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INDEPENDÊNCIA DOS AÇORES

Domingo, 01.09.13

Logo após o 25 de Abril de 1974, como era de esperar, surgiram algumas vozes e criaram-se organizações e movimentos que clamavam, aos quatro ventos, a independência das ilhas açorianas. Entre estes últimos, teve maior expressão a FLA - Frente de Libertação dos Açores - que, no contexto da Revolução dos Cravos, defendeu e propalou a temática relativa à independência dos Açores, em relação a Portugal. A FLA era um movimento político, ilhéu, singular, paralelo e semelhante à Frente de Libertação que, na altura, também existia na Madeira.

A FLA, segundo rezam as crónicas, foi criada em Londres, a 8 de Abril de 1975, e, nos meses seguintes, concretizou diversíssimas acções de propaganda e divulgação dos seus ideais e objectivos, pese embora uma ou outra dessas acções fossem recheadas de gritos de revolta e eivadas de algumas manifestações que chegavam a roçar a violência.

Este movimento que apesar de, esporadicamente, se apresentar com carácter intimidatório, marcadamente hostil em relação aos indivíduos de outras sensibilidades políticas, teve forte apoio da burguesia açoriana, sobretudo da ilha de São Miguel, onde muitos proprietários e latifundiários se manifestavam receosos de uma possível nacionalização das suas terras, à semelhança do que sucedia em Portugal Continental.

Na altura era voz corrente de que o seu líder, José de Almeida, terá chegado a tentar, repetidas vezes, negociar com o Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, as condições para uma presumida independência do arquipélago, tendo todavia aquele órgão rejeitado qualquer tentativa de contacto, por considerar a proposta irrealista.

Do ponto de vista económico, os "independentistas" açorianos propuseram como principais meios de subsistência do seu projectado “Estado Independente”, a renda que deveria vir da base das Lajes, na Terceira, e o recurso à energia geotermal, para suprir as necessidades energéticas que adviriam de um isolamento inicial face a Portugal continental. Refira-se a este propósito, a manifesta e clara insuficiência dessas medidas, que não chegariam para assegurar a subsistência da população açoriana e ainda o facto de a Base das Lajes, actualmente, já não oferecer, ao arquipélago, as garantias económicas doutros tempos.

Presentemente, a FLA está desprovida de qualquer implantação local e persiste apenas como memória, sobretudo no imaginário daqueles que por ela foram responsáveis.

Na realidade, em 1975, vários dirigentes portugueses reuniram-se para deliberar o que fazer aos Açores e a Madeira. Uma parte defendia a imediata concessão da independência dos dois arquipélagos, enquanto a outra defendia a manutenção dos territórios insulares nas mãos portuguesas, sobretudo, devido à criação da Zona Económica Exclusiva. Ganhou a segunda facção.

Mas a ideia da independência dos Açores, não aparenta ter morrido em 1975. Pelo contrário, parece ter regressado nos tempos actuais, talvez devido à tão propalada crise que o país atravessa. Isto porque, segundo o jornal Açoriano Oriental, referiu, recentemente, que o líder histórico da Frente de Libertação dos Açores (FLA), José de Almeida, há pouco tempo, que os Açores "vão ser independentes", não pela força, mas sim pelo diálogo com Portugal, "por razões culturais, históricas, memórias comuns e muitos interesses por definir", e com os EUA, "por razões geoestratégicas".

 “Nós vamos ser independentes. Aos açorianos cabe a responsabilidade de procurar, de perseguir diálogos com a convicção e a serenidade de quem sabe o que quer e não quer, no acontecer da Independência dos Açores”, terá dito aquele líder independentista.

 “Eu pertenço ao grupo daqueles que afirmam não querer morrer, nem matar, por pátria nenhuma, nem pela minha. Eu quero é viver para e na minha pátria Açores”, sublinhou, acrescentando, que não poderão contar consigo “para que se repitam os erros do passado”.

Ficou, contudo, o recado: ”se esta autonomia não salvaguardar a soberania dos açorianos sobre o mar dos Açores - que o secretário de Estado do Mar do Governo de Portugal disse ter um potencial de dezenas de mil milhões de euros por ano, lembrou José de Almeida - (...) só nos resta a luta pela independência. E quando lá chegarmos, qualquer compromisso assumido sobre o mar dos Açores que beneficie terceiros não será aceite por nós” .

Recorde-se que actualmente circula na net uma Petição para a Independência dos Açores, destinada aos Açorianos e outras pessoas que a queiram assinar e que será enviada ao Governo Regional dos Açores, ao Primeiro-Ministro de Portugal, ao Presidente da República Portuguesa e à Assembleia da República e ao Parlamento Açoriano. No entanto, a petição contava, há um mês, apenas com 61 assinaturas.

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publicado por picodavigia2 às 10:57





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