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O CONGRESSO DE TODAS AS RECORDAÇÕES

Sábado, 28.12.13

Emanados dos mais nobres sentimentos de convívio, de alegria e de camaradagem, cá estamos reunidos num verdadeiro “Congresso de Todas as Recordações”. Os que há cinquenta anos aqui viveram, estudaram e se formaram. Uns viajaram de longe, outros moram aqui ao lado. Não vieram todos, vieram alguns. Vieram os que puderam e os que de tempo e saúde dispuseram. Uns, muito provavelmente, suspendendo trabalhos e tarefas, outros já interrompendo o repouso das suas aposentações. Juntos querem celebrar os 150 anos da instituição que, há cerca de meio século, nos recebeu, educou e formou. Mas o que mais querem é dar aqueles enormes e afectuosos abraços que encaixotaram dentro si e guardaram durante dezenas e dezenas de anos, para agora os trocar. São abraços que duram minutos. São abraços que apertam e trazem lágrimas. São abraços dos mais belos abraços que existem no mundo mundo. Partilham-se sobretudo, as recordações mais doces. Dois mestres nos acompanham, para aqui e para acolá, para onde podem. Cunha de Oliveira com a sua bengalinha, corre, procura, canta e caminha como se fosse um aluno. O José Nunes que ainda conserva aquele doce sorriso que se torna maior quando lhe sugerimos que imponha ordem e respeito. É o nosso cicerone, a mostrar, sobretudo o que mudou, nas camaratas, nos corredores, nos salões, nos pátios e até na capela. O Caetano Serpa é mais aluno do que mestre. Ontem ao jantar, o Carlos Dias foi o “leitor” de serviço e o grande contador de histórias. E sabem o que leu? Aquela passagem do evangelho “et galus cantavit”. Claro que o galo do saudoso cónego Jeremias veio à baila. Depois da leitura, o José Nunes é que deu a ordem para terminar o tempo de silêncio. O actual Reitor, uma simpatia em pessoa, também nos acompanhoupasto no repasto,sempre solícito e sempre aento,a ver se algo faltava. O principal prato foram as cantigas, com o maestro José Carlos Rodrigues. De tarde o encontro e a partilha. De fotos, de quadras, de histórias, de testemunhos. Só faltou uma coisa impossível de conseguir-se: tempo, tempo para mais. À noite ensaio. O José Luís, repartindo batuta com o José Carlos: “Mi, dó, sol dó´.” Vê-se que é “escola do Dr Edmundo”. O mesmo transparecia no Emílio Porto, quando pegava na batuta. E o Fernando Mota num excelente solo do “Juravit Dominus”. Depois “Maldita”, e por aí adiante. O pior é que já não nos aguentamos “das canetas”, aquelas horas todas em pé. E o José Manuel que até tem ferros nas pernas em vez de ossos. Vieram os do Seminário, veio o reitor, veio o Ricardo e os seminaristas seguiram-lhe o exemplo e no fim, os de ontem e de hoje, cantaram, juntos, o hino “Se há grandeza no Mundo…” Belo, comovente, sublime.

Quando todos foram embora dei por mim a conversar com um grupo de seminaristas, ainda ali residente. Eles olham-nos com um respeito extraordinário, com uma admiração gigantesca! Querem conhecer-nos, querem ver-nos e querem sobretudo, agora ao vivo, ouvir os “ecos” da nossa presença naquela que é a sua e nossa casa. Agora, esses ecos tornaram-se reais e entraram-lhes abruptamente pela porta dentro. Mas verdade é que eles têm sempre a porta aberta e estão sempre à nossa espera.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 8 de Julho de 2012

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publicado por picodavigia2 às 17:30





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