografia “A Crença”,em Vila Francado Campo, em 1966.

