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COMO OS BIJAGÓS DA GUINÉ EXPLICAVAM A CRIAÇÃO DO MUNDO

Quinta-feira, 26.12.13

O Arquipélago dos Bijagós faz parte do território da Guiné-Bissau e é constituído por quase cem ilhas, situadas ao largo da costa africana e que foram classificadas pela UNESCO como reserva da biosfera, uma vez que dispõem de uma diversificada fauna, com destaque para várias espécies de macacos, hipopótamos, crocodilos, aves pernaltas, tartarugas marinhas, lontras, etc.

O arquipélago tem uma área total de 2.624km2 e uma população orçada em cerca de 30.000 habitantes (2006), na sua maioria dispersos apenas por 20 das maiores ilhas, sendo a maioria das outras desabitadas ou com uma população muito reduzidas. Os nativos falam sobretudo o Bijagó e outros dialectos pouco conhecidos e professam religiões animistas. Os Bijagós são profundamente crentes e dedicam cerca de cem dias por ano a rituais religiosos. O arquipélago conta com ampla autonomia administrativa.

A ilha de Orango é a mais distante do continente africano e, por isso, desfruta de um clima muito diferente da Guiné-Bissau, continental. Esta ilha tem muitos tipos de clima, desde o mais seco nas zonas de pouco pasto, savana, até um zona muito húmida, quando se entra no meio da vegetação. Tem também muita fauna por explorar, estudar e conhecer. Caracteriza-se, sobretudo, por possuir ainda um tipo de sociedade chamada “matriarcal” onde as mulheres detêm a mordomia de escolhem os maridos. Fazem-no cozinhando-lhes um prato, tradicionalmente, de peixe que, caso seja aceite e comido pelo esposo pretendido, se torna em união ou casamento.

Segundo uma antiga lenda bijagó, a vida começou assim: Deus, o Criador, existiu sempre e, no início da vida, foi criada a primeira ilha – a ilha de Orango – que era o mundo. Mais tarde, chegou um homem e a sua mulher, de nome Akapakama. Eles tiveram quatro filhas a que deram os nomes de Orakuma, Ominka, Ogubane e Oraga.

 Cada uma das filhas de Akapakama teve, por sua vez, vários filhos, os quais receberam por parte do avô direitos especiais.

Os de Orakuma, receberam a terra e a direcção das cerimónias nela realizadas, bem como o direito de fazer as estatuetas do Irã, tendo sido a primeira executada por Orakuma e feita à imagem do Deus. Este direito seria também dado por Orakuma às suas irmãs.

 Os de Ominka receberam o mar e passaram a ocupar-se da pesca. Os de Oraga receberam a natureza com as bolanhas e as palmeiras, o que lhes daria a riqueza.

Os de Ogubane receberam o poder da chuva e do vento podendo desencadeá-los, controlando assim o suceder das épocas, da seca e das chuvas.

 Assim, as quatro irmãs desempenhavam funções diferentes mas que se complementavam.

 Esta é a razão pela qual, segundo a lenda, se explica o papel muito importante que as mulheres desempenham na sociedade bijagó. Elas ainda hoje têm direitos especiais, tais como a construção das casas e a realização de cerimónias próprias. E ainda o das raparigas, segundo os Bijagós, em que reincarnam as pessoas que morrem na família e no clã.

Tal como em outras sociedades, a arte bijagó está estreitamente ligada à religião. A representação dos Irãs encontra especial relevo na escultura em madeira, a qual se alarga à representação de outras cenas da vida quotidiana e à produção de objectos de uso comum.

Hoje, só os homens podem ser escultores, mas nota-se já uma diminuição dos que se dedicam a esta actividade, o que faz com que existam poucos escultores com autoridade para executar as estatuetas dos Irãs.

Em princípio não há condição especial para que um homem se tome escultor. A aprendizagem é feita junto de um outro escultor já famoso e pode-se começar essa aprendizagem com qualquer idade.

Entre as 88 ilhas pertencentes ao arquipélago, salientam-se as de Caravela, Formosa,, Galinhas,  Maio, Orango, Poilão,  Ponta,  Roxa, Bubaque, Rubane, etc.

Fonte: Internet

 

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publicado por picodavigia2 às 15:32





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