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2º DIA – RIBEIRA, EPICENTRO DE UM PRECÁRIO E DÉBIL ENVOLVIMENTO AGRCOLA

Terça-feira, 05.08.14

A Ribeira é pedaço de chão fértil e verdejante à espera de semeaduras, um torrão lávico atapetado de fertilidade e deslumbramento. Ali crescem em simultâneo legumes, hortaliças, pequenos arbustos e projectos de árvores de fruto, à mistura com silvados, beldroegas, milhã, junquilho, urtigas, bredos e outras daninhas que marfam, angustiam e desequilibram, por vezes até cerceiam por completo, o alegre e desejado crescer das primeiras. Umas atrevidas e invejosas estas ervaçais que, aproveitando as épocas de acalmia e tréguas, não cessam de crescer, de galgar, de se atirarem contra as outras, usurpando-lhes a força e o vigor da terra que as fortifica. Urge impor, ali, a ordem e o respeito, aniquilando as daninhas para que as outras possam crescer, desenvolver-se e frutificar.

Mas a manhã nasceu muito escura e cheia de brumas. O Sol de ontem, pareceu arrepender-se do fulgor que lançara por aqui e decidiu-se por descambar para os lados da Madalena e do Faial, deixando São Caetano e arredores numa espécie de abismo, incerto e inseguro, friorento e desagradável, aureolado duma indefinida incerteza, convidando, mesmo, ao remanso de Vale de Lençóis. Mas foi célebre o envolvimento matinal desta bruma que, cedo se desfez, é verdade que aos poucos, abrindo-se a novas aventuras, prevendo-se, no entanto, uma manhã menos escaldante do que a do dia anterior. Puro engano!

Mas que se cuidem as daninhas da Ribeira que, pela certa, vão levar desbaste. E não é que levaram mesmo…

Primeiro uns bons regos de feijão e milho. Havia que aproveitar, porque a madrugada, junto com as brumas com que se revestira, trouxera um chereno muito húmido, que aos bocejos que ainda se sentem de chuvas anteriores, pareciam tornar a terra fértil e produtiva. Urge aproveitar e os pequenos sulcos depressa se encheram de grãos de feijão e de milho, ávidos de se envolverem com o húmus e brotarem do solo, enchendo o chão de vida e de esperança verde. Ali ficarão a germinar, por alguns dias.

Depois a monda dos caculos das batatas-doces. As malditas daninhas exageraram no seu empolgamento, crescendo em demasia, sobrepondo-se, quase aniquilando a pobre rama que com elas se confundia. Levaram pela certa, as malditas, agora a secar e a apodrecer sobre o maroiço ao lado. A rama da batata-doce a agradecer. É verdade que, inicialmente, parecia, ligeiramente, insegura e triste. Imiscuíra-se naquele florescente ervaçal, habituara-se a ele, com quem crescia à porfia e agora até parecia que sentiam tristeza pela destruição das inimigas. Mas qual o quê! Depressa se ergueram e se ufanaram da vitória com que saíram desta espécie de contenda entre o bem e o mal. Agora parecem um “Banco Novo”, e as outras as venosas, as sobras do mal. O milho ao redor das batatas-doces, de tarde, também foi despejado das malditas que o cercavam e lhe obstruíam o crescimento. Agora restam ali, a exigir justiça, apenas as abobrinhas da entrada e pouco mais. E a safra também começou. Primeiro, três rechonchudos, vermelhos e bem maduros tomates, um repolhinho para a sopa e um pezinho de alface bem tenrinha para a salada.

Com tão grande esforço impunha-se um bom almoço. Braços, pernas, mãos, costas,Aquiles tudo dói! Mas lá estava o peixinho vermelho, cântaro, à espera para uma apetitosa açorda, acompanhada com uma salada e ala para a Madalena, onde se acumulavam algumas urgentes tarefas. Adivinhara, porque, na verdade, ali estava o Sol demasiado quente, claro e bronzeador que na véspera andara mais a Sul. Das impressões digitais nem vestígios! Perderam-se por completo ou desfizeram-se, numa incómoda desvantagem de ter que andar mais algum tempo sem Cartão de Cidadão. Há Coliveda no Dutra em abundância e papel filme numa loja,ali ao lado. Mas para adquiri-lo alguma turbulência. A menina que se apresenta ao balcão de vendas, pelos vistos é alfacinha de gema e está ali só para tomar conta. De nada sabe! Telefona e volta a telefonar, chegando, finalmente à conclusão de que há mesmo o dito papel, não sabe é onde. Convida-me a dar uma volta ou a ir fazer outras coisas que tenha a fazer, até o procurar. Como mais nada tenho para fazer, dou por ali umas pequenas voltas. Mas o Aquiles não ajuda e não o quero molestá-lo mais, até porque ando a fazer-lhe mezinhas com água do mar. Entre no Porto, para dois dedos de conversa e usufruir da sua sempre constante boa disposição. Regresso à loja do papel de filme e fico feliz porque dou com o dito cujo, semelhante em tudo, até no peso, como os rolos do Bricomarchê e penso que tudo está resolvido. Uma ova!... A menina agora não sabe o preço e, muito simpática e sorridente, manda-me dar mais uma volta. Home essa! A sorte dela é que, pelos vistos este é o único estabelecimento comercial madalenense que vende este produto. E agora? Para onde vou dar a volta. Como o calor e a sede apertam, vou ali a um bar e zás! Uma coca-cola marcha, inteirinha. Como há por ali “Ilha Maior” em abundância, aproveito para ler… finalmente lá veio o papel filme. Um grande rolo que há-de chegar para muitas malas e caixotes.

A água do Cais de São Caetano continua tentadora. O mar manso e a água deliciosamente boa para mais uma banhoca.

Regresso à Ribeira, que assim se tornou, neste dia, uma espécie de epicentro do envolvimento agrícola, para terminar as tarefas da manhã. O Sol ainda queima, mas já há sombras por ali. Mais uma hora e há que regressar a casa porque a sopinha ficou ao lume, embora no mínimo.

Bendito sejais Senhor, por esta excelente sopa, onde imperam os produtos nascidos da lava e do trabalho do homem!

 

 

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publicado por picodavigia2 às 07:44





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