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HEMISFÉRIOS

Domingo, 15.09.13

Para além dos clássicos e gigantescos hemisférios terrestres que, sendo dois, uma vez que o Planeta Terra tem uma forma aprimoradamente esférica, acabam por ser quatro – norte e sul, se o planeta é divido pelo equador e ocidental e oriental se demarcado pelo meridiano de Greenwich – existem muitos outros hemisférios, com tamanhos diversos, mas todos com a mesma forma e alguns com funções paralelas. Os mais conhecidos, talvez mesmo os mais inebriantes na história e no desenvolvimento científico da humanidade são os de Magdeburgo, inventados e construídos por um dos burgomestres daquela cidade alemã - Otto von Guericke, também ele o inventor da bomba pneumática.

Antigamente, nas aulas de Físico Química, para provar a existência da “pressão atmosférica”, para além de se referenciarem muitos fenómenos do nosso quotidiano, recorria-se a estes celebérrimos hemisférios, constituídos por duas grandes abóbadas metálicas, ocas, de forma hemisférica que se ajustavam uma com a outra formando uma esfera. Do seu interior extraía-se o ar com uma bomba ou máquina pneumática, provocando-se o vácuo, no seu interior. Para a realização das experiências com o fim de demonstrar a existência da pressão atmosférica, os hemisférios eram justapostos, formando uma esfera oca. O interior da esfera comunicava com o exterior através de uma torneira, permitindo a sua ligação à máquina pneumática. Extraído o ar do seu interior, fechava-se a torneira e suspendia-se a esfera de um tripé apropriado por meio de uma argola existente num dos hemisférios. Do hemisfério inferior suspendiam-se pesos continuamente crescentes, até que os hemisférios se separassem. Ficava-se, assim, a conhecer a força exercida pelo ar atmosférico sobre o hemisfério inferior e, consequentemente, o valor da “pressão atmosférica”.

Outros hemisférios não tão conhecidos, talvez quase totalmente ignorados por muitos, são os hemisférios inventados e construídos por Halec von Cklarr, que, sendo germânico, não era senhor, nem muito menos burgomestre de uma cidade alemã, ou de outro país qualquer. Verdade porém é que os hemisférios por ele construídos também eram compostos por duas grandes abóbadas prateadas, ondulantes, luzidias, embora não ocas. À semelhança dos de Otto von Guericke os hemisférios de Halec von Cklarr também tinham forma hemisférica, estando separados por uma espécie de rilheira, semelhante às que as rodas dos carros de bois deixavam marcadas nas pedras da calçada e que unia as duas abóbadas, numa simbiose perfeita e delirantemente prática, ajustando-as uma com a outra, formando uma autêntica e genuína esfera – um diadema de anseios transcendentes, um espectro de desejos audaciosos, um paradigma de esbatidas esperanças. Do interior destes hemisférios não se extraía rigorosamente nada, ou coisa nenhuma, sendo que a máquina pneumática, supostamente introduzida na rilheira da esfera, no caso destes hemisférios, apenas produzia uma explosão exterior, provocando, assim, uma pressão semelhante à atmosférica, motivo porque Halec von Cklarr havia construído os hemisférios. Para a realização das experiências com o fim de criar a “pressão atmosférica”, os hemisférios deviam ser justapostos, formando uma esfera, que, embora opaca, era perfurada e comunicava com o exterior e vice-versa, como acontecia nos de Magdeburgo, através de uma torneira, permitindo a sua contínua e permanente agitação. A torneira nunca se fechava, apenas quando se suspendia a movimentação e, após ser detectada a existência da “pressão atmosférica”, se quedava, na expectativa duma nova utilização.

Contrariamente aos hemisférios de Otto von Guericke que eram usados no ensino secundário, os de Halec vom Cklarr eram utilizados nalgumas universidades.

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publicado por picodavigia2 às 19:38





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