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BOLO-REi

Quinta-feira, 06.06.13

O Bolo-rei é um bolo típico português que se come tradicionalmente entre o Natal e o Dia de Reis e, por vezes, nessa altura do ano, nos é oferecido ou trocado como prenda por parentes, vizinhos e amigos. No entanto, actualmente, a maioria das confeitarias e casas da especialidade disponibilizam-no, praticamente, durante todo o ano.

De forma circular, com buraco redondo no centro, tipo rosquilha açoriana, o bolo-rei é feito de uma massa branca e fofa, também algo parecida com a massa sovada das ilhas, misturada com passas, frutos secos e frutas cristalizadas. Tradicionalmente, no seu interior encontram-se também, por altura do Natal, uma fava seca e um pequeno brinde, este, normalmente feito de metal. Cuida o povo, na sua ingénua e simples sabedoria, que fava concede, a quem a recebe numa fatia, o dever de pagar o próximo bolo-rei, enquanto o brinde dá sorte a quem o encontra. Consta que havia ainda quem, antigamente, colocasse no interior do bolo-rei pequenas adivinhas, cuja recompensa, para quem as decifrasse, seria meia libra de ouro, como forma de presentear a quem se oferecia o bolo.

A origem do bolo-rei remonta, ao que se sabe, ao tempo dos romanos. Estes tinham por hábito eleger o rei da festa durante os seus lautos banquetes festivos e bacanais, servindo-se de uma fava para o sorteio, pelo que o comensal escolhido era também designado, por vezes, por “rei da fava”. A Igreja Católica aproveitou o facto de aquele costume romano ser característica do mês de Dezembro e decidiu relacioná-lo com a Natividade de Jesus e com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro. Assim se criou e manteve o costume de comer aquele bolo durante estes dias. A influência da Igreja Católica na Idade Média, ainda determinou que a Epifania fosse designada por “Dia de Reis” e como que fosse simbolizada por uma fava introduzida dentro de um bolo.

Em Portugal, com a proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910, a existência do bolo-rei foi posta em risco por causa do nome conter a palavra "rei". De acordo com a lógica republicana vigente, deixando o rei de existir na hierarquia nacional, também o bolo tinha que desaparecer ou, no mínimo, ter outro nome. Os confeiteiros nacionais, partindo, mais uma vez, do princípio de que negócio é negócio e política é política, continuaram a fabricar o bolo sob a simples designação de "bolo de Natal".

Os doentes com Insuficiência Renal Crónica ou em tratamento de substituição devem ter especial atenção quando consomem este bolo ou até abster-se, totalmente, da sua degustação, dado que ele possui uma boa quantidade de frutos secos que são muito ricos em fósforo e também passas que se caracterizam por concentrarem grandes quantidades de potássio, para além das frutas cristalizadas muito ricas em açúcar. Por isso há que abdicar radicalmente e absolutamente mesmo que seja de uma pequenina das saborosíssimas fatias de bolo-rei, incluindo o bolo escangalhado. É que na realidade, para os doentes portadores de insuficiência renal, entres os quais eu me incluo, as únicas partes do bolo-rei de que podem usufruir são a fava e o brinde! Mas, desgraçadamente, até já estas, começam a rarear, nos bolos-reis actuais.

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publicado por picodavigia2 às 09:50





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