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PÃO DE MILHO

Quarta-feira, 19.06.13

Na Fajã Grande, nas décadas de cinquenta e sessenta o pão tinha um papel primordial na alimentação das famílias, sobretudo das mais pobres. Cozido em cada casa, em grande quantidade, geralmente às sextas-feiras, o pão era guardado e armazenado a fim de que durasse para toda a semana. Cozia-se, geralmente, pão de milho, o qual tinha estatuto de elemento fundamental na alimentação de uma população que, lhe acrescentava, apenas, leite, queijo, um ovo estrelado ou conduto de porco. Pouco mais havia para nos alimentarmos. Para mim, na altura ainda criança, o pão de milho era o meu alimento fundamental, principal e preferido. Adorava-o, sobretudo, quando fresquinho e acabadinho de sair do forno… E então se acompanhado de leite…

O pão que se cozia na Fajã Grande, naqueles tempos, era feito com farinha de milho, a que se acrescentava, simplesmente, água e sal e era saborosíssimo. A massa, depois de fermentada, era cozida em forno de lenha, transformada em brasido. Uma vez varrido o forno era lá que se colocava o dito cujo, a cozer.

O pão de milho, geralmente, era acompanhado com leite quando acabado de cozer, mas também se comia quando já não era fresco, neste caso, migado no leite fervido. Outras vezes era estufado ou frito, mas também era muito apreciado quando barrado com manteiga, compotas, doce, queijo, ou banha de porco, daquela de guardar a linguiça e que trazia o seu sabor.

O pão, na realidade, é uma excelente fonte de hidratos de carbono e o nosso principal fornecedor de energia. Mas é também uma boa fonte de proteína vegetal e contem fibra e vitamina B. Apenas o pão de trigo, mas daquele muito branco, é permitido aos doentes portadores de insuficiência renal, porque este pão é feito de amido e é pobre em nutrientes: vitaminas e sais minerais, enquanto o integral contem todas as substâncias alimentares numa proporção conveniente e, além disso, contem fibras que ajudam a colaborar no bom funcionamento do intestino e auxilia no controle do colesterol e da glicemia, ao mesmo tempo que proporciona uma maior sanidade, por ser rico em fibras. O pão de milho, assim como o bolo e até o próprio milho cozido ou torrado, também está vedado aos doentes que sofrem de insuficiência renal.

Para as pessoas saudáveis, o pão, quer o de milho quer o de trigo, é um alimento que pode ser ingerido por todas as idades e só não devem comer pão, aquelas pessoas que tenham graves intolerâncias alimentares aos cereais constituintes, como a doença celíaca, assim como os hipertensos. Vale lembrar, que o pão por si só, não engorda, o que engorda é o consumo excessivo de pão e o que se mete nele. É essencial existir um equilíbrio entre aquilo que se ingere e o que se gasta, em termos energéticos.

O milho é um cereal natural, muito utilizado em virtude das suas propriedades nutricionais que possui. É um dos alimentos mais nutritivos que existem, contendo muitos aminoácidos. O segredo para o bom consumo do milho é, primeiro, nunca exagerar na dose e, segundo, procurar consumi-lo das formas mais naturais possíveis. Uma espiga de milho verde cozida ou assada, por exemplo, é preferível a uma lata em conversa.

O pão de milho, actualmente, está banido do meu cardápio. Dele, apenas a suave e doce lembrança da minha infância. Para além de degustar o seu adorável sabor, adorava ver as espiguinhas tenras e loiras, a florir, a encher os campos da Assomada do seu perfume dolentemente adocicado.

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publicado por picodavigia2 às 01:23





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