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NUNES DA ROSA E AS “PASTORAES DO MOSTEIRO”

Terça-feira, 24.09.13

Francisco Nunes da Rosa, filho de emigrantes naturais da ilha do Pico, nasceu na Califórnia, em 22 de Março de 1871, estudou no Liceu da Horta e no Seminário de Angra, ordenando-se sacerdote em 1893, altura em que foi nomeado pároco da freguesia do Mosteiro das Flores, cargo que exerceu até 1896, tendo sido, nesse ano, transferido para a paróquia das Bandeiras do Pico. Nunes da Rosa distinguiu-se também como escritor e jornalista, pese embora a sua obra literária nunca tenha obtido o reconhecimento público que talvez lhe fosse devido.

Durante os anos que viveu e paroquiou no Mosteiro, Nunes da Rosa, escreveu um dos seus mais interessantes livros, “Pastoraes do Mosteiro”, um conjunto de contos naturalistas e idílicos, de uma simplicidade e singeleza ímpares e onde revela os traços físicos e humanos da ruralidade não só da freguesia do Mosteiro mas também da ilha das Flores, nos finais do século XIX, bem como costumes, vivências e tradições de um quotidiano laborioso mas alegre, pobre mas pleno de simplicidade, isolado mas repleto de ternura, de amor, de carinho e de troca de afectos.

O livro é constituído por dezoito interessantíssimos contos, destacando-se entre os mesmos um, intitulado “A Cruz da Caldeira”, escrito em 1894, que, pelo seu conteúdo e por se enquadrar entre algumas lendas ou “estórias” que nos eram contadas pelos nossos avoengos, tem, em minha opinião, um interesse desmesurado e uma singularidade específica. Nele, Nunes da Rosa traz-nos ao vivo os antigos serões em que as pessoas se juntavam nas casas umas das outras para conversar e jogar às cartas mas também para se ajudarem reciprocamente nas tarefas agrícolas e domésticas, como era o caso do “encambulhar” e descascar o milho. Durante estes serões contavam “estórias” ou casos passados antigamente, geralmente caldeados com lendas, tradições e algo de estranho, misterioso ou até sobrenatural que, supostamente, tivesse acontecido. É o caso narrado pelo autor, neste conto, em que durante um serão numa casa do Mosteiro, o Tio José de Freitas, para espanto de todos os presentes, conta a “estória” da Cruz da Caldeira que também ouvi contar muitas vezes na Fajã Grande.

Um outro conto do mesmo livro e que desperta a atenção é o último com o título de “Nota Única”, onde narra a “estória da Asiladinha da Assomada” e que dedica ao seu “amigo e irmão (no sacerdócio) Francisco Vieira Bizarra”, nessa altura pároco na Fajã Grande. Atendendo que Nunes da Rosa dedica cada um dos seus contos a uma personagem, como ao Visconde Borges da Silva, a Marcelino de Lima, a Osório Goulart, a Cónego Amaral, etc, apenas ao Padre Bizarra o faz nestes termos, o que significa que terão convivido bastante e que Nunes da Rosa terá visitado a Fajã Grande com muita frequência, pelo que costumes, vivências e tradições descritas nos seus textos terão também muito a ver com costumes, vivências e tradições da mesma, bem como de toda a ilha das Flores.

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publicado por picodavigia2 às 10:12





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