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RESENHA HISTÓRIACA SOBRE O CORVO

Sexta-feira, 27.12.13

A distância que separa as Flores e o Corvo das restantes ilhas açorianas teve como consequência que o seu descobrimento e subsequente povoamento só tivessem ocorrido com um desfasamento temporal relativamente às restantes ilhas. Muito provavelmente, terá sido o navegador Diogo de Teive a descobri-las, no seu regresso de uma viagem ao Banco da Terra Nova, no ano de 1452. No entanto, subsistem algumas dúvidas em relação a quem terão sido os seus primeiros senhorios.

Alguns documentos provam que a ilha do Corvo deverá ter sido doada a D. Afonso, Duque de Bragança e Conde de Barcelos. Mas a primeira referência fiável da doação da ilha do Corvo indica que D. Afonso V a doou a Fernão Telles, tendo depois, assim como a das Flores, pertencido às famílias Teive, Telles, Fonseca, Mascarenhas e, finalmente à Coroa.

Os Teive tiveram como única acção lançarem gado nas duas ilhas, não mostrando grande interesse no seu povoamento; com efeito, é apenas perto do fim da época dos Telles que se verifica a primeira tentativa de povoamento das Flores por parte do flamengo Guilherme da Silveira, que, no entanto, veio a abandonar a ilha, algum tempo depois.

Em 1507, as duas ilhas ainda eram dadas como despovoadas e, por volta de 1508-1510, Antão Vaz e Lopo Vaz, residentes na Terceira, chegaram a acordo com João da Fonseca para se instalarem respectivamente no Corvo e nas Flores. Assim, muito provavelmente, os primeiros colonos terão vindo da Terceira e, eventualmente, também da Madeira. No entanto, Antão Vaz terá regressado à Terceira em 1515 e seriam três irmãos de apelodo Barcelos a tentar novo povoamento, que voltou a fracassar.

Em 1548, Gonçalo de Sousa foi confirmado como senhorio das duas ilhas e enviou para o Corvo escravos da sua confiança que cultivavam a ilha e criavam gado. Passados mais alguns anos foram das Flores para o Corvo mais habitantes que foram atraindo outros, e multiplicando-se com os que de novo nela iam nascendo.

Segundo Gaspar Frutuoso, em finais do século XVI, havia no Corvo vinte vizinhos que viviam em casas palhaças e eram rendeiros e escravos negros e mulatos. Sabe-se, pois, que apenas no último quartel do século XVI, praticamente um século passado desde o seu achamento, se verifica o povoamento definitivo da ilha do Corvo e que nos anos seguintes à descrição de Gaspar Frutuoso, se tenha verificado um aumento gradual da população devido a uma maior e melhor exploração agrícola dos terrenos da ilha.

 É, pois, num quadro de relativa prosperidade que o Corvo se encontra quando, juntamente com as Flores, passa para a posse dos Mascarenhas em 1593prosperidade que havia de decair com a crise que progressivamente se foi agravando nos anos seguintes e que só terminou em meados do século XIX.

Os escassos contactos com o exterior obrigaram a que na ilha do Corvo se gerasse uma espécie de sistema de auto-abastecimento alimentar. Gaspar Frutuoso aponta o facto de, durante muito tempo, não haver no Corvo uma embarcação: quando era necessária a sua vinda da ilha das Flores eram feitos sinais de fumo. Assim, o raro comércio era efectuado através da ilha vizinha que, normalmente, só tinha ligação marítima com as restantes ilhas apenas entre Março e Setembro, altura em que as condições atmosféricas eram mais favoráveis. Por aqui se pode ver até que ponto tinha a ilha de ser auto-suficiente. Porém, a partir da 1850, o Corvo começou a progredir, os seus habitantes a dedicar-se ao cultivo das suas terras e â criação dos seus gados, obtendo não só o necessário para o seu sustento e vestimenta, mas ainda para fornecimento de alguns navios que ali aportam frequentemente. Factor indiciador dessa melhoria de vida é o das casas, já antes de 1870, serem todas cobertas de telha. Deve salientar-se ainda a existência, desde 1845, de uma escola primária masculina e, em 1871, o facto de ter começado a haver ensino nocturno para adultos. Além disso, a população também aumenta, de 800 habitantes em 1842, para atingir o seu máximo em1878 - 880 habitantes. No último quartel do século XIX, porém, volta a verificar-se um decréscimo da população em cerca de 9%. Tal facto deve-se à emigração que começa a verificar-se, sobretudo para os Estados Unidos, não apenas no Corvo mas em todo o arquipélago dos Açores. É essa mesma emigração que se torna o factor determinante na oscilação demográfica do Corvo durante o século XX, uma vez que no início do século a população corvina era de 808 habitantes e nos censos de 2001 era de 430.

 

NB – Dados retirados do “Inventário do Património Imóvel dos Açores” IAC

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publicado por picodavigia2 às 11:37





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