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VILA VILÃO

Quinta-feira, 19.12.13

“Vila, vilão.”

Este é um adágio fajãgrandense bastante parco em palavras mas muito rico em significado. Na realidade, nas Flores, nos tempos em que as freguesias estavam muito isoladas e distantes das vilas, e a Fajã Grande não fugia à regra até porque era a freguesia mais distante das Lajes, a sede do concelho em que estava integrada, havia uma certa conflitualidade entre os seus moradores e os que habitavam nas vilas. Cuidavam os habitantes das freguesias que as pessoas que moravam nas vilas eram uns beneficiados, uns privilegiados e uns felizardos, pois tinham tudo à sua disposição, enquanto eles, que viviam nas freguesias e nos lugarejos pequenos e isolados, muito pouco ou nada tinham, a não ser a falta de tudo. Nas vilas vivia-se bastante melhor do que nas freguesias, muitas pessoas tinham emprego, não faziam grandes deslocações a pé pelos matos, a subir rochas e a atravessar ribeiras, pois tinham ali tudo à mão e, por vezes, até esbanjavam o que tinham e desvalorizavam e apoucavam os que viviam nas freguesias. Muitos deles até nem trabalhavam nos campos, não tinham as mãos calejadas, não comiam o pão com o suor do seu rosto. Tinham empregos na Câmara, nas Finanças, na Tesouraria, no Tribunal e não se cansavam muito a trabalhar. Não faziam nada e tinham tudo. Eles, os que viviam ali, debaixo das rostas, a trabalhar de sol a sol, a esfolarem-se vivos, pouco ou nada tinham. Por tudo isso aí os habitantes das freguesias tinham, na verdade, algumas desconfianças acerca dos residentes nas vilas, considerando-os autênticos “vilões”. Daí a origem e o sentido deste adágio: “Vila, vilão.”

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publicado por picodavigia2 às 21:35





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