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A GROTA DO VIME

Sábado, 11.01.14

A Grota do Vime, situava-se na Rocha com o mesmo nome. Uma e outra houve jus àquela nomenclatura pelo facto da rocha, ali, ser sulcada por vários pequenos veios de água, a maior parte deles afluentes da grota e que faziam com que por ali nascessem, crescessem e se desenvolvessem muitas e variadas colónias de vimes.

A Rocha do Vime situava-se a noroeste da Rocha das Covas, para os lados da Ponta, em sítio onde a maior parte dos terrenos pertencia a proprietários, quase todos eles, com residência naquele lugar. Naturalmente que a grota herdou o seu nome da própria rocha e o nome desta, provavelmente, terá a sua origem no facto de o vime ter ali um habitat muito propício ao seu desenvolvimento, ou seja, terrenos muito molhados e alagadiços. Na realidade aquela rocha é quase toda ela sulcada por pequenos veios de água, uns a enriquecerem o caudal da grota, outros a escorrerem até ao sopé da rocha, perfurando chão, a perderem-se nas suas entranhas, para mais a baixo, já em terreno plano, reaparecem sob a forma de nascentes, projectando um água límpida e fresca que transformava as pastagens ali existentes em lagoas, onde juntamente com a erva, cresciam inhames e floresciam agriões.

Era assim a Grota do Vime, a conferir à rocha sua homóloga uma beleza extraordinária, uma frescura paradisíaca e uma riqueza prosperante. Era a erva, de excelente qualidade, a alimentar as vacas leiteiras e os inhames e os agriões a engrandecerem o cardápio dos humanos. Para além da quantidade, a qualidade, porque os inhames daquelas paragens eram dos mais saborosos da freguesia e até da ilha.

Mas a grande riqueza da grota e da rocha estava também na produção do vime. Na realidade o trabalho em vime era muito frequente e importante na Fajã Grande, nos anos cinquenta. A rocha do vime era local que fornecia uma boa parte da matéria-prima utilizada não apenas no fabrico de cestos, mas também de cestas, cabazes e até de cadeiras e outra mobília, nomeadamente berços de crianças.

Na realidade o vime foi um material utilizado desde tempos primitivos, pelo homem, sobretudo entre as populações ligadas ao cultivo dos cereais, para o fabrico de utensílios de transporte dos mesmos. Sabe-se hoje que já na Antiguidade o homem utilizava o vime para fabrico de utensílios de uso doméstico e que algumas civilizações colocaram nos escudos dos seus exércitos, este material, como por exemplo os persas. Referências documentais também nos dão conta da existência e da utilização do vime no Antigo Egipto. O seu uso ter-se-á expandido de forma notória na Idade do Ferro, com grande influência no desenvolvimento cultural de alguns povos, nomeadamente, nos celtas, nossos antepassados. O vime também esteve presente nos primeiros protótipos de balões e aviões, por ter um peso muito leve e oferecer boa resistência. Actualmente os balões de recreio, ainda usam o vime como um dos materiais com os quais são confeccionados, nomeadamente os cestos em que se alojam os passageiros.

Mas é sobretudo nos meios rurais que os objectos construídos com o vime tiveram e ainda hoje têm grande utilidade e importância, embora, actualmente, os objectos feitos com vime sejam apenas objectos de adorno, peças de museu ou elementos integrantes de colecções.

Por tudo isso a Grota do Vime, situada na Rocha com o mesmo nome, permanece hoje como um dos cursos de água mais importante, mais histórico e mais emblemático da Fajã Grande.

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publicado por picodavigia2 às 10:00





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