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PEDRO CLAUDINO DA SILVEIRA

Sábado, 11.01.14

Pedro Laureano Claudino Mendonça da Silveira nasceu Fajã Grande das Flores, em 7 de Dezembro, de 1870. Era filho de José Laureano da Silveira e de Maria Claudina da Silveira e tio doutro ilustre fajãngrandense o poeta e escritor Pedro da Silveira, notabilizando-se, sobretudo, como jornalista, editor e empresário, na Califórnia.

Pedro Claudino viveu a sua infância na Fajã Grande, onde frequentou o ensino primário, fazendo, em Santa Cruz, o exame final com a elevada classificação de “distinto”. Assim como muitos jovens do seu tempo, zarpou da ilha, na procura do “El Dorado”, da Califórnia, para onde o pai já havia, também, emigrado, na mira de encontrar o poderoso metal – o ouro.

Chegou à Califórnia, com 15 anos de idade, começando a trabalhar em San Francisco, ocupando as horas vagas no estudo da língua inglesa. Alguns anos mais tarde, foi ter com o pai que trabalhava nas minas de ouro no Estado de Oregon e no Norte da Califórnia, nos condados de Siskyou, Del Norte, Humbolt, Trinity e Shasta, entre outros. Como estes condados eram rurais e ainda pouco desenvolvidos, Pedro Laureano, sentindo que ali lhe faltavam os meios para se instruir e por não gostar do trabalho de mineiro, voltou a San Francisco, onde trabalhou em diversos serviços e continuou os estudos nas horas vagas. Aí tirou alguns cursos de ciências e artes, adquirindo os conhecimentos necessários à sua futura vida profissional.

Visitava com frequência diversas empresas jornalísticas californianas, para nelas ler jornais e revistas portuguesas e americanas, chegando mesmo a trabalhar nessas empresas, nelas obtendo bastantes conhecimentos da arte tipográfica. Foi no semanário “A Liberdade” que Pedro Laureano Claudino da Silveira obteve emprego como tipógrafo e colaborador, começando a redigir alguns editoriais e artigos que não só mereceram a aprovação e o elogio do director mas também o bom acolhimento dos leitores do jornal, o que contribuiu, de forma significativa, para aumentar e fortalecer a situação económica desafogada daquele jornal.

Em 1902, Pedro fixou-se na cidade no Fresno, casando em 1903, com Maria V. Nunes, Em 1905, fez a sua primeira tentativa, como proprietário e editor, na fundação de uma revista – “Portugal-América” – que, por falta de recursos, teve vida efémera. Depois desse fracasso, o jovem casal fixou-se em Sacramento, voltando a desempenhar as antigas funções no jornal “A Liberdade”.

 Em 1907, mudou-se para Oakland e passou a trabalhar no jornal “A União Portuguesa”. Para além de um emprego mais seguro e com maiores garantias de acesso, este trabalho exigia, a Pedro Claudino, maiores desafios e responsabilidades. Passados dez anos, com a prática entretanto obtida, resolveu estabelecer-se por sua conta. Assim, adquiriu, em Janeiro de 1917, o “Arauto”, de Oakland e fundou, em San Francisco, o jornal – o “Jornal de Notícias”. Para além de ficar como proprietário, editor e redactor, a sua esposa assumiu a administração daquele jornal. Com imaginação e experiência, o jornal crescia de dia para dia, atingindo um dos pontos mais altos da sua existência quando o mesmo abriu um “Concurso de Beleza das Crianças Portuguesas da Califórnia”. O referido Concurso teve um sucesso excepcional, principalmente devido à vigilância, zelo e organização da esposa. Esta e outras publicações, haviam de fundir-se, mais tarde, no “Jornal Português” que se assumiu como a sua grande obra, já que atingiu uma invulgar expansão junto das comunidades portuguesas espalhadas pelos EUA.

Pedro Claudino faleceu em 28 de Dezembro de 1944, tendo sido um dos últimos grandes obreiros da fundação da imprensa de língua portuguesa na Califórnia. Era admirado, elogiado e distinguido pelo seu carácter exemplar, pela sua honradez e pela sua sinceridade para com todos e por represento a comunidade portuguesa da Califórnia, em comissões de grande responsabilidade

O “Jornal Português”, que ele, habilmente, projectou, não obstante ter passado por um curto período de interrupção, há pouco anos, continuava a ser publicado na Califórnia, em San Pablo, mantendo o nome que o notabilizou.

Pedro Claudino da Silveira entrou na história, não só pelos êxitos da sua persistente luta pela vida e pela cultura, mas também pelo valor literário dos seus escritos e, sobretudo, pela projecção que conseguiu dar à imprensa portuguesa na Califórnia.

 

Fonte - Trigueiro, José Arlindo Armas Trigueiros in “Florentinos que se Distinguiram”, (2004), pp. 119-124, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores. 

 

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