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OS MISERÁVEIS DE VITOR HUGO

Sábado, 28.12.13

O livro Os Miseráveis de Victor Hugo, publicado em 3 de Abril de 1862 simultaneamente em Leipzig, Bruxelas, Budapeste, Milão, Roterdão, Varsóvia, e Paris é, em minha opinião, um excelente livro, daqueles que se lêem duas ou mais vezes. A acção acontece na França do século XIX, entre a Batalha de Waterloo (1815) e os motins de Paris, Junho de 1832. É uma extensíssima narrativa, onde a ficção se envolve com a história, a filosofia, a ética, a moral, a religião, a psicologia, etc, sobre a vida de Jean Valjean e de variadíssimos personagens que com ele vão enriquecer os cinco volumes do romance, testemunhando a miséria daquele século e a pobreza miserável da sociedade francesa.

Jean Valjean, depois de cumprir 19 anos de prião nas galés - cinco por roubar um pão para sua irmã e sete sobrinhos, e mais catorze por inúmeras tentativas de fuga - é libertado, mas marginalizado por todos que o encontram, excepto pelo bondoso monsenhor Myriel, Bispo de Digne, nos Alpes Franceses. No entanto, em vez de se mostrar grato, Valjean, durante a noite, rouba-lhe uns talheres de prata e foge. De imediato é preso e levado à presença do Bispo que o salva, alegando que os talheres foram um presente, dando-lhe dois castiçais de prata e repreendendo-o por ter saído com tanta pressa e esquecer essas peças bem mais valiosas do que os talheres. Este gesto de bondade de Monsenhor Myriel nunca mais se apagará da memória do antigo presidiário e mudar-lhe-á, radicalmente, a vida. Anos depois, Valjean reaparece no outro extremo da França sob o pseudónimo de senhor Madeleine e torna-se um próspero empresário, dono de uma fábrica, um homem respeitado pela sua bondade e caridade, sendo eleito governador da cidade onde vive - Montreuil-sur-Mer. É aí que encontra o inspector Javert, antigo guarda prisional e chefe da polícia da cidade, que desconfia da identidade de Madeleine, perseguindo-o persistentemente, até o identificar como o antigo forçado, que conheceu quando trabalhava como guarda, na prisão de Toulon. É também em Montreuil que Madeleine conhece a desafortunada Fantine, que, algum tempo depois, morre, deixando sozinha a filha Cosette, que entregara aos cuidados dos Thérnardier, um casal de estalajadeiros, corrupto e sem escrúpulo, que maltratam e abusam da menina e extorquem dinheiro a Fantine. Perante informações de Javert de que o verdadeiro Valjean fora descoberto e havia de ser condenado e após uma longa noite de hesitação e sofrimento, Madeleine apresenta-se, em tribunal, como verdadeiro Valjean, sendo ele próprio condenado e levado para prisão, de onde foge para libertar Cosette das atrocidades dos Thérnardier, como prometera a Fantine. A partir daqui e depois do autor historiar a Batalha de Waterloo, a acção do romance decorre em Paris, onde todos os personagens se vão reencontrando em encontros e desencontros, misturando-se com outros, nas ruas e no convento Petit-Picpus, onde Valjean se torna jardineiro e onde Cosette recebe uma boa formação. Personagem de destaque, em Paris, é Marius Pontmercy, um aristocrata de segunda geração que se desentendeu com seu avô monarquista por causa das suas ideias liberais. Estuda Direito e junta-se aos estudantes revolucionários. No entanto, apaixona-se por Cosette, com quem casará, mais tarde. Ferido nos motins de Paris, Marius é salvo por Valjean, escondendo-se nos esgotos da cidade. No entanto Javert, que se intrometera nas barricadas como espião, ao ser descoberto e desmascarado é poupado à morte por Valjean, mas, vítima de um terrível conflito interior, atira-se ao Sena, suicidando-se. Nos motins de 5 de Junho surgem outras personagens como Enroljas, o líder dos Amigos do ABC e líder da rebelião de Paris. Trata-se de um jovem charmoso e de beleza angelical, apaixonado e dedicado à democracia, lutando pela igualdade, pela liberdade e pela justiça. Enjolras é um jovem de princípios que acredita numa causa - a criação, na França, de uma República Livre e Democrática, libertando os pobres, defendendo os oprimidos e onde todos são iguais. Mas ele e os outros revoltosos são executados pela Guarda Nacional, após a queda da barricada que haviam montado, em defesa dos seus princípios e valores. Outro personagem invulgar é Gavroche, filho mais velho dos Thénardier, abandonado pelos pais e que também participa, activamente, nas barricadas, sendo morto enquanto recolhia as balas dos mortos da Guarda Nacional para dar aos revoltosos. Por sua vez, sua irmã Eponine, mimada em criança, acaba sozinha nas ruas de Paris, quando chega à adolescência. Apaixonada por Marius, participa na rebelião e salva-lhe a vida, parando com a mão uma bala que o atingiria. Acaba por ser mortalmente ferida quando a bala, destinada a Marius, lhe atravessa a mão e as costas. Destacam-se ainda, como personagens, no romance de Victor Hugo: Baptistine, irmã do Bispo Myriel e Madame Magloire, a sua empregada, Gervais, um miúdo que Valjean rouba e depois, arrependido, lhe devolve a moeda, Félix Tholomyès, estudante rico e burguês, amante de Fantine e pai biológico de Cosette, que a abandona, Fauchelevent a quem Valjean salva a vida retirando-o debaixo duma carroça e que depois o abriga e esconde no convento Petit-Picpus, Bamatabois agressor de Fantine e Champmathieu, o vagabundo erroneamente confundido com Jean Valjean. São de referir também a irmã Simplice que cuidou de Fantine em seu leito de morte e a Madre Innocente, prioresa do convento Petit-Picpus. Nas ruas de Paris, aparecem, ainda, o Senhor Gillenormand, avô de Marius e a Senhorita Gillenormand, sua filha, o Coronel Georges Pontmercy, Pai de Marius, um oficial do exército de Napoleão, ferido em Waterloo, o Tenente Théodule sobrinho favorito de senhorita Gillenormand, o Senhor Mabeuf, amigo e protector de Marius, que também se junta aos insurrectos e que é baleado e morto no alto das barricadas, quando erguia uma bandeira vermelha. Por sua vez do grupo de estudantes revolucionários, para além do líder Enjolras, fazem parte Courfeyrac, Combeferre, Jean Prouvaire, Feuilly, Bahorel, Laigle, Joly e Grantaire. Paralelamente movimenta-se um grupo de bandidos, liderado pele malicioso Montparnasse e a que pertencem Claquesous, Babet e Gueulemer. Magnon é uma ex-funcionária de senhor Gillenormand e amiga dos  Thénardier recebem, fraudulentamente, uma parte dos pagamentos. Ela é presa por ser supostamente envolvida no roubo a Gorbeau e muitos outos. A história, finalmente, termina pouco depois do casamento de Marius e Cosette. Valjean confessa a Marius que é um forçado evadido. Marius, horrorizado com a revelação, consegue fazer com que Valjean, perdendo a vontade de viver, desapareça, gradualmente, da vida de Cosette. Apesar de tudo Marius e Cosette procuram-no, acabando por encontrá-lo nos seus últimos momentos de vida. Feliz por estar ao lado da filha e do genro, Valjean relembra todo o seu passado a Cosette e revela-lhe a identidade da sua mãe, Fantine, acabando por morrer feliz porque amado por ambos.

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publicado por picodavigia2 às 23:54





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