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A ÙLTIMA BATALHA NAVAL DE CARVALHO ARAÚJO

Segunda-feira, 13.01.14

O navio São Miguel partiu da Madeira com destino aos Açores a 13 de Outubro de 1918. Transportava carga diversa e cerca de duzentos e seis passageiros. Estávamos em plena Guerra Mundial. Navios de guerra e submarinos alemães povoavam o mar dos Açores com frequência, por isso o comandante pediu apoio e protecção à Marinha Portuguesa, sendo-lhe enviado para escolta o navio patrulha Augusto Castilho, um antigo arrastão, transformado em navio de guerra, comandado pelo primeiro-tenente Carvalho Araújo, sendo uma parte da sua guarnição constituída por pessoal da Armada e por antigos tripulantes do antigo arrastão, menos experientes na arte bélica.

Ao amanhecer do dia 14 de Outubro encontravam-se os dois navios a cerca de duzentas milhas de Ponta Delgada, quando, subitamente, começaram a ver cair à sua volta granadas de grosso calibre que levantavam enormes colunas de água. Só então se aperceberam de que estavam a ser atacados a tiro de canhão por um submarino navegando à superfície. Aos gritos de «submarino!», «submarino!», o S. Miguel aumentou ao máximo a sua velocidade enquanto o Augusto Castilho passava a postos de combate, aumentava também a velocidade e começando a disparar contra o submarino e a lançar uma cortina de fumo para ocultar o São Miguel.

O submarino era alemão e estava armado com dois enormes canhões de grande calibre. O seu comandante era o experiente capitão-tenente Von Arnaul de La Periére. 

Iniciou-se então uma insólita batalha naval, com tiros de artilharia trocados entre a minúscula peça de ré do navio patrulha português e os dois monstros do submarino germânico. Graças à cortina de fumo lançada pelo Augusto Castilho e à pequena dimensão do alvo, os artilheiros alemães não conseguiam acertar com nenhum tiro no navio português, mas, por fim, as caixas de fumo acabaram-se, a visibilidade melhorou. O submarino aproximou-se e as granadas alemãs começaram, novamente, a cair muito perto das duas embarcações portuguesas.

Receando que o São Miguel fosse atingido, o comandante Carvalho Araújo inverteu o rumo do Augusto Castilho e avançou direito ao submarino, mas o navio patrulha português começava a ser atingido por estilhaços de granadas e a ter os primeiros mortos e feridos. Cerca de uma hora depois de ter começado o combate, o comandante Carvalho Araújo, vendo que o São Miguel já estava muito afastado, inverteu novamente o rumo e tomou o caminho do vapor, perseguido pelo submarino que continuava a bombardeá-lo intensamente. Nenhuma das granadas alemãs até então lhe tinha acertado em cheio, mas as que caiam mais perto produziam uma chuva de estilhaços que continuavam a fazer vítimas. Pelas oito da manhã acabaram-se as munições do navio patrulha português. Mais uma vez o comandante Carvalho Araújo inverteu o rumo e aproou ao submarino unicamente com a intenção de gastar todas as munições antes de se render. Quando estas se esgotaram mandou parar as máquinas e colocar a bandeira a meia adriça. Mas o fogo do submarino alemão continuava. O comandante português mandou içar a bandeira branca juntamente com a bandeira nacional, mas nem por isso o fogo do submarino abrandou. Nessa altura uma granada acertou em cheio no patrulha e uma onda de estilhaços varreu o navio. O comandante Carvalho Araújo caiu morto. O imediato e outros membros da tripulação ficaram feridos

Foi então que ocorreu um acidente grave a bordo do submarino. Uma das suas granadas explodiu prematuramente ao sair da boca da peça provocando avarias no seu casco exterior e em alguns tanques de combustível, sendo obrigado a suspender as hostilidades a fim de reparar as avarias, pelo que, o comandante do submarino deu ordens para cessar-fogo, pondo termo ao combate.

Ao ser içado o sinal de rendição, a guarnição do navio patrulha português colocou as embarcações na água, abandonando o navio. Mas uma das baleeiras estava muito danificada e foi ao fundo. A outra com vinte e nove homens a bordo, muitos deles feridos, seguiu à vela, sob o comando do aspirante Samuel Vieira, para a ilha de Santa Maria onde chegou dois dias depois, tendo morrido um dos feridos em combate durante a viagem. Os restantes doze homens, que tinham sido os últimos a deixar o navio, conseguiram, com um sobretudo dobrado, remendar o bote no qual, sob o comando do guarda-marinha Armando Ferraz, alcançaram a ilha de São Miguel após uma portentosa viagem de cerca de duzentas milhas a remos, sem comida e praticamente sem água.

O Augusto Castilho acabou por ser afundado com cargas explosivas colocadas a bordo.

 

(Fonte: Portal da Marinha)

 

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publicado por picodavigia2 às 18:21





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