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A CASA DE BARBEARIAS

Domingo, 22.12.13

{#emotions_dlg.star}Na Fajã Grande, nos anos cinquenta, sobretudo nas casas onde havia crianças, faziam-se sempre presépios por altura do Natal. Grandes presépios, bonitos presépios! Presépios com uma gruta que abrigava a Virgem, o Menino e São José, com montes, com rios e lagos, com o palácio de Herodes e com casas, entre as quais havia uma muito especial, localizada num dos cantos do presépio. Era a casa de Barbearias, uma casa pobre, humilde, pequenina e a mais distante da gruta.

Segundo uma lenda muito antiga, que se contava na Fajã Grande, quando Jesus nasceu em Belém, as pessoas da cidade recusaram colaborar com os Seus pais, negando-lhes não só hospedagem mas tudo o mais de que necessitavam. Assim, Maria e José foram forçados a se recolherem e se acomodarem numa gruta que servia de estábulo a dois animais, tendo Jesus nascido precisamente aí. Como não havia berço, a Sua Mãe colocou-O sobre umas palhinhas que estavam na manjedoura e que serviriam para alimento dos animais. José e Maria pouco ou nada tinham para acomodar o Menino. Mas Este, acabadinho de nascer, como todos os recém-nascidos, necessitava de um banho, do seu primeiro banho. Como era Inverno a água estava muito fria, quase gelada e, por isso, São José tinha que fazer uma fogueira e aquecê-la. Simplesmente São José não tinha lume com que ateasse o fogo à lenha. Foi pedi-lo aos vizinhos, mas todos se recusaram a dar-lho. Deambulou de casa em casa, mas todos lhe negaram o lume. Já desanimado, ainda foi bater à porta da última e da mais pobre casa da cidade, onde morava um homem de nome Barbearias e a sua família, tendo sido este a dar-lhe não apenas o lume mas tudo o mais que São José precisava para dar o primeiro banhinho ao seu Filho.

Esta lenda, desconhecida nas outras ilhas e localidades açorianas, nem constando ao que parece nos evangelhos apócrifos, constitui, no entanto um interessante registo da tradição popular da Fajã Grande, onde lendas e mitos, tinham de facto um lugar de relevo constituindo uma cultura popular bastante ampla e deveras interessante. Essa a razão pela qual em todos os presépios construídos na Fajã Grande, se construía e colocava, lá bem escondidinha, num cantinho, uma pequena e humilde casa, a casa de Barbearias, a contrastar com o rico e sumptuoso palácio de Herodes, por tradição, localizado no lado oposto do presépio.

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publicado por picodavigia2 às 11:05





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