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O SENHOR ANTÓNIO BARBEIRO

Domingo, 12.01.14

O senhor António Barbeiro morava na Assomada, uns escassos metros a seguir à minha casa, mesmo ali na entrada da Canada do Pico, numa casa de dois andares. O piso superior era destinado à habitação, sendo que no rés-do-chão ou primeiro andar se situava o palheiro das vacas, como era hábito na maioria das casa da Fajã, e, na parte virada a sul, a oficina, de carpinteiro, de relojoeiro, de faz-de-tudo.

Na realidade, o senhor António Barbeiro, no seu tempo, era o que na realidade se poderia considerar um verdadeiro “self-made man”. Tudo o que sabia e conhecia, quer na teoria quer na prática, apreendera-o por si próprio, graças à sua grande inteligência, à sua habilidade natural e à sua capacidade de aprender quer através da sua própria experiência e de muitas leituras que fazia. Por isso mesmo era, incontestavelmente, o homem mais habilidoso e talvez mesmo o mais inteligente e o mais culto da freguesia. Um autêntico prodígio, este senhor.

Para além de também se dedicar à agricultura e de criar uma vaca, a sua ocupação principal era a de relojoeiro, consertando, com uma eficácia desmedida e sabedoria natural, quantos relógios lhe apareciam na oficina. No entanto e porque ao tempo os relógios ainda nem eram muitos, também se dedicava à carpintaria, construindo sobretudo mobílias de sala e de cozinha, à reparação de todo o tipo de máquinas, desde os fogões primus aos moinhos de café e ainda a pintar interiores de casas, colocar vidros nas janelas e agravos em loiça partida, executando todas estas actividades com notável perfeição e competência desmesurada. Também se dedicava à apicultura, possuindo uma boa quantidade de colmeias, num prédio que possuía em frente à sua casa, produzindo mel de excelente qualidade. Para além disso, era uma pessoa extremamente culta, com quem se podia estabelecer um diálogo interessante, sério e enriquecedor sobre qualquer assunto. De tudo falava, tudo conhecia, dominando alguns pormenores do conhecimento científico, dando opiniões, comentando, com humildade e sabedoria, os temas da actualidade que na altura eram conhecidos na Fajã Grande. Para além de ser um grande pensador, lia muito, o que de facto enriquecia a sua cultura.

Enviuvou ainda bastante novo, vivendo na década de cinquenta com os dois filhos mais novos, a Alda e o Orlando, que algum tempo depois partiram para a ilha Terceira e mais tarde para o Canadá. Por essa altura passou a viver na companhia da senhora Ester, com quem casou alguns anos mais tarde, sendo, no entanto, durante muito tempo o pioneiro, na Fajã Grande, das actuais “uniões de facto”.

Também se dedicava ao fabrico de miniaturas de utensílios de uso tradicional, tendo feito, a meu pedido belo tear.

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publicado por picodavigia2 às 09:19





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