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A CASA DO MANUEL DAWLING

Terça-feira, 14.01.14

Não tanto pelo seu formato, valor histórico ou pelo aspecto ou estrutura interior mas sobretudo pela sua localização e mais ainda pelas suas interessantes e inéditas fachadas exteriores, a casa do velho Dowling era uma das mais emblemáticas da Fajã Grande. Não porque tivesse a imponência e beleza da do Chileno, a altura e os três andares da do Tavares ou a sumptuosidade e a história da de Tio José Luís, mas sobretudo pela originalidade das suas fachadas, nomeadamente da que ficava voltada a noroeste, ou seja para o lado do Monchique e que confrontava com o Caminho de Baixo.

Com uma planta em forma de "U" e com dois pisos, um, o superior, destinado a habitação e um outro, o inferior, destinado a loja de arrumos, a casa do Manuel Dowling caracterizava-se e especificava-se por estar implantada entre duas ruas acentuadamente desniveladas: a Fontinha com o piso do empedrado praticamente paralelo ao telhado e o Caminho de Baixo, situado ao nível da porta a loja. As duas entradas da moradia, quer a da sala quer a da cozinha, podiam fazer-se por uma ou por outra das ruas, uma vez que o pátio que possuía em frente, voltado a sudoeste, comunicava com a Fontinha, através de uma escadaria de degraus de pedra rústica e com o Caminho de Baixo, neste caso atravessando o pátio da Casa de Espírito Santo de Cima que lhe ficava contígua.

O piso superior correspondia à habitação propriamente dita, enquanto o inferior era ocupado por lojas e tinha uma área menor porquanto resultava do aproveitamento do desnível do terreno. O acesso principal ao piso superior fazia-se através de uma escada com um pequeno balcão adossado à fachada principal. A porta de entrada era ladeada por janelas de peito com as ombreiras prolongadas inferiormente de modo a esboçar um avental. Ao nível da loja, junto ao arranque da escada, havia uma pequena porta alinhada pela janela da esquerda. Por sua vez o balcão ligava-se a um patamar que acompanhava a fachada lateral voltada para a Fontinha e onde se localizavam duas portas, separadas da empena do caminho por um estreito vão, formando uma espécie de rego, semelhante ao da vizinha Rosária Sapateira. Era através da escada de pedra tosca e estreita que fazia a ligação deste patamar com a Fontinha.

Era a fachada lateral esquerda, voltada a noroeste que assumia integralmente os dois pisos e era, obviamente a mais fascinante. Nela havia vários vãos com uma distribuição irregular: duas portas no piso térreo, sendo uma delas rematada em arco, sobre as quais havia, ao nível do piso superior uma janela de peito e uma janela de sacada, com a guarda de madeira à face das ombreiras e, mais afastada, uma janela de sacada com varanda saliente cuja guarda em madeira, com recortes e ripado, reproduz uma guarda mais antiga.

O edifício era construído em alvenaria de pedra rebocada e caiada, excepto o soco ou beira superior que era pintada de cinzento assim como todos os beirais, os cunhais, a cornija, a consola da varanda e as molduras dos vãos. A cobertura é do tipo de duas águas em telha de meia-cana tradicional, como era uso e costume na Fajã Grande, com beiral simples e telhão na cumeeira.

Na realidade a casa do Manuel Dowling era, sob o ponto de vista arquitectónico, um dos edifícios mais interessantes e de maior envergadura artística da Fajã Grande.

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publicado por picodavigia2 às 09:30





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