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MAIO

Segunda-feira, 03.06.13

“Em Maio até a unha do gado faz estrume.”

 

Na Fajã Grande e em toda a ilha das Flores, nos anos cinquenta, o mês de Maio era aquele em que se lançava à terra a maioria das sementes. Para além de ser um mês em que imperava o bom tempo, a calmaria e a mansidão, Maio impunha-se como a época do ano ideal para todo o tipo de sementeiras e plantações, as quais haviam de desabrochar e florir nos meses seguintes, a fim de que no Outono se colhessem os seus frutos e proventos.

Essa a razão por que se utilizava este interessantíssimo e douto adágio. Recorde-se que nas Flores, como em todas as ilhas açorianos, naqueles tempos recuados, os terrenos eram lavrados com os bovinos, mas antes eram estrumados com o esterco dos palheiros, com o sargaço ou com o “trilhar” do gado amarrado à estaca, alimentando-se das várias forrageiras: trevo, erva-da-casta, alcacel e favas. O ideal, para que os campos produzissem, abundantemente, era que, antes de lavrados e semeados, fossem adubados duma ou de outra destas formas. Mas em Maio, era tão imperioso semear os campos ou plantar as terras, mesmo que não houvesse estrume. Com este adágio o povo, na sua douta sabedoria popular e agrícola, pretendia dizer que mesmo que não houvesse estrume, dever-se-iam semear os campos, dado ser Maio um mês de grande fertilidade. Tão grande que apenas a “unha do gado”, isto é, o seu simples caminhar sobre a terra, enquanto a lavrava, servia de estrume,

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publicado por picodavigia2 às 09:17





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