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ARTE POÉTICA

Quarta-feira, 19.06.13

 

(UM POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

O meu desejo abarca as ilhas todas do Mar.

Os continentes, que fastio de desertos povoados!

Terra, terra, terra

E rios tristes, ansiosas de deixá-la.

Terra mais alta,

Mais baixa,

Terra só.

Lonjuras de terra

Horizontes de terra.

 

Ora esta é a minha razão, a minha ciência:

Horizonte verdadeiro é o d’água e céu.

Com mar à roda a terra sente,

Anima-se, acorda de ser terra.

A água incita-a, fecunda-lhe

O amor de outras terras.

-E navega-nos o sangue, empurra-nos

Para onde reside

(sonhado ou real)

Dentro de nós o Além –de’Aqui.

 

Terra e mais nada que terra.

Ir de uma terra a outra por terra.

Sem riscos-nem mesmo imaginados.

Sem nenhum sobressalto...

Fiquem os restelos para os secos e pecos

Que tiveram medo da navegação.

A mim, o Mar!

 

Pedro da Silveira in Sinais de Oeste

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publicado por picodavigia2 às 10:42





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