PICO DA VIGIA 2
Pessoas, costumes, estórias e tradições da Fajã Grande das Flores e outros temas.
A FONTE DE NOSSA SENHORA
Antigamente, na Fajã Grande, contavam-se, por estas alturas do Natal, muitas estórias e lendas relacionadas com os dias que se sucederam ao nascimento de Jesus. Entre outras contava-se que, depois de Jesus nascer, em Belém, os pais do Menino Jesus tiveram que fugir com ele para o Egipto, para o proteger da maldade de Herodes que o queria matar. Ora durante a fuga, Herodes, que cuidava que o Menino havia de ser Rei e retirar-lhe o trono, mandou os seus soldados perseguir São José, Nossa Senhora e o próprio Menino Jesus. Mas como iam a andar muito depressa, durante a caminhada, Nossa Senhora quis descansar porque estava muito cansada e tinha muita sede mas não se via nenhuma nascente de água por ali perto. S. José, preocupado em arranjar água para a esposa, vendo uma pedra ao pé deles, virou-se para o burro e ordenou-lhe:
- Dá um coice naquela pedra, para que dela brote água!
O burro obedeceu, mas a pedra não gemeu nem muito menos dela brotou água. São José ordenou, novamente:
- Dá um coice na pedra, para que dela brote água!
O burro obedeceu e desta vez a pedra gemeu. São José ordenou pela terceira vez:
- Dá um coice na pedra, para que dela brote água!
O burro obedeceu e a pedra chorou, brotou água e, assim, pode Nossa Senhora matar a sede. A partir daí, aquela nascente nunca mais secou e na pedra ficaram as três marcas dos coices do burro.
Ainda enquanto descansavam, Nossa Senhora resolveu estender a toalha sobre uma pedra para comerem algo, que a fome apertava. Assim o fizeram e desde esse dia nunca mais o musgo cresceu naquela pedra. Porém, quando chegou a hora de continuarem a viagem e arrumaram tudo, Nossa Senhora, sem se aperceber, prendeu o seu manto no mato que crescia na zona e rasgou-o. Como castigo de tal atitude, naquele local nunca o mato cresceu, ficando sempre pequeno.

