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A BATATA BRANCA

Quinta-feira, 05.12.13

A Fajã Grande era local de muito cultivo e produção de batata branca, de tal forma que esta, nos anos cinquenta, era considerada elemento essencial no cardápio diário de todas as famílias da freguesia. Crê-se, no entanto, que nem sempre terá sido assim, uma vez que, como reza a história açoriana, este tubérculo só deu entrada nas ilhas dos Açores no terceiro quartel do século dezoito, alguns anos depois da chegada da batata-doce e cerca de cem depois da introdução da cultura do milho.

A batata branca, na Fajã, era cultivada sobretudo nas terras mais próximas do mar, nomeadamente, nas Furnas, no Areal, no Porto e no Estaleiro, onde era semeada em alternância com o milho e tinha como objectivo principal alimentar não apenas as pessoas mas também os porcos. Mas a batata branca de melhor qualidade e de melhor produção era semeada e cultivada nas courelas e nos pequenos terrenos junto das habitações, onde era muito adubada, muito bem tratada, de maneira a crescer sempre viçosa e a estar sempre disponível para as primeiras necessidades alimentares de cada família.

Na realidade, a batata revelou-se sempre de grande importância na economia fajãgrandense pois, para além de ser consumida por pessoas e porcos, também se utilizava a sua rama, logo que cortada e ainda fresca, para alimento das vacas. Além disso, alguns dos maiores produtores vendiam a batata excedente das suas colheitas, não só na Fajã mas também noutras freguesias da ilha.

Diziam os antigos que até à década de cinquenta do século passado, a batata branca era cultivada, na Fajã, em menor quantidade do que a batata-doce, sendo essa cultura feita quase exclusivamente nas courelas, junto às habitações. Sabe-se também que esta fraca produção de batata branca na primeira metade do século passado se deveu, sobretudo, a uma doença ou maleita que atingiu este tubérculo e que o tornava incapaz de ser utilizado para consumo. A importação da batata branca para consumo, de outras ilhas, nomeadamente do Faial e São Miguel ficava muito cara, por isso a sua utilização, como alimento, nessa altura, decresceu bastante na Fajã, sendo substituída não apenas pela batata-doce mas também pelo inhame.

A partir de 1947, ano em que o governo português autorizou a importação da semente de batata, a junta começou a disponibilizar, por toda a ilha das Flores, semente de excelente qualidade. Essa a razão por que se verificou, a partir de então na Fajã Grande, um aumento substancial da sua produção e, consequentemente, do seu consumo. A partir de então o seu cultivo estendeu-se às terras do Areal, das Furnas e do Porto. A semente importada era de boa qualidade e vendida a um preço acessível. Tratava-se das célebres batatas Arran-Banner, Arran-Consul e Up to date, designadas popularmente por Arranbana, Arranconsul e Aptudeite, importadas da Europa. Foi então que se começaram a semear grandes extensões de terreno com as novas espécies que se reproduziam em larga escala, e que constituíam uma parte importante da alimentação das pessoas e dos animais.

Assim as batatas brancas, sobretudo cozidas, começaram a ser o acompanhamento mais frequente de qualquer conduto, sobretudo à refeição do meio-dia. Por vezes e nas casas mais pobres, até eram comidas sem nada ou com fatias de abóbora ou maçarocas de milho que eram cozidas juntamente com elas. Era sobretudo as batatas brancas que acompanhavam o peixe frito ou cozido, a molha de carne, as tortas, uma ou outra lata de conserva, a carne de porco e até a linguiça frita. Além disso eram elemento essencial, tanto na sopa de couve como na de agrião e ainda eram utilizadas, sobretudo à ceia, geralmente as que sobravam do jantar, para fazer o tradicional “mangão”.

Acrescente.se que a batata branca é originária dos Andes, no Peru, donde foi trazida, em 1570, para a Europa pelos conquistadores espanhóis, ao que parece, por mera curiosidade botânica. Porém, com o com o passar do tempo, a batata, um alimento muito rico em vitamina B e C e, sobretudo, em ferro e zinco, tornou-se num dos vegetais mais utilizados na alimentação humana, não apenas no velho continente, mas em todo o mundo. A Fajã Grande não foi excepção.

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publicado por picodavigia2 às 10:20





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