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A MANTA

Terça-feira, 17.12.13

«A Manta” era um dos muitos contos populares e tradicionais contados durante os longos serões de Inverno, nas casas da Fajã Grande, depois de se rezar o terço, enquanto as mulheres cardavam, fiavam e tricotavam a lã ou remendavam roupa, para entreter e, sobretudo, para ensinar as crianças, dado que muitos deles eram verdadeiras lições de moral, como é o caso de “A Manta” que aqui relato de memória.

Era uma vez um pai já de avançada idade que vivia na companhia de um filho. Este, porém, tinha mulher e filhos, e muitas terras para trabalhar e gado para tratar, não tendo, por isso, nem tempo, nem disponibilidade, nem paciência para cuidar do seu velho pai, durante os últimos dias da sua vida.

Considerando-o um empecilho para si e para a sua família e porque cuidava que ele já não havia de viver durante muitos anos, resolveu ir levá-lo ao mato, em sítio bem distante, onde ele ali ficasse, sozinho, abandonado, até morrer. No entanto, cuidando que ele havia de ter frio, levou consigo uma manta para o embrulhar.

Ao chegar ao local escolhido para o abandonar, sentou-o e desdobrou a manta para lha colocar por cima dos ombros e agasalhá-lo. O pai pediu-lhe a navalha e pegando na manta, cortou-a a meio, embrulhando-se numa metade e entregando a outra ao filho, dizendo-lhe:

- Leva esta metade contigo e entrega-a ao teu filho para que um dia, quando fores velho como eu, ele te faça o mesmo.

O filho caiu em si, arrependeu-se do que ia fazer, pediu perdão ao pai e trouxe-o, de novo para casa, tratando-o com muito carinho até aos últimos dias da sua vida.

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publicado por picodavigia2 às 23:36





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