Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



ESPÓLIO DO PADRE FRAGA DOADO AO SEMINÁRIO DE ANGRA

Quarta-feira, 18.12.13

O Seminário Episcopal de Angra recebeu uma importante quantidade de livros relacionados com Teologia, Moral e outra temática religiosa, que faziam parte da vasta biblioteca particular do padre José Luís de Fraga.

O acervo foi doado àquela prestigiosa Instituição Açoriana de formação sacerdotal, por iniciativa da Dra Maria Antónia Fraga, sobrinha daquele que foi um dos mais ilustres filhos da Fajã Grande, e abarca uma vasta colecção de obras de consulta, de estudo e de formação que, decerto enriquecerão, o pecúlio da biblioteca daquele Seminário, actualmente renovada e direccionada no sentido de se actualizar, interligando-se, através de protocolos estabelecidos ou a estabelecer, com a Biblioteca Pública de Angra do Heroísmo. No total, o Seminário de Angra, na pessoa do actual reitor, Dr Helder Miranda Alexandre recebeu, 34 caixotes, contendo uma boa parte do espólio daquele que foi um dos grandes vultos do clero açoriano, distinguindo-se também nas letras, na poesia e, sobretudo, na pesquisa e recolha da música popular açoriana.

O Padre José Luís de Fraga, que para além de sacerdote e distinto orador também foi escritor, poeta e músico, tendo, na realidade, efectuado uma importante pesquisa e recolha da música popular açoriana, muita dela hoje cantada por músicos e grupos corais sediados nas ilhas, foi um dos mais ilustres e importantes filhos da Fajã Grande, assinando as suas obras literárias com o pseudónimo de Valério Florense.

José Luís de Fraga nasceu na Fajã Grande, a 6 de Outubro de 1902, e era filho de António Luís de Fraga, mais conhecido por Ti’Antonho do Alagoeiro e de sua mulher Maria de Jesus Fraga. Fez os estudos primários na sua freguesia natal, cumpriu o serviço militar em Angra, ingressando no Seminário da mesma cidade onde estudou Filosofia e Teologia, ordenando-se presbítero, no ano de 1927. Iniciou a sua actividade sacerdotal como professor de Música no Seminário de Angra e pároco em Santa Luzia, na mesma cidade, sendo, alguns anos mais tarde, transferido para a freguesia de Castelo Branco, na ilha do Faial. Entre 1929 e 1940 exerceu o cargo de vigário coadjutor na Matriz de Santa Cruz das Flores. Nesta data foi colocado como pároco da Ribeira Seca, na ilha de São Jorge e mais tarde na vila do Nordeste e em São Pedro, de Ponta Delgada, em São Miguel. Nos últimos anos da sua actividade sacerdotal paroquiou na Matriz de Vila Fraca do Campo, onde exerceu também o cargo de Ouvidor Eclesiástico. Faleceu em 1968, num acidente de viação, enquanto realizava uma visita aos Estados Unidos. Homem bom e íntegro, sacerdote exemplar e dedicado, pode dizer-se que o padre Fraga foi uma espécie de precursor dos padres operários que haviam de surgir em França nos anos 60, pois, segundo testemunhos de quem o conheceu, apesar de padre “ia lavrar com os lavradores, caiar a igreja com os caiadores e à pesca com os pescadores”, trabalhos que havia aprendido com o seu pai, durante a sua adolescência, na ilha das Flores. O padre Fraga distinguiu-se ainda como músico exímio e como homem de cultura e de grande saber e como poeta de sensibilidade requintada. Deixou um espólio notável, quer a nível musical quer literário, ficando ao cuidado da sobrinha que, em boa hora, doou uma boa parte do mesmo ao Seminário de Angra, a sua segunda casa, onde se notabilizou como aluno brilhante e como professor dedicado.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 17/01/12

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 14:24





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Dezembro 2013

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031