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NATAL - MANUEL ALEGRE

Quinta-feira, 26.12.13

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

 Era gente a correr pela música acima.

 Uma onda, uma festa. Palavras a saltar.

 

 Eram carpas ou mãos. Um soluço, uma rima.

 Guitarras, guitarras. Ou talvez mar.

 E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

 

 Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.

 No teu ritmo nos teus ritos.

 No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).

 Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.

 E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.

 No teu sol acontecia.

 

 Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).

 Todo o tempo num só tempo: andamento

 de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.

 Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva

 acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva

 na cidade agitada pelo vento.

 

 Natal Natal (diziam). E acontecia.

 Como se fosse na palavra a rosa brava

 acontecia. E era Dezembro que floria.

 Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.

 E era na lava a rosa e a palavra.

 Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

 

Manuel Alegre

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publicado por picodavigia2 às 00:34





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