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AVENTURA INCRÍVEL

Quarta-feira, 29.01.14

Ontem, dia 8 de Março, a vila da Madalena e toda a parte sul da ilha do Pico, foi assolada por ventos fortíssimos, com rajadas a rondar os 100 km/hora.  Consequentemente o mar embraveceu e agigantou-se, com ondas de 9 metros e, pior do que isso, a soprar de Noroeste, ou seja direitinho pela pequena baía que circunda a vila da Madalena. Cuidou-se que a lancha das seis não viria, tal era a agitação do mar. Mas veio! Veio e entrou no porto da Madalena graças à sábia e astuta perícia do mestre, homem do Pico, experiente nestas andanças. A zona das piscinas “virou” local de romaria, num espectáculo para uns preocupante e aterrador, até por que tinham familiares a bordo, para outos deslumbrante e inesquecível!

Simplesmente indescritível!

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publicado por picodavigia2 às 18:08

MAROIÇOS DE MANUEL TOMAS

Segunda-feira, 27.01.14

Foi lançado, no passado dia 9 de Março, na vila da Madalena, na ilha do Pico, por ocasião da celebração do 290º centenário da elevação daquela localidade a concelho, o livro Maroiço da autoria do Dr Manuel Tomás da Costa. Trata-se do último trabalho deste escritor e poeta picoense, apresentado no salão solene dos Paços do Concelho, com a presença dos presidentes da Câmara, José António Soares, da Assembleia Municipal, Dr Álvaro José Alves Manito e de muito público. Trata-se de um livro de poesia, editado pela Companhia das Ilhas, sediada nas Lajes do Pico e cuja apresentação esteve a cargo do Dr Júlio Aroeira, professor da Escola Cardeal Costa Nunes e do Dr Manuel Costa Júnior, Director do Museu Regional do Pico, sendo a mesma precedida pela encenação do espectáculo cénico, “Entre a terra e o mar”, apresentado por um grupo de alunos da EBS da Madalena, sob orientação das professoras Carla Silva e Gilberta Goulart.

Natural da Madalena do Pico, Manuel Tomás fez uma boa parte da sua formação académica no Seminário de Angra, tendo dedicado toda a sua vida profissional ao serviço da educação, quer como professor, quer como dirigente de algumas escolas, sendo actualmente director da escola básica e secundária Cardeal Costa Nunes, da Madalena. Manuel Tomás faz parte da “ínclita geração” que frequentou e se formou no Seminário de Angra, na década de sessenta, sob a competência, a sabedoria, o humanismo e a dignidade de um excelente punhado de mestres que, na altura, constituíam o corpo docente daquela instituição. Manuel Tomás que, segundo as palavras do autarca madalenense, José António Soares, tem dado “ um contributo inestimável no campo da Informação, na nossa região e, sobretudo, na nossa ilha, como co-fundador do jornal: “Ilha Maior”, pelo qual foi responsável durante largos anos como Director”, iniciou a sua actividade literária em 1978 com alguns ensaios, publicou em 1996, “Miragem do Tempo” de Tomás da Rosa, em 1999, A Música das Sete Cidades e em 2011 Eu Sei Lá o Quê, o seu primeiro livro de poesia. Este ano, para além da obra agora apresentada, já publicou Picolândia, uma colecção de crónicas divulgadas ao longo de alguns anos, em jornais da região.

Telúrica, acutilante, realista mas deslumbrantemente enternecedora, a poesia de Manuel Tomás em Maroiço apresenta-nos um Pico espelhado em emoções e sentimentos, “a terra dos ilhéus” descrita “à maneira antiga” onde as cores, os sons, os perfumes e os sabores da natureza, pura, original e genuína, nos penetram, dominam e como que nos cristalizam numa simbiose ente “as pedras pedrinhas e pedregulhos” que desde os primórdios do povoamento, os nossos antepassados foram arrancando do chão pétreo, para conquistar uma “nesga de terra”. Da sua pachorrenta e sofrida arrumação formaram-se os maroiços, autênticos zigurates recheados de funchos e heras, testemunhos vivos da persistência picoense, ecos de um passado egrégio e progénie, a envolverem-nos em sensações dinâmicas, que nos enlevam em encanto e nos sublimam em deslumbramento. Ladeados por atalhos e veredas, atapetados de musgo, balizados por bardos de incenso e faia ou ornados de madressilva e poejo, erguidos nas encostas pedregosas da ilha, muitos deles, talvez, nos primórdios do povoamento da mais jovem ilha açoriana. Manuel Tomás ainda nos transporta por viagens de sonho, pelos mares que rodeiam a ilha e a separam das outras que por ali abundam, em barcos recheados de memórias, muitos deles com a história escrita nas ondas e agora a apodrecer sobre o cais. Depois, chegam as gaivotas que “já não cantam, nem voam à noite”, o mar, a espuma, “as sombras” da montanha e “o vento e o vinho destes mares verdes e sem limite”.

A encerrar a apresentação, Manuel da Costa Júnior, surpreendeu o autor e o público presente ao cantar, acompanhando-se à viola, um dos poemas do livro de Manuel Tomás - “Canção do Garajau”, com música da sua própria autoria:

 

“Partir na voz do vento

ouvir as asas do vento

estar e não estar

tocar no seio do vento

e ver a onda

no momento de salgar a alma

 

Partir na voz do vento

regressar em toada molhada

pela rocha e pelo relento

sem sotavento

sem barlavento

sempre à deriva

na amura de um fado”.

 

Texto colocado no Pico da Vigia em 19 de Março de 2013

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publicado por picodavigia2 às 00:10

O REGRESSO DO COLCHÃO

Domingo, 26.01.14

Depois dos acontecimentos políticos dos últimos dias e dos pertinentes comentários que se ouvem e lêem começa a parecer-me, o que há muito vinha cuidando, que isto está mesmo muito mau, diria, péssimo. Como dizia a minha avó “não há ponta por onde se lhe pegue.

Após as decisões do Tribunal Constitucional, elogiadas por uns e condenadas por outros, muitos comentadores políticos e alguns “paineleiros” de programas televisivos e das rádios, assim como um ou outro político, começaram a jurar “a pés juntos” que só nos restam três alternativas, cada uma delas mais dramática do que a outra: ou o Governo arranja, à “queima-roupa” um plano B que, pelos vistos nunca teve mas deveria ter tido, ou o mesmo Governo demite-se ou é demitido e é colocado como chefe de um novo governo um “tresloucado” qualquer, por nomeação ou através de eleições legislativas intercalares, ou caímos todos num buraco sem fundo, que desde há muito andámos a escavar.

Parece-me, no entanto, que quer se verifique a primeira ou a segunda destas hipóteses, porque no caso da terceira tudo é muito mais linear, corremos sérios riscos de a famigerada “Troika”, nos fazer algo semelhante ou ainda pior do que aquilo que, há uns meses, fez em Chipre: “gamar-nos” 50% de todos os depósitos e contas bancárias superiores a dez mil euros. Perante tal, embora apenas hipotético, descalabro, parece que há quem ande já - se é que ainda seja possível – a poupar uns troquitos e, à semelhança dos nossos avoengos, embora estes por outras razões, os ir guardando debaixo do colchão.

 

Texto publicado no Pico da Vigia em 6 de Junho de 2013

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publicado por picodavigia2 às 13:51

NOVA TRANSPORTADORA MARÍTIMA ENTRE AS FLORES E O CORVO

Domingo, 26.01.14

Desde do corrente mês de Abril, que a Empresa de Barcos do Pico de Amaral, Felicianos & Faria Lda, passará a ser a única responsável pelas as ligações marítimas entre as Flores e o Corvo, assegurando pelo menos duas viagens semanais entre as Flores e a mais pequena ilha dos Açores, com a excepção dos meses de Julho e Agosto, em que se prevê que sejam realizadas três ligações por semana.

A viagem inaugural realizou-se no passado domingo, dia sete, sendo efectuada pelo navio “Lusitânia” que saiu na passada sexta-feira, dia cinco de Abril, do porto da Madalena com destino ao grupo Ocidental açoriano. O Lusitânia que, no dia sete, partindo de Santa Cruz, atracou no Porto da Casa, no Corvo, concretizando assim a primeira viagem entre as duas ilhas, ao abrigo do novo contrato de concessão deste serviço. Segundo o jornal on-line Açores-9 e outros meios de comunicação social da região, o Fundo Regional da Coesão, na sequência do procedimento por concurso público, adjudicou no início de Janeiro o contrato de prestação de serviços relativo ao transporte marítimo regular de mercadorias entre as ilhas das Flores e do Corvo, àquela empresa, pelo montante global de 1.062.600 euros. O contrato foi visado pelo Tribunal de Contas, no dia 19 de Março, entrando de imediato em vigor.

A Empresa de Barcos do Pico vai, assim, a partir de agora, assegurar as ligações semanais entre Flores e Corvo, sendo esse serviço de transporte efectuado pelo navio Lusitânia, com uma capacidade de carga de 125 toneladas, e, em caso de impedimento deste, pelo navio Cecília A, com capacidade para 350 toneladas de carga. Esta nova operação vai permitir um aumento da capacidade média semanal de carga transportada de cerca de 60 toneladas, podendo ser transportadas para o Corvo, em média e por semana, mais de 277 toneladas. Com a entrada em vigor do novo contrato, o anterior quadro que regulamentava o transporte marítimo de mercadorias entre as Flores e o Corvo deixa de vigorar, bem como os direitos e obrigações previstos.

Sendo assim, a MareOcidental, empresa de transporte marítimo sediada em Santa Cruz das Flores e que, até agora, fazia a ligação entre aquelas duas ilhas do grupo ocidental açoriano, vai encerrar, uma vez que, segundo Mauro Lopes, sócio-gerente da MareOcidental “a entrada de um novo operador de transporte marítimo de mercadorias não deixa outra alternativa à empresa.” Prevê-se, assim, que o encerramento da empresa coloque no desemprego 11 funcionários, o que, numa ilha com pouco mais quatro mil habitantes é muito

Aquele jornal ainda acrescenta que secretário regional do Turismo e Transportes revelou, na Comissão Parlamentar de Economia, que o processo de elaboração das obrigações de serviço público do transporte marítimo de passageiros e carga rodada vai estar concluído no final do ano

Uma outra boa notícia para florentinos e corvinos, vinculada pelos jornais açorianos é a de que o navio "Odin Finder" já se encontra desde o passado dia oito, no porto da Horta e de que já se encontram a bordo técnicos qualificados da PT Açores. Recorde-se que o RV Odin Finder é o navio que vem fazer o "survey" da rota de lançamento dos novos cabos submarinos que ligarão a Praia de Porto Pim, na ilha do Faial ao Boqueirão de Santa Cruz das Flores, ao Boqueirão do Corvo e ao Carapacho na ilha Graciosa.

Texto publicado no Pico da Vigia em 11 de Abril de 2013

 

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publicado por picodavigia2 às 10:16

INSÍGNIAS AUTONÓMICAS E FESTEJOS DO ESPÍRITO SANTO

Domingo, 26.01.14

Ontem, feriado na região, celebrou-se, aqui nos Açores, à mistura com os festejos em honra do Divino Espírito Santo, o dia dos Açores. Integrada nas celebrações deste dia, realizou-se, na cidade da Horta, uma sessão solene, presidia pela Presidente da Assembleia Regional, com o objectivo de homenagear quase quatro dezenas de cidadãos, na sua maioria naturais dos Açores, uns residentes nas ilhas outros dispersos pela diáspora e alguns já falecidos, a quem foram entregues as várias Insígnias Autonómicas da Região.

Há dias havia recebido, efusivamente, a notícia, de que um dos homenageados pela Assembleia Regional dos Açores era Monsenhor José Soares Nunes, meu professor no Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo e a quem devo grande parte da minha formação académica e humana. Ao humilde e carismático Monsenhor José Nunes seria atribuída, a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico dos Açores. Essa a razão pela qual decidi acompanhar a cerimónia, transmitida em directo pela RTP Açores.

Aguardei pacientemente que chegasse a ocasião de ser chamado o Dr José Nunes e ouvir ler o seu currículo. Os olhos encheram-se de lágrimas e o peito de emoção, ao ver aquele homem simples, humilde, bondoso e simpático, aquele amável, dócil, modesto e competente professor receber um galardão que com toda a justiça lhe foi atribuído pelo Parlamento Açoriano. Bem hajam os que tiveram a hombridade de o fazer.

No entanto a atribuição de uma outra Insígnia Autonómica de Reconhecimento, também me encheu de gáudio e contentamento. Foi a atribuída ao Seminário Episcopal de Angra, na altura em que celebra os 150 anos da sua existência. Nada mais justo e merecido.

Também homenageado foi o António José Cassiano, actualmente a paroquiar em São Miguel, Monsenhor Júlio da Rosa, um antigo aluno do Seminário de uma geração já posterior à minha e, a título póstumo, o padre José Simões Borges. Isto significa, em termos gerais, que das 37 Insígnias Autonómicas atribuídas pela Assembleia, seis dizem respeito directamente ao velhinho Seminário de Angra, o que é gratificante, pelo menos para quem, como eu, o frequentou durante doze anos. 

 

* * *

Hoje, aqui, na freguesia de São Caetano do Pico, celebra-se a festa em honra e louvor do Divino Espírito Santo. Para além da parte litúrgica, onde sobressaem a celebração da eucaristia, o terço cantado durante a semana anterior e a organização de procissões e cortejos, esta festa consubstancia a partilha da carne e do pão, outrora apenas junto dos mais pobres, hoje extensiva a todos. Este sentido de partilha tem um significado muito abrangente porquanto a ela estão ligados rituais e costumes ancestrais, geralmente relacionados com promessas feitas pelos antepassados em momentos de enorme angústia e aflição, em virtude de crises sísmicas, catastróficas, acontecidas na altura, durante as quais o povo solicitava o auxílio divino para travar as correntes de lava que arrasavam a ilha, destruindo habitações, povoados e culturas. Na realidade, os festejos em honra e louvor do Divino Espírito Santo constituem, na freguesia de São Caetano, como em toda a ilha montanha, uma genuína tradição, muito provavelmente trazida pelos primeiros povoadores e implementada com um cunho religioso e cultural muito forte, mantendo-se, ainda hoje, com rituais e celebrações muito semelhantes às dos tempos antigos, com destaque para um inusitado e interessante cerimonial em que o "imperador" leva, em procissão, a coroa, até à igreja, com a qual é “coroado”, no fim da missa. De realçar ainda a realização da chamada "função" que consiste, fundamentalmente, na participação colectiva num almoço de praticamente toda a população da freguesia que se senta, conjuntamente, à mesma mesa, saboreando as típicas e tradicionais sopas do Senhor Espírito Santo. Mas o que mais revela este sentido de partilha mútua e de comunhão recíproca das festas do Espírito Santo, é o facto de em São Caetano, como em todas as freguesias do Pico e até em alguns lugares da mesma freguesia, também se distribuir por todos os habitantes e pelos forasteiros massa sovada, no caso de São Caetano, sob a forma de rosquilhas.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 21 de Maio de 2013.

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publicado por picodavigia2 às 00:27

ÁFRICA FRENTE E VERSO DE URBANO BETTENCOURT

Domingo, 05.01.14

Integrada no programa do festival de verão “Caisagosto 2012”, organizado pela Câmara Municipal de São Roque do Pico, teve lugar, no passado dia 26 de Junho a apresentação do livro “África frente e verso” de Urbano Bettencourt. O evento ocorreu na Biblioteca Municipal e contou com a presença do autor, estando a apresentação da obra a cargo de Carlos Alberto Machado. Ao longo da sessão foram lidos alguns textos do referido livro por Susana Moura e pelo próprio autor que também explicou, aos presentes, o contexto em que a maioria dos textos foi escrita, tendo como pano de fundo o cenário da guerra colonial, em África.

Urbano Bettencourt, natural da freguesia da Piedade, concelho das Lajes, ilha do Pico, é professor de Literatura Portuguesa, Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa e de Literatura Açoriana na Universidade dos Açores, está representado em várias antologias nacionais e estrangeiras. É autor de vasta obra, onde predominam a poesia e o ensaio literário. Publicou o seu primeiro livro, “Raiz de Mágoa”, em 1972, em Setúbal, altura em que leccionava naquela cidade. Seguiram-se “Ilhas”, em 1976, “Marinheiro com Residência Fixa”, 1980, “Naufrágios Inscrições”, 1987, “Algumas das Cidades”, 1995, “Lugares sombras e afectos”, e “Santo Amaro sobre o Mar”, 2005, e “Que Paisagem Apagarás”, 2010, para além de vários ensaios, uns publicados em livro, outros dispersos por revistas da especialidade, dentro e fora do país

Segundo o próprio autor, o livro agora apresentado, “África frente e verso” e que contém uma primeira parte intitulada “Recuperar o Tempo”, constituída por (13+1) poemas e uma segunda onde predominam textos de prosa-poética, “recupera os textos que ao longo de vários anos foi deixando nos seus livros, acrescidos de alguns inéditos, e nos quais a experiência da guerra repercute, sucessivamente refeita e transfigurada, agora a uma luz crua, e cruel também”. Trata-se, pois, de uma colectânea de textos cuja temática integrou o quotidiano mavórcio do próprio autor, nos primeiros anos da década de setenta do século passado, em plena guerra colonial, em Bissorã, (Guiné-Bissau) e que, de algum modo, revelam “os fantasmas de uma geração aflita” atulhada com a permanente e contínua ameaça do recrutamento para a guerra do Ultramar. É pois um livro “contaminado pela guerra” e no qual, por isso mesmo, talvez nos traga mais luz sobre o “verso” do que propriamente sobre a “frente” de uma África, massacrada, consternada, sofredora, com os perfumes tropicais e das bolanhas a misturarem-se com cheiro mefítico do enxofre e da pólvora, com sons dos batuques a silenciarem-se com os rebentamentos estrambólicos dos obuses, com os tiros acutilantes das Kalashes e com o trepidar lento e moroso dos Unimogs, com os sabores das noites frescas e dos frutos adocicados a cruzarem-se com os dissabores da tragédia permanente, com o colorido do entardecer e o “lilás violado em cada noite pelas bombas”, onde até as “baga-baga” se erguiam majestosas, altivas e imponentes nas suas perspectivas de gigante, no meio da savana, secularmente construídas por colónias de formigas e se confundiam com os soldados – “estátuas de sombras, trémulas e cansadas”. O verso e talvez até o reverso de uma África onde até a especificidade linguística dos falares fulas, mandingas, balantas e bijagós e o “manga de ronco” se apagam e amarfanham pelo palavreado obsceno das patrulhas militares, e as aguarelas florescentes das madrugadas africanas se obstroem pela recolha permanente e continua dos mortos em combate e dos caixões de chumbo guardados nas sacristias das igrejas, à espera de transporte para a Metrópole.

Por tudo isso e por muito mais, ainda bem que o “meu amor não veio à guerra”, à guerra do “verso” duma África, reprimida, torcida, e dorida, porque e para além de não provar a “agonia dos rios moribundos, derramando tédio nas horas magoadas” ilibar-se-ia da morte numa emboscada “entre o Uenquem e o Imboé” ou, talvez pior, do rebentamento de uma mina e do sucessivo ataque ao longo do famigerado “carreiro da morte”, numa das colunas geralmente atacadas e que por ali eram forçadas a circular, entre Cutiá para Mansabá, com destino a Farim, ou, quem sabe, até do massacre duma qualquer tabanca de nativos.

Todos os que como Urbano Bettencourt viveram o terror, a angústia, o medo, a aflição permanente e a imposição da guerra que não era sua e na qual se viram envolvidos involuntariamente e para onde foram conduzidos à força e que, além disso, embora sem o poder manifestar, já se opunham e condenavam a ideologia que a defendia, mantinha e incentivava, armazenaram dentro de si sentimentos de revolta permanente, momentos de sofrimento angustiante, imagens de tragédias terríveis, resultantes de um envolvimento contínuo, premente e destruidor, em ataques massivos, emboscadas permanentes, massacres arrasadores, em que tombavam colegas e amigos de um lado, homens e irmãos de outro. Mas nem todos, talvez mesmo poucos ou apenas alguns, os prestigiados, os assinalados pelas musas, os dotados com a beleza e a sublimidade da poesia e da escrita o souberam traduzir em palavras, sob a forma de poemas, como o fez Urbano Bettencourt, no livro “Africa frente e verso”. Como diria um conceituado crítico literário “África Frente e Verso….despeja força e sangue, raiva e amor… Faz parte de uma literatura cuja arte maior tem sido sempre a coragem de desconstruir os meandros submersos da nossa sociedade…”

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 03/08/12

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publicado por picodavigia2 às 10:46

PAZ PARA A SÍRIA - EM 74 LÍNGUAS

Quarta-feira, 01.01.14

Dit sal 2014 bring vrede na Sirië.

Gjithashtu se 2014 do të sjellë paqe në Siri.

Das 2014 Frieden nach Syrien zu bringen.

أن 2014 سوف يجلب السلام لسوريا

Դա 2014 կբերի խաղաղություն Սիրիա

2014 Suriyaya sülh gətirəcək

Duten 2014 bakea ekarriko du Siriara.

অর্থাৎ 2014 সিরিয়া শান্তি আনতে হবে.

Гэта 2014 прынясе свет у Сірыі.

To 2014 će donijeti mir u Siriju.

Това 2014 г. ще донесе мир на Сирия

ಆ 2014 ಸಿರಿಯಾ ಶಾಂತಿ ತರುವ

Aquest 2014 portarà la pau a Síria

Nga dad-on sa 2014 sa kalinaw ngadto sa Siria.

Že 2014 přinese mír do Sýrie.

那2014年将带来和平叙利亚

那2014年將帶來和平敘利亞

즉, 2014 년 시리아에 평화를 가져올 것이다.

Sa 2014 ap pote lapè nan peyi Siri.

To 2014 će donijeti mir u Siriji.

At 2014 vil bringe fred til Syrien

Že 2014 prinesie mier do Sýrie.

Da 2014 bo prinesel mir v Sirijo.

Ese 2014 traerá la paz a Siria

Ke 2014 alportos pacon al Sirio.

Et 2014 toob rahu Süüriasse

2014 Iyon ay magdadala ng kapayapaan sa Syria.

Että 2014 tuo rauhaa Syyriaan.

Que 2014 apportera la paix à la Syrie

Que 2014 traia paz á Siria

A fydd yn 2014 yn dod â heddwch i Syria.

რომ 2014 წელს მშვიდობის სირიაში.

Ότι το 2014 θα φέρει την ειρήνη στη Συρία.

તે 2014 સીરિયા માટે શાંતિ લાવશે

Wannan zai kawo zaman lafiya 2014 zuwa Siriya.

कि 2014 सीरिया में शांति लाएगा

Hais tias 2014 yuav kev kaj siab lug Syria.

Dat 2014 zal vrede brengen naar Syrië.

Az 2014 békét Szíriába.

Na 2014 ga-eweta udo na Syria.

Itu 2014 akan membawa perdamaian ke Suriah.

That 2014 will bring peace to Syria.

Beidh an 2014 síocháin a thabhairt chuig tSiria.

Að 2014 mun koma á friði í Sýrlandi

Che il 2014 porterà la pace in Siria.

その2014年には、シリアに平和をもたらすでしょう

​ថា​ឆ្នាំ 2014 នឹងនាំមកនូវ​សន្តិភាព​ទៅ​ប្រទេសស៊ី

​ວ່າ​ປີ 2014 ຈະເຮັດໃຫ້​ສັນຕິພາບ​ກັບ​ຊີເຣຍ​.

Ut pacem in Syriam MMXIV

Ka 2014 dos mieru Sīrijā.

Kad 2014 atneš taiką į Siriją.

Дека 2014 година ќе донесе мир во Сирија.

Yang 2014 akan membawa keamanan ke Syria.

Li 2014 se ġġib il-paċi Sirja.

E 2014, ka kawea mai te rongo ki a Hiria.

त्या 2014 सीरिया शांती आणील.

Энэ нь 2014 оны Сири амар амгаланг авчрах болно.

त्यो 2014 सिरिया शान्ति ल्याउनेछ।

At 2014 vil bringe fred til Syria

Que 2014 traga paz à Síria.

Że 2014 przyniesie pokój do Syrii

, ਜੋ ਕਿ 2014 ਸੀਰੀਆ ਨੂੰ ਅਮਨ ਲਿਆਉਣ ਕਰੇਗਾ.

Că 2014 va aduce pace în Siria

2014 атакующий защитник Сирии

Куе 2014 пуцање гарда Сирије.

2014 toogashada ayay waardiyayaashu ee Suuriya.

2014 risasi walinzi wa Syria.

2014 skytte vakt i Syrien.

சிரியா2014 படப்பிடிப்பு பாதுகாப்பு.

Suriye 2014 çekim guard.

2014 атакуючий захисник Сирії.

شام کے 2014 شوٹنگ گارڈ.

2014 bảo vệ chụp của Syria

2014 ukudubula labaqaphi waseSiriya.

 

(Alguma destas línguas Deus há-de entender e senhor Bashsar al-Assad também)

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publicado por picodavigia2 às 00:10

APRESENTAÇÃO DA OBRA LITERÁRIA DE BERNARDO MACIEL” EDIÇÃO CRÍTICA DE MARIA DE JESUS MACIEL

Segunda-feira, 30.12.13

No passado dia 22 de Agosto, integrando o programa da Semana dos Baleeiros, foi apresentado no Auditório Municipal das Lajes do Pico, o livro a “Obra Literária de Bernardo de Maciel Edição Critica de Maria de Jesus Maciel”. Trata-se de uma obra que, dado o rigor da sua objectividade, a profundidade da sua investigação e abrangência dos seus conteúdos, se constitui mais do que um livro de simples e comum leitura, uma vez que pode e deve estatuar-se como uma verdadeira obra de consulta e de estudo, dado tratar-se de uma edição filológica, cujo objectivo, por parte da autora, foi a reconstituição do texto, preparando-o criticamente e disponibilizando ao público a obra deste poeta e escritor picoense Bernardo Maciel, natural da freguesia de São João do Pico, até agora, quase toda ela, desconhecida.

O excelente e amplo trabalho da Dra Maria de Jesus Maciel, constitui, indubitavelmente, um documento base, fundamental e único, até ao momento, para qualquer estudo de cariz literário que possa ser feito, no futuro, sobre a obra do poeta e escritor Bernardo Maciel. Na realidade com a edição desta obra fica aberta aos estudiosos da literatura e de outras áreas humanísticas a obra literária deste homem que, como refere Pedro da Silveira, na sua Antologia da Poesia Açoriana, foi o primeiro poeta da ilha do Pico que deixou registo escrito. E porque, segundo a autora, há na obra de Bernardo Maciel “…um constante vaivém entre os momentos da sua existência pessoal, dos homens em geral e dos acontecimentos do seu tempo, revelando o sentir, o pensar e o agir de uma época, o longo e exaustivo trabalho, agora tornado público e que armazena e conserva, depois de milagrosamente salvo”, o espólio literário de Bernardo de Maciel, constitui, indubitavelmente, uma parte da nossa memória, da nossa cultura e do nosso património.

Trata-se de uma obra constituída dividida em três partes. Na primeira, a autora delineia a biografia de Bernardo Maciel numa narração simples, motivadora, empolgante, geradora de afectos e provocadora de emoções no leitor. Apesar de rigorosamente histórica mas ataviada de um cunho romanesco e edílico, fruto, em parte, de uma espécie de empatia entre a autora e o poeta e escritor, de quem ainda é familiar e que torna, esta parte do livro, incontestavelmente, mais atraente na leitura, mais delirante na apreciação dos conteúdos e mais envolvente no relacionamento que existe sempre entre o livro e o leitor. Por tudo isso, esta primeira parte podia constituir-se numa obra literária autónoma, única, independente, separada, do género das biografias romanceadas, acessível ao mais simples, humilde e comum dos leitores. A segunda parte é constituída pelos manuscritos de Bernardo Maciel, incluindo a sua correspondência particular, arrecadados num CD room e de que o livro contém apenas alguns exemplares. O CD room contém ainda, dada a dificuldade da sua apresentação em texto, devido à sua extensão, as introduções a cada uma das obras de Bernado Maciel, bem como as notas críticas. Finalmente a terceira parte engloba e dá a conhecer praticamente a totalidade dos escritos de Bernardo Maciel, precedidos duma introdução e acompanhados de notas críticas. Em Poesia seis livros – Livro da Alma, Visões Sagradas, Envelhecer, Às Crianças, De Longe e Dispersos –, em Teatro, um livro – a Monja –, e em Prosa, dois livros – Coisas Íntimas, Dispersos e, por fim, a própria Correspondência do escritor. O Livro Dispersos inclui um sermão a Nossa Senhora e um excerto de um outro, supostamente ao Bom Jesus. Num e noutro, está bem patente a excelência da oratória de Bernardo Maciel, bem mais próxima dos sermões do Padre António Vieira do que nas homilias da actualidade. Todo este acervo, com excepção do Livro da Alma, publicado, em 1916, um ano antes da morte do autor, na Calheta, ilha de são Jorge, permaneceu desconhecido do público durante todo o século xx.

A Edição Crítica da Obra Literária de Bernardo Maciel, editada pelo Instituto Açoriano de Cultura, apoiada pela Governo dos Açores e pela Direcção Regional da Cultura, com o patrocínio da Câmara Municipal das Lajes do Pico, da Câmara Municipal de São Roque do Pico e Culturpico, é uma obra notável, resultado de um árduo trabalho de investigação e pesquisa de mais de vinte anos e que constituiu a tese de Doutoramento da autora, apresentada na Universidade Nova de Lisboa, no dia 17 de Janeiro de 2008 e que o Júri avaliou com o resultado de “Muito Bom, com Distinção e Louvor. Por unanimidade.”

Estiveram presentes na apresentação da obra, para além de muito público, os senhores presidente da Câmara Municipal das Lajes, Engº Roberto Silva, presidente da Câmara Municipal de São Roaque, Luís Filipe Silva,  o vice-preidente e vereador da Câmara Municipal das Lajes, professor Hildeberto Peixoto e a vereadora da Câmara de São Roque, Dra Ana Gonçalves.

Recorde-se que durante a referida semana foram apresentados, para além do Roteiro cultural dos Açores – Personalidadees; Dias de Melo, mais quatro livros: “A Freguesia de São João Baptista da Ilha do Pico na Tradição Oral dos seus Habitantes” de :. Alexandre Madruga, “Homens de Olhos Encovados e Outras Estórias de Homens do Mar” de Francisco Andrade de Medeiros, “Silveira Sintra Picoense” de João de Brum e  e “Daniel e os Caçadores de Baleias”.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em Agosto de 2012

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publicado por picodavigia2 às 10:40

ARTUR GOULART HOMENAGEADO PELA CÂMARA DE ÉVORA

Sábado, 28.12.13

A Câmara Municipal de Évora vai homenagear o Dr Artur Goulart de Melo Borges, numa cerimónia solene que terá lugar no próximo dia 29 de Junho, “Dia da Cidade de Évora” entregando-lhe a Medalha de Mérito Municipal “Classe Prata”, como reconhecimento “… pelo seu contributo inigualável nas áreas da cultura em geral e da história da arte em particular, nomeadamente em Évora e no Alentejo, assim como pela sua qualidade humana e de investigador…”

Artur Goulart de Melo Borges nasceu na vila das Velas ilha, de São Jorge, em 12 de Abril de 1937. Após fazer os estudos primários naquela vila, matriculou-se no Seminário de Angra, estabelecimento de ensino que frequentou durante quase toda a década de cinquenta. Após terminar o Curso de Teologia, naquela instituição, em 1958, ausentou-se para Roma, onde frequentou o Pontifício Instituto de Arqueologia Cristã e o Pontifício Instituto de Liturgia, licenciando-se em Arqueologia e Liturgia. Após o seu regresso aos Açores, em 1961 leccionou no Seminário Episcopal de Angra as disciplinas de Desenho, Arte, História da Arte e Liturgia, altura em que, durante alguns anos, assumiu, simultaneamente, o cargo de redactor do jornal «A União», sendo director o Dr Cunha de Oliveira, tendo, nessa qualidade incentivado a implementação e publicação do suplemento cultural e literário «Glacial», acontecimento marcante na cultura açoriana.

Alguns anos depois mudou a sua residência para a cidade de Évora, fez a pós-graduação em Museologia e História da Arte e frequentou o Curso Superior Livre de Estudos Árabes, da Universidade de Évora, tendo-se dedicado ao estudo da epigrafia árabe em Portugal. Nesse âmbito, colaborou no Catálogo da exposição “Portugal Islâmico”, 1998-1999, do Museu Nacional de Arqueologia. Publicou as inscrições de Évora, Beja e Moura e participou no projecto “Bibliografia crítica luso-árabe”, da Universidade de Évora. Técnico do Museu de Évora de 1979 a 1999, exerceu o cargo de director durante sete anos. Participou em congressos, seminários e publicações sobre estudos árabes, património artístico e cultural, etc. Foi professor na Universidade Católica, onde leccionou algumas aulas num mestrado sobre Peritagem de Arte.

. Desde Março de 2002, é o coordenador científico do Inventário do Património Artístico Móvel da Arquidiocese de Évora. Como investigador arqueológico publicou trabalhos diversos, entre os quais: em 1985 “Duas Inscrições Árabes Inéditas no Museu de Évora”, em 1989, “As Inscrições Árabes Lapidares do Museu de Beja”, em 1991, “Património da Epigrafia Árabe em Portugal” e, em 2001, Epigrafia. Em 2010 publicou o livro de poemas “no fio das palavras”, editado pela Santa Casa da Misericórdia das Velas.

Recorde-se que a Câmara Municipal das Velas, em 26 de Abril de 2010, já havia agraciado o Dr Artur Goulart com a “Medalha de Prata do Município” por quanto considerar que: “... se tem distinguido e se distingue como escritor exímio e como poeta brilhante e possui um currículo de vida de reconhecido valor mantendo sempre ligações fortes e saudosistas com o Concelho das Velas, a quem nunca negou a sua colaboração bem como se distinguiu no campo social como voluntário e no campo cultural, como homem sábio e participativo…”

Para mim e decerto para todos aqueles que tiveram o privilégio de ter o Dr Artur Goulart como amigo de sempre e como mestre, durante quase uma década, uma e outra destas notícias enchem-nos de júbilo e de alegria. Tanto em Évora como nos Açores, onde com ele vivemos, convivemos e aprendemos, Artur Goulart impôs-se não apenas como mestre sábio, competente e dócil, mas também como homem e cidadão dotado dos mais nobres princípios de humanismo e solidariedade, pautando o seu quotidiano pelo estudo e pelo trabalho em prol da cultura, da arte e da defesa do nosso património. Bem hajam quantos o reconhecem.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 26/06/12

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publicado por picodavigia2 às 14:16

ESPÓLIO DO PADRE FRAGA DOADO AO SEMINÁRIO DE ANGRA

Quarta-feira, 18.12.13

O Seminário Episcopal de Angra recebeu uma importante quantidade de livros relacionados com Teologia, Moral e outra temática religiosa, que faziam parte da vasta biblioteca particular do padre José Luís de Fraga.

O acervo foi doado àquela prestigiosa Instituição Açoriana de formação sacerdotal, por iniciativa da Dra Maria Antónia Fraga, sobrinha daquele que foi um dos mais ilustres filhos da Fajã Grande, e abarca uma vasta colecção de obras de consulta, de estudo e de formação que, decerto enriquecerão, o pecúlio da biblioteca daquele Seminário, actualmente renovada e direccionada no sentido de se actualizar, interligando-se, através de protocolos estabelecidos ou a estabelecer, com a Biblioteca Pública de Angra do Heroísmo. No total, o Seminário de Angra, na pessoa do actual reitor, Dr Helder Miranda Alexandre recebeu, 34 caixotes, contendo uma boa parte do espólio daquele que foi um dos grandes vultos do clero açoriano, distinguindo-se também nas letras, na poesia e, sobretudo, na pesquisa e recolha da música popular açoriana.

O Padre José Luís de Fraga, que para além de sacerdote e distinto orador também foi escritor, poeta e músico, tendo, na realidade, efectuado uma importante pesquisa e recolha da música popular açoriana, muita dela hoje cantada por músicos e grupos corais sediados nas ilhas, foi um dos mais ilustres e importantes filhos da Fajã Grande, assinando as suas obras literárias com o pseudónimo de Valério Florense.

José Luís de Fraga nasceu na Fajã Grande, a 6 de Outubro de 1902, e era filho de António Luís de Fraga, mais conhecido por Ti’Antonho do Alagoeiro e de sua mulher Maria de Jesus Fraga. Fez os estudos primários na sua freguesia natal, cumpriu o serviço militar em Angra, ingressando no Seminário da mesma cidade onde estudou Filosofia e Teologia, ordenando-se presbítero, no ano de 1927. Iniciou a sua actividade sacerdotal como professor de Música no Seminário de Angra e pároco em Santa Luzia, na mesma cidade, sendo, alguns anos mais tarde, transferido para a freguesia de Castelo Branco, na ilha do Faial. Entre 1929 e 1940 exerceu o cargo de vigário coadjutor na Matriz de Santa Cruz das Flores. Nesta data foi colocado como pároco da Ribeira Seca, na ilha de São Jorge e mais tarde na vila do Nordeste e em São Pedro, de Ponta Delgada, em São Miguel. Nos últimos anos da sua actividade sacerdotal paroquiou na Matriz de Vila Fraca do Campo, onde exerceu também o cargo de Ouvidor Eclesiástico. Faleceu em 1968, num acidente de viação, enquanto realizava uma visita aos Estados Unidos. Homem bom e íntegro, sacerdote exemplar e dedicado, pode dizer-se que o padre Fraga foi uma espécie de precursor dos padres operários que haviam de surgir em França nos anos 60, pois, segundo testemunhos de quem o conheceu, apesar de padre “ia lavrar com os lavradores, caiar a igreja com os caiadores e à pesca com os pescadores”, trabalhos que havia aprendido com o seu pai, durante a sua adolescência, na ilha das Flores. O padre Fraga distinguiu-se ainda como músico exímio e como homem de cultura e de grande saber e como poeta de sensibilidade requintada. Deixou um espólio notável, quer a nível musical quer literário, ficando ao cuidado da sobrinha que, em boa hora, doou uma boa parte do mesmo ao Seminário de Angra, a sua segunda casa, onde se notabilizou como aluno brilhante e como professor dedicado.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 17/01/12

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publicado por picodavigia2 às 14:24

VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

Sábado, 14.12.13

(DADOS RETIRADOS DO SECRETARIADO GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS

A violência contra as mulheres assume muitas formas – física, sexual, psicológica e económica. Essas formas de violência inter-relacionam-se e afectam as mulheres desde antes do nascimento até a velhice.

Alguns tipos de violência, como o tráfico de mulheres, cruzam as fronteiras nacionais.

As mulheres que experimentam a violência sofrem uma série de problemas de saúde, e sua capacidade de participar da vida púbica diminui. A violência contra as mulheres prejudica as famílias e comunidades de todas as gerações e reforça outros tipos de violência predominantes na sociedade. A violência contra as mulheres também empobrece as mulheres, suas famílias, suas comunidades e seus países. A violência contra as mulheres não está confinada a uma cultura, uma região ou um país específicos, nem a grupos de mulheres em particular dentro de uma sociedade. As raízes da violência contra as mulheres decorrem da discriminação persistente contra as mulheres.

Cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida. As mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que de câncer, acidentes de carro, guerra e malária, de acordo com dados do Banco Mundial.

A forma mais comum de violência experimentada pelas mulheres em todo o mundo é a violência física praticada por um parceiro íntimo, em que as mulheres são surradas, forçadas a manter relações sexuais ou abusadas de outro modo.

Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) realizado em 11 países constatou que a percentagem de mulheres submetidas à violência sexual por um parceiro íntimo varia de 6% no Japão a 59% na Etiópia.

Diversas pesquisas mundiais apontam para que metade das mulheres vítimas de homicídio, são mortas pelos maridos ou parceiros, actuais ou anteriores. Na Austrália, no Canadá, em Israel, na África do Sul e nos Estados Unidos, 40% a 70% das mulheres vítimas de homicídio foram mortas pelos parceiros, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Por sua vez, na Colômbia, a cada seis dias uma mulher é morta pelo parceiro ou ex-parceiro.

A violência psicológica ou emocional praticada pelos parceiros íntimos também
está disseminada. Calcula-se que, em todo o mundo, uma em cada cinco mulheres se tornará uma vítima de estupro ou tentativa de estupro no decorrer da vida.

A prática do matrimónio precoce – uma forma de violência sexual – é comum em todo o mundo, especialmente, na África e no Sul da Ásia. As meninas são muitas vezes forçadas a se casar e a manter relações sexuais, o que acarreta riscos para a saúde, inclusive a exposição ao HIV/AIDS e a limitação da frequência à escola. Nestes e em muitos outros casos, um dos efeitos do abuso sexual é a fístula traumática ginecológica: uma lesão resultante do rompimento severo dos tecidos vaginais, deixando a mulher incontinente e indesejável socialmente.

A violência sexual em conflitos é uma grave atrocidade actual que afecta milhões de pessoas, principalmente mulheres e meninas. Trata-se, com frequência, de uma estratégia deliberada empregada em larga escala por grupos armados a fim de humilhar os oponentes, aterrorizar as pessoas e destruir as sociedades. Mulheres e meninas também podem ser submetidas à exploração sexual por aqueles que têm a obrigação de protegê-las.

Ao longo dos séculos, as mulheres, sejam elas avós, mulheres casadas, jovens, crianças ou, até, bebés, têm, rotineiramente, sofrido violento abuso sexual nas mãos de forças militares e rebeldes.

O estupro e a violação há muito são usados como tácticas de guerra, com relatos de violência contra as mulheres durante ou após conflitos armados em todas as zonas de guerra internacionais ou não internacionais. Na República Democrática do Congo, cerca de 1.100 estupros são relatados todos meses, com uma média de 36 mulheres e meninas violentamente violadas todos os dias. Acredita-se que mais de 200 mil mulheres tenham sofrido violência sexual nesse país, desde o início do conflito armado. O estupro e a violação sexual de mulheres e meninas, também, permeiam o conflito na região de Darfur, no Sudão. Sabe-se também que entre 250 mil e 500 mil mulheres foram violadas durante o genocídio de 1994, no Ruanda. A violência sexual foi um traço característico da guerra civil que durou 14 anos na Libéria e durante o conflito na Bósnia, no início dos anos 1990, entre 20 mil e 50 mil mulheres foram estupradas.

Em muitas sociedades, vítimas de estupro, mulheres suspeitas de praticar sexo pré-matrimonial e mulheres acusadas de adultério têm sido assassinadas por seus parentes, porque a violação da castidade da mulher é considerada uma afronta à honra da família.

Muitas mulheres enfrentam múltiplas formas de discriminação e um risco cada vez maior de violência. No Canadá, mulheres indígenas são cinco vezes mais propensas a morrer como resultado da violência do que as outras mulheres da mesma idade. Na Europa, América do Norte e Austrália, mais da metade das mulheres portadoras de deficiência sofreram abuso físico, em comparação a um terço das mulheres sem deficiência.

Finalmente, sabe-se que a violência contra as mulheres, até atinge, em muitos caos, as que são detidas pela polícia. Muitas detenções de mulheres incluem violência sexual, vigilância inadequada, revistas com desnudamento realizadas por homens e exigência de actos sexuais em troca de privilégios ou necessidades básicas.

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publicado por picodavigia2 às 10:13

AÇUDE NA RIBEIRA GRANDE

Segunda-feira, 09.12.13

De acordo com o “Forum Ilha das Flores” que por sua vez cita como fonte o gabinete informativo do Governo Açoriano, no âmbito da política de implementação de acções preventivas para a segurança de pessoas e bens na ocorrência de situações hidrológicas extremas, o Governo Regional procedeu à identificação de situações de risco, nalgumas ilhas açorianas, nomeadamente, nas Flores. Nesse âmbito foi adjudicada uma empreitada de reconstrução de um açude e a protecção da margem direita da Ribeira Grande, na ilha das Flores, cujos trabalhos estão já concluídos.

A Secretaria Regional dos Recursos Naturais, através da Direcção Regional do Ambiente, determinou a reconstrução do açude situado a jusante da ponte da Ribeira Grande, por forma a impedir o descalce iminente das fundações daquela ponte, único acesso à freguesia da Fajã Grande. A empreitada incluiu também a protecção da margem direita da ribeira na zona intervencionada e o reperfilamento do leito, para minimizar a erosão hídrica.

A obra agora concluída foi adjudicada à empresa Sociedade de Construções Lucino Lima, por cerca de 28 mil euros.

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publicado por picodavigia2 às 22:00

OS “FIOS” DAS PALAVRAS DE ARTUR GOULART

Domingo, 01.12.13

Não é todos os dias que temos o privilégio de receber, como oferta, um livro de poemas. Esse privilégio, no entanto, torna-se supremo, se for o próprio poeta e autor do livro a distinguir-nos com tão excelsa regalia, embora, neste caso seja bastante mais raro.

Quanto a mim confesso que já tive essa honra duas vezes. Uma há muitos anos. O livro que, nessa altura, recebi como oferta e autografado pelo próprio autor, com uma pequena dedicatória, foi o livro “Caminhos”, da autoria de Valério Florense, pseudónimo literário do padre José Luís de Fraga, meu conterrâneo. Mais recentemente fui presenteado por Artur Goulart com livro “No Fio das Palavras” de que é autor

Artur Goulart foi meu mestre e companheiro. Homem de uma sensibilidade notável, de uma cultura elevadíssima e de um profundo saber, sobretudo no domínio das artes, foi o professor que durante mais anos me acompanhou como mestre ao longo da minha formação académica e de quem recebi, para além dos conhecimentos das disciplinas por ele leccionada, um notável exemplo de nobreza de carácter e de defesa de valores morais. Afável nas suas atitudes, compreensivo na nossa inquietude e alegre nas horas de convívio, Artur Goulart fazia das suas aulas autênticos momentos inesquecíveis de diálogo, de partilha, mas sobretudo duma aprendizagem eficaz e profícuo, utilizando, na década de sessenta, paralelamente a Edmundo Oliveira, audiovisuais nas suas aulas, o que as tornava obviamente, num e noutro caso, muito mais atractivas e motivadoras.

Ao receber “No Fio das Palavras” e recordando o meu saudoso mestre e actual companheiro, interroguei-me de qual seria o sentido deste “fio” das suas palavras. Li-as todas e voltei a ler alguns dos poemas, ou melhor reescrevi-os porque acredito que cada leitor ao ler um poema como que o reescreve à sua maneira. E descobri então que nestas palavras dos poemas de Artur Goulart existem, afinal, não um, mas três “fios”. Primeiro porque as palavras de Artur Goulart estão de tal modo escritas e elaboradas com tal sensibilidade que realmente parecem ligar-se umas às outras como o fio de um enorme e misterioso novelo. E é precisamente com esse suave e macio “fio” que elas contêm e encerram que vamos construindo, elaborando e tecendo, a pouco e pouco, imagens de sonho, de beleza e de graciosidade reais. É o que acontece se na realidade seguirmos esta espécie de “fio” “sobranceiro ao mar, à solidão, ao luar, ao vento, perdido nas ondas, carregado de bruma, de saudade, de distância...” construiremos facilmente as imagens de sonho dos nossos “ilhéus”. Mas as palavras de Artur Goular têm um outro fio cortante, uma espécie de gume com o qual as vamos abrindo uma a uma, penetrando no su interior semântico, bebendo a beleza profunda do seu significado e saboreando a amplitude magna da sua compreensão: “…na entrega há o segredo inteiro da subida.”. Mas as palavras do poeta ainda contêm um terceiro “fio”, aquele que derramam ou despejam sobre o leitor como uma espécie de bálsamo purificante, como um perfume de suavidade e doçura, como gotas enternecedoras de sublimidade que lentamente nos vão envolvendo numa perene e infinita maré de açorianidade: “Só/Ilha/o mar/ e eu.”,

Acrescente-se que o livro de Artur Goulart editado pela Santa Casa da Misericórdia da Vila das Velas, ilha de São Jorge, donde é natural, contém um excelente prefácio de Olegário Paz.   

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publicado por picodavigia2 às 09:40

A CASA DO ESPÍRITO SANTO DE MARIA DE JESUS MACIEL

Quinta-feira, 14.11.13

Foi  publicado e apresentado na ilha do Pico, no passado mês de Junho e por alturas das festividades em louvor do Paráclito, o livro “A Casa do Espírito Santo”.  Da autoria de Maria de Jesus Maciel, esta obra contém.  não apenas sobre o ponto de vista textual mas também a nível fotográfico, uma importante,  excelente, interessante  e variada  documentação histórica sobre o tema.. Para quem lê este novo livro de Maria de Jesus Maciel e, sobretudo para aqueles que,  de uma forma ou de outra,  se identificam com a vida, com a idiossincrasia  e com os costumes insulares ou para os que se fazem acompanhar no seu quotidiano  de  vivências e de memórias de uma perene e jamais inseparável açorianidade, este livro, de leitura extremamente agradável, apresenta-se como um magnífico encontro com o passado e com o presente açoriano, com os costumes e as tradições das ilhas, com o encanto das suas festividades, com a sublimidade das suas vivências e celebrações. Inigualáveis nos seus formatos e transcendentes na sua essência, as festas do Espírito Santo sentem-se e vivem-se, hoje nos Açores, com a mesma intensidade e devoção de outrora e são repletas de sentimentos intensos,  de vivências solidárias, de recordações míticas, de extravagâncias deliciosas e de promessas que o tempo nunca apagou nem, de certo, apagará jamais. Além disso, os açorianos, que nelas emergem, quer responsabilizando-se pela sua concretização, quer ajudando nos seus arranjos e preparativos, bem como aos que a elas se ligam apenas como espectadores, fazem-no com uma dedicação inexaurível, com um empenhamento notável, com um espírito de doação e de partilha transcendentes e com uma abnegação infinita. As festas do Espírito Santo fazem parte íntegra do quotidiano dos habitantes dos Açores, que com elas como que se identificam e se consubstanciam. Tudo isso e muito mais nos revela Maria de Jesus Maciel nesta sua obra recentemente divulgada e que aborda temas como: o significado e o simbolismo destas festas, as suas raízes históricas e culturais, a sua identidade e as suas diversidades nas várias ilhas, os impérios como forma de culto e muito particularmente o Império da Companhia de Cima, na freguesia de São João do Pico, donde a autora é natural e onde passou a sua infância, da qual guarda as melhores e mais belas recordações e que agora partilha com os leitores. Para além de uma enorme quantidade de fotografias que o livro contém, algumas delas de um passado já distante, a autora ainda recolheu um bom número de testemunhos e de vivências de várias pessoas sobre as festividades do Espírito Santo, acrescentando um notável elenco de obras de variadíssimos autores sobre o tema. Há ainda, em anexo, um importante registo da letra de alguns cânticos que fazem parte íntegra das referidas festas, nomeadamente dos que são cantados nas  novenas que ainda hoje se efectuam em muitas freguesias da ilha do Pico.

Maria de Jesus Maciel, natural de São João do Pico, é licenciada em História pela Faculdade de Letras de Lisboa, mestreem Estudos Portugueses– Literatura e Cultura Portuguesas e Doutoradaem Cultura Portuguesapela Universidade Nova de Lisboa. Exerceu o seu percurso profissional, primeiro como professora do Ensino Secundário e, mais tarde, com professora de Cultura Portuguesa no ensino Superior, dedicando-se actualmente à investigação, tendo já publicado outras obras sobre vários temas da história e cultura açorianas, nomeadamente referentes à ilha do Pico e à freguesia de S. João.

Texto publicado no “Pico da Vigia”  em 04/07/11

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publicado por picodavigia2 às 00:04

VOTO DE PESAR PELA MORTE DE PEDRO DA SILVEIRA

Segunda-feira, 21.10.13

(APRESENTADO PELOS DEPUTADOS DO PS NA ALRA - 13 DE MAIO DE 2003)

 

Pedro da Silveira deixou-nos.

Natural da freguesia da Fajã Grande, ilha das Flores, onde nasceu em 5 de Setembro de 1922, Pedro Laureano de Mendonça da Silveira faleceu aos 80 anos, em Lisboa, no passado dia 13 de Abril.

Concluída a instrução primária na escola da terra que lhe serviu de berço, frequentou durante um ano o Seminário de Angra do Heroísmo. Completou os estudos liceais naquela cidade e em Ponta Delgada, onde iniciou a sua participação na vida literária. Fixou-se definitivamente em Lisboa no ano de 1951.

Pedro da Silveira foi agricultor, escriturário, delegado de informação médica, historiador, tradutor e bibliotecário. Foi também jornalista, tendo numerosa colaboração dispersa por jornais e revistas como “O Comércio do Porto”, “O Primeiro de Janeiro”, “Vértice”, “O Diabo”, “Seara Nova”, “Colóquio-Letras” e ainda no “Diário dos Açores”, no Jornal O Monchique” e na “Revista Municipal das Lajes das Flores”, bem como alguns estudos sobre a história e o folclore dos Açores, em publicações da especialidade.

Mas Pedro da Silveira distinguiu-se sobretudo como poeta, dando à estampa uma vasta obra de poesia e de investigação, nomeadamente sobre Cesário Verde e Roberto Mesquita. Em 1952 publicou em Lisboa “A Ilha e o Mundo”, a sua primeira colectânea de poesia, a que se seguiu “Sinais do Oeste”, editado em Coimbra em 1961. “José Leite de Vasconcelos nas Ilhas de Baixo”, “Corografias” e “Antologia da Poesia Açoriana do Século XVIII a 1975”, são outras das mais importantes publicações de Pedro da Silveira.

Apesar do seu cosmopolitismo e abertura aos mundos e às correntes, na lírica de Pedro da Silveira, realista, concisa e anti-retórica, está bem presente a marca da sua condição de ilhéu, da sua mudividência insular e açórica, traduzida de modo exemplar no poema que dá precisamente pelo nome de “Ilha:

”Só isto:..O céu fechado,uma ganhoa

pairando. Mar. E um barco na distância:

olhos de fome a adivinhar-lhe à proa

Califórnias perdidas de abundância.”

Testemunha de um século, vivido entre os presos políticos das Flores (onde conheceu João Soares), os anarquistas da Terceira (onde foi companheiro de Nemésio no núcleo local da Juventude Anarco-Sindicalista) e os escritores de Lisboa, exímio contador de histórias, Pedro da Silveira tinha várias obras em preparação e havia já começado a reunir em livro as suas memórias. E, subitamente, partiu.

A sua partida deixou mais pobres as letras e a cultura de Portugal e dos Açores. A excelência da sua obra constitui garantia da perenidade da sua memória.

Assim, nos termos estatutários e regimentais aplicáveis, a Assembleia Legislativa Regional dos Açores, reunida na cidade da Horta, emite um Voto de Pesar pelo falecimento do poeta e cidadão Pedro da Silveira.

 

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publicado por picodavigia2 às 23:52

SISMO EM PAREDES

Quarta-feira, 16.10.13

 

Esta tarde, na cidade de Paredes e em toda a região do Grande Porto, assim numa boa parte do Norte do país foi sentido um abalo de terra de magnitude 3.1 na escala de Richter, com epicentro, segundo o  Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a cinco quilómetros a Oeste de Paredes, sem que até ao momento haja registo de qualquer dano material ou humano

O tremor de terra foi registado às 17h22 e foi sentido, com maior intensidade, em várias localidades da região Norte, como Porto, Gaia, Penafiel, Gondomar, Maia, Vila Nova de Famalicão, Vizela e Paredes.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, esta situação não é grave, pelo contrário, enquadra-se numa normalidade, uma vez que “é comum ocorrerem este tipo de sismos, com esta magnitude, no território português todos os anos”. O Instittuto ainda acrescenta que este é o tipo de sismo considerado “fraco, sem capacidade para causar alarme”.

O Centro Distrital de Operações de Socorro do Porto não  registou, até ao momento, qualquer dano., nem recebeu qualquer chamada a pedir apoio.

 

Texto publicado no Pico da Vigia em 13 de Fevereiro de 2013

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publicado por picodavigia2 às 17:59

ALMOÇO DE NATAL NO “SOLAR DOS PEQUENINOS” EM PAREDES

Domingo, 06.10.13

Há dias tive a honra e o privilégio de ser convidado para um almoço de Natal organizado por um Jardim-de-infância de Paredes. Trata-se do “Solar dos Pequeninos”, uma instituição de infância a funcionar desde 2000, no lugar de Abadim, na cidade Paredes, nas traseiras da Escola Secundária e que, nas suas instalações, alberga cerca de meia centena de petizes de palmo e meio, para além de dar apoio pedagógico a cerca de duas dezenas de alunos que frequentam a Escola Primária da Sede, também ali ao lado.

O “Solar dos Pequeninos” embora localizado praticamente no centro da cidade de Paredes, junto à zona escolar e à piscina municipal, está, no entanto, implantado, numa espécie de zona rural, nas antigas instalações de uma propriedade agrícola, que incluía casa de lavrador, com os devidos anexos e quinta, mas que foram devidamente restauradas e adaptadas, funcionando assim num ambiente de grande calma e tranquilidade, estando afastado do rebuliço frenético urbano. Além disso possui fácil acesso e está dotado de um enquadramento paisagístico harmonioso, com instalações modernas e funcionais. Sob o ponto de vista educativo, tem elaborado um plano pedagógico, activo e dinâmico, com um projecto educativo de qualidade onde os objectivos são claros e concretos e cuja concretização se evidencia na competência das suas educadoras e auxiliares de educação e na dinâmica das actividades que disponibiliza aos seus educandos.

Costumo lá ir mensalmente contar uma história aos petizes. Ouvem-me com atenção, envolvem-se nos meandros do emaranhado, exercitam-se na diegese da narração, enfim, rodeiam-me, solicitam-me e até me agarram como se fosse um deles.

Pois chegou o Natal, altura em que lá voltei a fim de lhes contar mais uma história. Os garotelhos não estiveram com meias medidas. Estavam a organizar um almoço de Natal e eu, forçosamente, tinha que lá ir almoçar com eles. Tivesse eu juizinho que não havia forma de recusar o convite.

E fui… com muito gosto e com muito alegria até porque também me prendo ao “Solar dos Pequeninos” por outras razões, uma vez que lá tenho uma “pequenina princesa”, encantada e feliz por eu ir almoçar na sua companhia.

Chegou o dia e a hora! O almoço à boa maneira do Natal na região, incluía bacalhau com todos, rabanadas, leite-creme e aletria, conforme constava da ementa afixada na entrada, em letras garrafais e que, na realidade, se assemelhava em tudo às grandes e tradicionais ceias de Natal. A sala de jantar estava enfeitada com motivos natalícios diversos, uns nas paredes, outros suspensos do tecto, muitos sobre as mesas e até um Pai Natal a envolver o guardanapo de cada um dos comensais. Uma maravilha! Todos os enfeites foram feitos manualmente pelos petizes, com a ajuda e com a criatividade das educadoras. Os alimentos estavam muitíssimo bem cozinhados e no ar sentia-se o verdadeiro perfume do Natal. Os convivas, autênticos duendes ornamentados com o gorro do Pai Natal, eram de palmo e meio, mas estavam tão bem, não apenas ao tomarem a sua refeição, mas também convivendo em sã alegria, confraternizando em doce camaradagem, entrelaçando-se em sincera convivência, nas suas minúsculas mesas e cadeiras, à espera do Pai Natal, que chegaria, no fim do repasto, carregadinho de prendas para todos.

Foi então que eu, sentado numa cadeirinha tão igual à deles, numa mesinha tão minúscula as suas, no meio daqueles pequenitos, senti uma enorme “raiva” de não poder voltar a ser como eles e ficar ali à espera do Pai Natal.

 

Texto publicado no Pico da Vigia em 21/12/10

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publicado por picodavigia2 às 18:12

A FAJÃ GRANDE NA COMEMORAÇÃO DOS 35 ANOS DE EXISTÊNCIA DA RTP AÇORES

Sábado, 05.10.13

A RTP Açores, ao comemorar, a dez de Agosto transacto, os seus 35 anos de existência elaborou uma série de programas sobre as freguesias mais pequenas dos Açores e, por isso mesmo, talvez as menos conhecidas. Estes programas, com apresentação de Vasco Pernes e imagens de Rui Machado, que contemplaram entre outras freguesias açorianas as seguintes pertencentes à ilha das Flores: Ponta Delgada, Cedros, Caveira, Lomba, Fazenda, Lagedo, Mosteiro, Fajazinha e Fajã Grande, podem ser revistos no seguinte site da RTP Açores: http://ww1.rtp.pt/acores/?article=16337&visual=22&tm=28.

No que à Fajã Grande diz respeito, trata-se de uma excelente reportagem e de uma magnífica divulgação da freguesia mais ocidental da Europa e de um proveitoso publicitar das suas potencialidades turísticas, nomeadamente nos aspectos paisagístico, gastronómico, cultural, musical e até histórico. Para além de apresentar imagens de excelente qualidade sobre Fajã, Ponta, Cuada e as paisagens que envolvem estas localidades da freguesia, o programa divulga o seu artesanato através da Virgília Fragueiro que dá a conhecer um interessantíssimo arsenal de rendas, bordados, colchas e outros produtos manufacturados pela sua própria mãe, a Madalena de José Jorge. O programa ainda e, por um lado, dá a conhecer a gastronomia fajangrandense de antanho, incluindo as couves com conduto, a caçoila, as filoses, o bolo do tijolo, o queijo caseiro, o folar com linguiça, a morcela e o pão de milho, apresentados pela Maria Lídia, filha do Jesuíno do Pico e, alguns deles, confeccionados pela Deolinda do Augusto Arionó, e, por outro, delicia-nos com a sua cultura musical através da Tuna “Sol Mar”, da Filarmónica “Senhora da Saúde” e do grupo de Foliões da Casa de Cima. Destaque ainda para uma entrevista com o José Teodósio, actual presidente da Junta de Freguesia e com o meu primo, vizinho e amigo de outros tempos, o Guilherme, um artista na arte de fazer cestos, cestas e cabazes com vimes e uma outro com o dono de um burro que granjeou as simpatias do apresentador do programa e ganhou o epíteto de o “Trinta e Cinco”. De realçar ainda a divulgação, ao longo do programa de diversos utensílios agrícolas utilizados outrora nas lides dos campos, como os arados de ferro e de pau, a grade, o carro de bois com a sebe e todos os restantes apetrechos e ainda, o que considero mais notável, um corsão de canguinha com fueiros, cabeçalhos, canga, canzis, tamoeiros e até as boqueiras para o gado.

 

Este texto foi publicado no Pico da Vigia, em 09/10/10

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publicado por picodavigia2 às 09:58

GRANDE DERROCADA DE ÁGUA E LAMA SOBRE A FAJÃZINHA

Sexta-feira, 04.10.13

Aqui transcrevo na íntegra, a notícia transcrita no site “Ilha das Flores”, (no dia 4 de Dezenbro de 2010) fonte “Diário dos Açores” sobre o desabamento de uma ribanceira sobre a vizinha freguesia da Fajãzinha, que desalojou as 74 pessoas que ali viviam.

“Foram 74 pessoas e muitas horas de susto e luta, tudo ao lado, e depois de uma derrocada imensa que deixou a Fajãzinha isolada do resto da ilha das Flores. Passavam poucos minutos das 5 da madrugada (do passado dia 3) quando uma derrocada, sem precedentes, atingiu parte da freguesia da Fajãzinha, concelho de Lajes das Flores. Só por volta das 7 horas da manhã toda a população ficou alerta do que se estava a passar e foi a partir daí que começaram os esforços para tentar “contornar” este incidente. As fortes chuvadas que assolaram a ilha mais Ocidental do arquipélago durante cerca de 72 horas consecutivas não podiam prever pior cenário, salvando-se o facto de não haver vítimas humanas nesta já considerada “tragédia”. Casas inundadas, carros submersos, garagens e palheiros arrastadas literalmente por uma ribeira de lama, água, entulhos, árvores e todo o lixo que se acumulou freguesia abaixo. O cenário foi descrito pelas dezenas de pessoas que o “Diário dos Açores” contactou durante todo o dia de hoje. As imagens falam por si, mas o que a população de uma das mais pequenas freguesias açorianas passou não tem precedentes. O polidesportivo que se encontra no centro da freguesia não se vislumbra, a Junta de Freguesia está toda destruída, dizem ao nosso jornal “isto não é a Fajãzinha”. Apenas às 11h50 a chuva dava sinais de ‘fraqueza’ e apenas passada uma hora a acalmia do vento, da chuva e do nevoeiro permitia perceber o estado lastimoso que a Natureza acabara de deixar este sítio. A única via de acesso à freguesia foi, também ela, afectada pelas ribanceiras que atravessaram a estrada regional, impedindo dessa forma a passagem de veículos para a freguesia. Só por volta das 14hoo as máquinas da Secretaria Regional Ciência Tecnologia e Equipamentos, SRCTE, e da Câmara Municipal das Lajes das Flores conseguiram chegar à zona mais afectada pelas fortes derrocadas. Sem luz nem água (postes de alta tensão deitados ao chão), cenário que não será restabelecido nas próximas semanas, a EDA pondera nesta altura garantir a electricidade na freguesia vizinha, Fajã Grande, através de geradores. Até por volta das 16h00 a população esteve reunida na Igreja e antiga escola primária, locais considerados seguros pelas autoridades. Mas os cerca de 70 habitantes da Fajãzinha já foram evacuados e permanecerão pelo menos até amanhã no aldeamento turístico da Aldeia da Cuada que acolheu praticamente toda a população (referir que alguns populares vão permanecer na freguesia – na escola primária). Dois idosos foram deslocados para o Centro de Saúde, em Santa Cruz, e por agora resta tentar inverter um cenário que ninguém esperava ver quando acordou. Os trabalhadores da Câmara Municipal das Lajes das Flores e da SRCTE procuram limpar, ao máximo, toda a zona que foi deteriorada, uma vez que face ao agravamento do tempo que se prevê durante a tarde as autoridades não deixam de parte a possibilidade de novas derrocadas e desabamentos poderem acontecer. Referir que durante todo o dia estiveram no local, desde o início da manhã, bombeiros (Protecção Civil), PSP, GNR, elementos da SRCTE, Presidente da Câmara, entre outros, chefiando toda a missão junto de uma população visivelmente assustada.”

 

Este texto foi publicado no “Pico da Vigia” em 04/12/10

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publicado por picodavigia2 às 09:33

DESCOBERTO NOVO PLANETA HABITÁVEL FORA DO SISTEMA SOLAR

Sexta-feira, 27.09.13

Foi divulgada, recentemente, uma surpreendente e extraordinária notícia, a da descoberta de um novo planeta com características de habitabilidade de seres com vida, semelhantes às que possui o planeta Terra e, consequentemente capaz de abrigar vida extraterrestre. Este planeta foi detectado pela primeira vez por uma equipe de astrónomos norte americanos e está situado num sistema planetário exta-solar.  Segundo os cientistas que fizeram esta importante descoberta, este exoplaneta, que gira em torno da estrela Gliese 581 (Gl 581), já há muito descoberta e que está localizada a 20,5 anos-luz do nosso planeta, é o primeiro dos cerca de 200 conhecidos até hoje, fora do Sistema Solar,  a "possuir ao mesmo tempo uma superfície sólida e líquida e uma temperatura próxima da encontrada na Terra". Segundo os mesmos cientistas, este planeta reúne as características necessárias e "que permitem imaginar a existência de uma eventual vida extraterrestre". A temperatura média desta "super Terra”, situa-se entre 0 e 40 graus Celsius, o que permite que haja a presença de água líquida na sua superfície”. Além disso, aqueles cientistas afirmam que o "seu raio seria 1,5 vezes o da Terra", o que indicaria "ou uma constituição rochosa (como na Terra), ou uma superfície coberta de oceanos". A gravidade na sua superfície é 2,2 vezes maior do que a da superfície da Terra, e sua massa muito fraca (5 vezes a da Terra), o que significa que um ser humano que na terra pesasse 50 quilos, pesaria 80 em Gliese 581. O movimento de rotação do novo planeta dura aproximadamente 37 dias e metade da sua superfície nunca recebe luz da estrela à volta da qual se movimenta, pelo que, nesta parte mantêm-se a noite permanente, o que provoca também uma acentuada diferença de temperaturas entre ambas as partes. O interesse e entusiasmo pela descoberta deste planeta advém do facto de ser o primeiro mundo encontrado num universo infinito, na zona habitável de uma estrela e que possui as características necessárias a um desenvolvimento da vida semelhantes ao do planeta Terra.

 

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publicado por picodavigia2 às 11:45

SEIS FAMÍLIAS VIVEM NA PONTA DA FAJÃ GRANDE, UM DOS LOCAIS DE MAIOR RISCO DO ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES

Terça-feira, 24.09.13

Da autoria do jornalista Carlos Tavares, com a agência Lusa, aqui se divulga um artigo publicado hoje (25 de Setembro) no site “Açores” (RTP e Antena 1):

Um dos locais de maior risco de derrocada dos Açores é a Ponta da Fajã, na ilha das Flores, uma zona onde residem seis famílias a poucos metros daquele que é o ponto mais ocidental da Europa

O Governo regional já reafirmou hoje a proibição da edificação de qualquer tipo de construção e a habitação nos imóveis existentes no local, mas a Câmara das Lajes das Flores, considera que as seis famílias se encontram a distância suficiente da zona de maior perigo.
Em declarações à agência Lusa, o vereador José Lourenço, da Câmara das Lajes das Flores, confirmou que residem no local seis famílias, mas minimizou o risco já que as casas que se encontram "a mais de500 metros de distância" da zona onde aconteceu uma derrocada em 1987.

Nos últimos anos, a Ponta da Fajã já registou duas derrocadas, a primeira das quais em Dezembro de 1987, tendo sido declarada como zona de alto risco, o que levou à proibição de qualquer tipo de construção naquela área.

A mais recente ocorreu a 21 de Outubro de 2009, ocasião em que se registou um movimento de massa na arriba da Ponta da Fajã Grande.

Um relatório do Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC) apresentado esta semana no Parlamento regional confirmou que a situação de perigo se mantém, um alerta que foi agora confirmado pela tutela regional.

"O Governo aceita as conclusões do relatório, considerando que a legislação não deve ser alterada", afirmou o secretário açoriano do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses.
Nesse sentido, o governante frisou que deve ser mantida a proibição de construir novas casas no local, que é considerado pelos especialistas como um dos que apresenta maior risco no arquipélago.

A Comissão parlamentar classifica a Ponta da Fajã Grande como "um dos locais de maior risco no arquipélago", mas conclui que as "hipóteses de soluções de intervenção directa sobre a falésia para minimizar os riscos são totalmente inviáveis atendendo à altura da escarpa".

Os deputados salientam ainda que o local "é - e continuará a ser - uma área de elevado perigo e ocorrência de movimentos de massa, por corresponder a um escarpado imponente onde existem indícios de evolução acelerada".

A situação de risco na Ponta da Fajã Grande não é a única, pelo que o Governo já mandou elaborar a Carta de Risco da Região, documento que permitirá ter "uma visão mais clara da totalidade do problema no arquipélago".

Carlos Tavares com Agência Lusa

 

Texto publicado  no “Pico da Vigia” em 25/09/10

 

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publicado por picodavigia2 às 09:58

SONDAGENS DAS AUTÁRQUICAS

Domingo, 08.09.13

Contaram-me que, nalgumas terras deste país à beira-mar plantado, algumas sondagens para as eleições autárquicas se fazem do seguinte modo: alguém, supostamente por mandato de um determinado partido ou do respectivo candidato, telefona para um número seleccionado, esclarecendo, minuciosamente, o interlocutor do objectivo do telefonema. Depois interroga-o sobre o candidato em quem vai votar: se no candidato X, ou no Y, ou W, ou no Z, pertencentes respectivamente às quatro forças políticas tradicionalmente mais votadas.

Como o interlocutor ainda demonstra alguma indecisão, de imediato a pessoa que efectuou o telefonema conclui:

- “Claro que vai votar em Fulano.” – Efectuando de imediato o respectivo registo

Como isto conta apenas para as sondagens, parece não acarretar nenhum problema nem por em causa, rigorosamente, nenhuma ilegalidade constitucional.

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publicado por picodavigia2 às 11:29

SETE DE ABRIL DIA NACIONAL DO MOINHO

Domingo, 25.08.13

A “Rede Portuguesa de Moinhos”, com o apoio da “Sociedade Internacional de Molinologia” consagrou o dia 7 de Abril como o Dia Nacional do Moinho. Este ano, no entanto, porque esta data coincidiu com um dia de trabalho semanal, a RPM decidiu alterar esta comemoração, celebrando o Dia Nacional do Moinho, no fim-de-semana imediatamente posterior, ou seja, 10 e 11 de Abril, a fim de que possa haver uma maior participação por parte da população portuguesa nas actividades programadas, entre as quais se destacam visitas guiadas a diversos moinhos, uns recentemente recuperados e outros ainda a funcionar, bem como a observação, nos mesmos, de todas as operações ligadas à moagem dos cereais, nomeadamente do milho.

Embora decorrentes por quase todo o país, este ano as actividades programadas centralizaram-se especialmente no distrito de Aveiro, zona onde proliferam azenhas e moinhos de água e de vento, os quais estarão abertos e a funcionar durante todo o fim-de-semana. Assim foram programadas visitas guiadas aos seguintes moinhos daquele distrito: Aradas em Aveiro, Angeja em Albergaria-a-Velha, Pinheiro da Bemposta em Oliveira de Azeméis, Arões em Vale de Cambra, Real e Tilas em Castelo de Paiva, Pessegueiro em Sever do Vouga, Macieira de Alcôda em Águeda e S. Lourenço do Bairro em Anadia, para além de muitos outros.

Os Açores em geral e a ilha das Flores muito em particular com destaque para a zona da Fajã Grande e da Fajãzinha, são uma região onde outrora proliferavam moinhos. Hoje, com excepção de um na Fajãzinha, na Fajã Grande os moinhos estão completamente abandonados, por isso, urge perguntar, ao comemorar-se esta data, se não seria de se pensar nos moinhos da zona da Ribeira das Casas, nomeadamente dois que pertenceram a tio Manuel Luís, um outro pertencente ao Manuel Dawling e ainda o Moinho do Engenho? Não seria de se recuperar ou reconstruir pelo menos um destes moinhos, transformando-o em arquétipo turístico e referencial da cultura e da história duma freguesia que num passado recente, teve como actividade primordial a agricultura, com destaque para o cultivo do milho?

 

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publicado por picodavigia2 às 12:20

CAMPEONATOS NACIONAIS DE JOVENS, EM TÉNIS DE MESA - EQUIPA AÇORIANA DO JUNCAL (ILHA TERCEIRA) VICE-CAMPEÃ NACIONAL

Segunda-feira, 12.08.13

O Ténis de Mesa é, infelizmente, uma das modalidades desportivas mais esquecida pelos meios de Comunicação Social. Raramente se abre um jornal, mesmo dos de índole “desportiva”, e se encontra qualquer referência à realização de uma ou outra prova desta modalidade, com excepção do relato sucinto, uma vez ou outra, dos campeonatos nacionais de seniores bem como alguma informação sobre a prestação das selecções nacionais, com destaque para as de seniores, nos campeonatos europeu ou mundial. De resto um ignorar constante e permanente de todas as actividades que envolvem uma das modalidades que, sobretudo a nível das camadas jovens, mais atletas movimenta e que mais pavilhões enchem, semanalmente, numa sã e salutar prática desportiva.

Foi o que aconteceu nos passados dias 2 e 3 de Abril, durante os quais teve lugar, no Pavilhão Desportivo de Grijó,em Vila Novade Gaia, mais uma edição dos Campeonatos Nacionais de Jovens, equipas, nas classes de Cadetes, Infantis e Iniciados Masculinos e Femininos. A prova que se desenrolou sobre a égide da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa contou com a participação de 37 clubes e com um total de quase meio milhar de atletas.

Presentes na prova e com várias equipas dos diversos escalões estiveram quatro clubes açorianos: o Grupo Desportivo do Centro Social do Juncal e a União Sebastianense Futebol Clube, da Ilha Terceira e o Grupo Recreativo dos Toledos e a Casa do Povo da Madalena, ambos da Ilha do Pico.

Desempenho notável foi o da equipa de Infantis Femininos do Juncal que atingiu a final daquele escalão, onde defrontou o Clube de Ténis de Mesa de Chaves, perdendo, no entanto, por um equilibradíssimo 3-2, numa jogo muito disputado e, consequentemente, sagrando-se vice campeã nacional da modalidade. Por sua vez uma equipa da União Sebastianense obteve o 5º lugar no escalão de Iniciados Masculinos enquanto classificação idêntica obteve a equipa do Grupo Desportivo dos Toledos, no escalão de Infantis Femininos.

Acrescente-se que desde há alguns anos o Ténis de Mesa tem-se implementado e desenvolvido com algum sucesso e resultados muito significativos em algumas ilhas açorianas, nomeadamente no Pico e na Terceira, ilhas que participam nos campeonatos nacionais de seniores com duas equipas: Juncal (Terceira) e Toledos (Pico).

 

Texto publicado no dia 05/04/10, no blogue “Pico da Vigia”.

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publicado por picodavigia2 às 15:11

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA JANTA AMANHÃ NA FAJÃ GRANDE

Sexta-feira, 02.08.13

Amanhã à tarde, pelas dezanove horas, o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, visitará a Fajã Grande das Flores, onde jantará. O Chefe de Estado, que hoje está presente na ilha de São Jorge, partirá para as Flores, na manhã da próxima sexta-feira, onde chegará pelas dez horas, iniciando a sua estadia na ilha, precisamente na vila de Santa Cruz, em cujo aeroporto desembarcará, com uma visita à antiga Fábrica da Baleia e ao Centro Interpretativo Ambiental do Boqueirão.

Por volta do meio-dia o Presidente Cavaco Silva partirá para a vizinha ilha do Corvo, realizando um périplo pela ilha. Será também na mais pequenina ilha açoriana que a comitiva presidencial almoçará com toda a população local, ali permanecendo durante cerca de três horas, efectuando um curto périplo pela vila do Corvo. De regresso às Flores, o Presidente da República irá visitar a exposição fotográfica "Aproximações", de Jorge Barros, no Museu das Flores, seguindo, de imediato, para uma visita à freguesia mais ocidental de Portugal, a Fajã Grande, terminando aí a sua visita com um jantar oferecido pelos presidentes das Câmaras Municipais de Santa Cruz das Flores e de Lajes.

Texto colocado no Pico da Vigia, em 22 de Agosto de 2011

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publicado por picodavigia2 às 10:01

PIERLUIGI BRAGAGLIA

Sexta-feira, 26.07.13

Da autoria de Pierluigi Bragaglia, foi recentemente editado e publicado um livro intitulado “Ilha das Flores – Açores Roteiro Histórico e Pedestre”. Trata-se duma obra de grande qualidade, rigor e interesse que retrata de forma clara e inequívoca aspectos históricos, informativos, paisagísticos e naturais interessantíssimos sobre a mais ocidental ilha açoriana.

O livro divide-se em quatro partes às quais se segue um anexo com fotos de excelente qualidade sobre os lugares e paisagens mais emblemáticos da ilha. Na primeira parte, o autor faz uma resenha histórica das Flores, desde os primórdios do seu povoamento até aos nossos dias, desenvolvendo, com recurso a outros historiadores e obras sobre a ilha, vários temas importantes com destaque para o povoamento, a pirataria, a baleação e a emigração. Nas partes seguintes Pierluigi Bragaglia faz uma espécie de viagem, em três etapas, ao redor da ilha: uma de Santa Cruz às Lajes, dando a conhecer as duas vilas e toda a costa sudoeste, abrangendo as freguesias da Caveira, Lomba e Fazenda (II Parte); outra descrevendo o sudoeste, as lagoas e o estremo ocidental europeu, onde surgem as freguesias do Lajedo, Mosteiro, Fajãzinha e Fajã Grande e ainda as localidades da Costa, Caldeira, Cuada e Ponta (III Parte); finalmente o autor viaja pelo norte na descoberta de Ponta Delgada e Cedros, com destaque ainda para a localidade da Ponta Ruiva (IV Parte). Cada uma destas partes, por sua vez, divide-se em capítulos sobre as localidades abrangidas por cada zona, sendo que e relativamente a cada uma, o autor, para além de identificar, informar e pormenorizar todos os trilhos existentes, faz um resumo histórico de cada vila freguesia ou localidade, terminando cada capítulo com um conjunto de informações actualizadas sobre cada uma das freguesias da ilha.

No que concerne à Fajã Grande, Pierluigi Bragaglia apresenta dados históricos de grande interesse e rigor sobre a mesma, menciona os seus filhos mais ilustres, descreve os naufrágios que por ali proliferavam outrora, a importância da freguesia na origem da baleação açoriana e a emigração clandestina no sec XIX, referindo ainda dados históricos respeitantes aos lugares da Ponta e da Cuada. Relativamente aos trilhos fajãgrandenses enumera e descreve os seguintes: “Vigia da Baleia (subida ao Pico da Vigia)”, “Assomada – Cuada - Paus Brancos - Escada Mar – Fontinha”, “Rocha da Fajã e Lagoas Negra – Comprida, Seca, da Água Branca” e “Poço do Bacalhau”. Finalmente realça o antigo itinerário entre a Fajã e Ponta Delgada, considerando que este antigo caminho pedestre constitui ainda hoje a única via de comunicação terrestre entre estas duas freguesias.

Por tudo isto o livro não é apenas “mais um livro” sobre as Flores mas sim uma espécie de enciclopédia de consulta sobre o passado e o presente da ilha, com destaque obviamente para os seus itinerários ou roteiros, o qual pode ser consultado a cada momento, sobretudo para quem visita a ilha ou dela se afastou há muitos anos. Na realidade este Roteiro Histórico e Pedestre das Flores assume-se, como afirma o próprio autor “como um manual de instruções ambivalente, uma ferramenta para quem esteja interessado, por um lado, em pesquisar as diversas temáticas históricas que a ilha inspira, por vezes aqui reinterpretada com outro olhar.”

O livro está à venda e pode ser adquirido pela Internet, através do seguinte contacto: infoarrobaargonauta-flores.com ou pelo telefone 292552219.

Pierluigi Bragaglia é natural de Medicina, Bolonha, Itália e reside desde há quase duas décadas na Fajã Grande das Flores, terra a que dedica uma atenção inexaurível e um carinho desmesurado. Possui um currículo académico e literário notável. Em 1992, licenciou-seem Ciências Políticaspela Universidade de Bolonha, com uma tese de História Moderna sobre os Açores e a Madeira, orientada pelo Dr. Joel Serrão. Depois de ter estudado Português na Faculdade de Letras, licenciou-se em História na Universidade Nova de Lisboa, em 1995. Entre 1995 e 1996 passou a ser Sócio-Gerente da editora Jornal de Cultura de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, participando na abertura da filial daquela empresa no Funchal, Ilha da Madeira.

Na Fajã Grande das Flores, desde 1991 é proprietário e gerente do Argonauta, situada na esquina da Rua Direita com as Courelas, naquela que foi a casa da Sra Alvina. Para além de alojamento de qualidade, Pierluigi ainda disponibiliza aos visitantes da ilha serviços de transporte e prestações de guia turístico e cozinha para os hóspedes. Paralelamente continua a trabalhar na pesquisa histórica e a escrever de modo independente, colaborando por vezes com as autarquias locais, tendo escrito, para além de outros livros, uma importante obra sobre os lacticínios, na Ilha Flores.

 

NB – Este texto foi publicado no blogue “Pico da Vigia”, em 31/01/10

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publicado por picodavigia2 às 09:53

DECRÉSCIMO DEMOGRÁFIO

Sexta-feira, 12.07.13

 

( CONCELHO DAS LAJES DAS FLORES)

 

A emigração, primeiro, e o envelhecimento natural da população, depois, transformaram o concelho das Lajes das Flores, o mais ocidental dos Açores e de Portugal, no mais grave caso demográfico de entre todos os 19 concelhos que compõem as nove ilhas do arquipélago dos Açores. Com uma densidade populacional que se queda, presentemente, pelos 21,58 hab/km2, sensivelmente um quinto da média dos Açores, o concelho perdeu, também, entre 1950 e 1960, o estatuto, que desde sempre detivera na ilha, de concelho mais populoso, tendo sido, inexorável e definitivamente, ultrapassado pelo de Santa Cruz das Flores. Os seus 1.501 habitantes, segundo os «Censos 2011», estão distribuídos pelas suas sete freguesias da seguinte forma: Lajes 627, Fazenda das Lajes 257, Lomba 206, Fajã Grande 199, Lajedo 93, Fajazinha 76 e Mosteiro apenas 43 habitantes. Estas minúsculas freguesias representam o ponto mais baixo de uma acentuada – e no último meio século, contínua – curva descendente da sua população do concelho das Lajes, e podem ser vistas igualmente como o prenúncio do desaparecimento próximo de algumas pequenas comunidades, a exemplo do que já sucedeu, no último quartel do século XX, com os lugares da Cuada, que nos seus tempos áureos chegou a ter mais de uma centena e meia de almas, e da Caldeira do Mosteiro e ainda, em anos anteriores dos lugares de Pentes e Fajã dos Valadões, na Fajãzinha.

Com uma superfície de 69,59 km2, o concelho de Lajes das Flores terá conhecido a sua população máxima nos já distantes meados do século XIX (5.982 habitantes em 1849). Daí para cá, porém, a sua população tem vindo gradualmente a diminuir, sendo que a década de 1950 fica, para já, a marcar o início de uma viragem sem retorno previsível – 5.865 habitantes em 1864, 5.369 em 1878, 4.999 em 1890, 4.498 em 1900, 3.991 em 1911, 3.518 em 1920, 3.508 em 1930, 3.780 em 1940, 4.041 em 1950, 3.376 em 1960, 2.486 em 1970, 1.896 em 1981, 1.701 em 1991 e 1.502 em 2001. Se a emigração para o Brasil não teve influência significativa na demografia local – pese embora haver notícia de várias embarcações que, na década de 30 do século XIX, com maior ou menor sucesso, aqui tentaram arregimentar braços que supostamente eram depois vendidos “como vis escravos aos plantadores dos ardentes climas das Américas”, já o mesmo não sucedeu em relação aos Estados Unidos e mais tarde o Canadá, que os primeiros florentinos cedo lograram alcançar a bordo das baleeiras americanas que na ilha habitualmente faziam refresco e substituição de tripulantes. Em vésperas, ainda, da grande “corrida ao ouro” na Califórnia, garantia já em 1857 o governador civil da Horta que “das Flores a emigração para as baleeiras, assim como para os Estados Unidos, é feita clandestinamente, não se podendo dizer que seja em pequena escala” E tanto assim foi que, só capitães baleeiros, será possível identificar, nas décadas seguintes, ao serviço da frota americana, uma boa dúzia de florentinos, ou filhos destes – António Caetano Corvelo, Henry Clay, William F. Joseph, Francisco Augusto, Nicholas Rodrigues Vieira, John A. Vieira, Joseph A. Vieira, António José de Freitas, Joseph T. Edwards, Antone T. Edwards, John T. Edwards e Joseph F. Edwards.

A grande sangria populacional da ilha só viria a ocorrer, porém, no último quartel do século XIX e nas duas primeiras décadas do século XX. Não há elementos estatísticos que permitam quantificar essa emigração, avessa a passaportes, mas, a crer na imprensa local, o fenómeno, que tivera como causa próxima a alteração, em Abril de 1873, da lei do recrutamento, eliminando as remissões a dinheiro, depressa atingiu proporções nunca antes vistas. Em 1883, por exemplo, o vapor Açoriano chegou a Boston com duas centenas de florentinos e, na primavera seguinte, também o lugre Paladin e as barcas Sarah e Verónica desembarcam naquela cidade e em New Bedford uma centena acrescida de emigrados. Em Maio de 1889, a logra Mary Frazier zarpou da ilha para Boston “com nada menos de 200 passageiros” viagem que repetiria dois meses depois, tal como o patacho Rival, ambos “cheios de emigrantes”  E sob o título “Escravatura Branca”, um jornal local noticiava em Maio de 1891 que a barca Sarah saíra, naquele mês, para Boston abarrotada “de passageiros clandestinos, ou escravatura branca, como lhe chama o próprio capitão” pois só três dos embarcados possuíam passaporte. “Até há poucos anos só emigravam alguns mancebos sujeitos ao recrutamento (...) mas hoje abandonam a ilha famílias inteiras sem distinção de idades nem de sexos”, escrevia o mesmo jornal, adiantando que a emigração “vai tomando proporções assustadoras”, tanto mais que a autoridade “não só deixa embarcar os naturais da ilha, mas ainda aqueles que, não podendo embarcar nas suas terras, vêm aqui para mais livremente seguir o seu destino”.

Na viragem do século XIX para o XX já eram mais de quinhentos, na ilha, os americanos in nomine, muitos deles guindados agora, nesse seu regresso à terra-mãe, à condição de pequenos proprietários, graças às águias amealhadas nas longínquas Califórnias de abundância.

Não se ateve, todavia, a esta vertente económica a influência americana na vida dos florentinos, antes podemos encontrá-la, também, no cancioneiro popular, na arte do scrimshaw, na linguagem recheada de americanismos, até na introdução das ideias protestantes, chegadas, no dizer de um periódico local, sob a forma de um “verdadeiro aluvião de livros heréticos e bíblias falsas” que de Lowel remetera um emigrante dos Cedros. Foi dessa América, também, que à ilha chegaram quase todas – a grande excepção terá sido o primeiro coupé, trazido de Lisboa em 1889 – as “suas” inovações da época – as primeiras caliveiras e debulhadoras mecânicas para os milhos, a primeira impressora tipográfica, as primeiras canoas baleeiras e seus apetrechos, os primeiros aparelhos de rádio, etc.

Estancou-se, finalmente, a emigração. Mas quantos sobram hoje, também?! Como cantou, há quase meio século, o poeta Pedro da Silveira. “É uma família morta, a de meu pai: / uma família morta, / de ausentes e mortos. / Na Europa só eu resto: os outros / desertaram a casa, / abalaram, são hoje / nos que não sei, / americanos, filipinos, cubanos / e brasileiros, / venezuelanos / e uruguaios / - primos dispersos, / parentes / entre si ignorados.”

 

Obs – Texto elaborado a partir de dados retirados da Internet e actualizados com os do Censos 2011,

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publicado por picodavigia2 às 13:40

ESQUECERAM AS PASSADEIRAS

Terça-feira, 25.06.13

A estrada que liga Paredes a Paços de Ferreira e à A42, na rua Padre Augusto Correia, logo à entrada da cidade de Paredes, sofreu, já há bastante tempo, obras de beneficiação, sendo-lhe colocado um novo tapete. Só que as obras já terminaram e as passadeiras que antes existiam, no termo da referida rua e à entrada da Rotunda “20 de Junho”, também conhecida por “Rotunda das Finanças”, ficaram-se pelas intenções. Simplesmente não foram lá recolocadas ou melhor, nunca mais foram pintadas.

Acontece que se trata duma artéria da cidade que liga as ruas José Bragança Tavares e José Leite Vasconcelos à Circular Rodoviária Interna, à Madalena e Besteiros e ao Parque da Cidade, transitando por ali a pé, diariamente muitos peões, entre os quais crianças, senhoras com carrinhos de bebé e pessoas de idade.

O perigo de atropelamento é permanente.

Ora sendo este um período pré-eleitoral, ou seja, uma altura em que se faz aquilo que se devia ter feito e não se fez, seria uma boa altura para que, quem de direito, mandasse recolocar naquela importante artéria de acesso à cidade de Paredes as respectivas passadeiras. Provavelmente poderia até nem dar votos a quem quer que fosse, mas decerto evitar-se-iam as situações  de perigo eminente que ali se verificam diariamente.

 

NB – Este texto continua a ter actualidade, porquanto publicado no Pico da Vigia 1, em 21 de Setembro de 2009, passados quase quatro anos, as passadeiras no lugar referido, continuam, completamente, esquecidas.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:34

URBANO BETTENCOURT

Segunda-feira, 24.06.13

Hoje, recebi o último número do jornal picoense, “O Dever”, onde Victor Rui Dores publicou mais um dos seus excelentes textos, neste caso sobre o Urbano Bettencourt, com o título Urbano Betencourt ou a demanda poética.

É muito gratificante e, até, ufanoso para os que fizeram grande parte da sua formação académica e humana no Seminário de Angra, vermos realçar e elogiar o valor e o mérito de colegas que se sentaram nas salas de estudo e aulas daquela instituição de ensino açoriana. Tudo se torna mais enobrecedor quando os méritos referidos dizem respeito à cultura, à arte, à ciência, às letras e à música. E os exemplos abundam. O Urbano é um deles e, por isso, não resisto a “respigar” aqui, alguns parágrafos do artigo citado.

“… um poeta que, de furtivo em furtivo livro, reabilita a palavra poética e o sentido mágico do poema. Urbano Bettencourt, cavaleiro andante por amor à literatura, picaroto que vive entre a ilha e a viagem , e de quem acaba de ser lançado um livrinho (de bolso” imperdível: Outros nomes e outras guerras – Antologia.

“Há em Urbano Bettencourt , uma íntima ligação entre a vida e a escrita, ou seja, mistura de vida vivida e sentida com (re)invenção e (re)elaboração do real.”

“Desde Raiz de Mágoa, seu primeiro livro, que Urbano Bettencourt é poeta do equilíbrio formal, da economia do verso bem urdido e sonoro, e da requintada arte de finalizar o poema, sendo que um constante sentido de rigor de exigência e de minúcia orientou  a demanda de uma linguagem depurada e erguida sobre a palavra iluminada, única e essencial. Resultado: o percurso poético de Urbano tem sido sempre de sentido ascendente. Diria mais: ele é excelente e imenso poeta porque tem a policiá-lo um grande sentido crítico.”

Em Outros nomes outras guerras estamos perante um poeta que age e reage, que questiona as mitologias do quotidiano que denuncia e renuncia, não faltando leves doses de ironia nalguns poemas.”

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publicado por picodavigia2 às 19:14

AUTÁRQUICAS 2009 - FREGUESIAS COM MENOS DE 100 ELEITORES

Sexta-feira, 21.06.13

(TEXTO PUBLICADO NO PICO DA VIGIA EM 12/10/09)

 

Há uns bons anos atrás, quando, em dia de eleições, nos sentávamos frente ao televisor à espera de resultados eleitorais e quando os meios informáticos disponíveis não eram tão rápidos e eficientes como os de hoje, ouvia-se, tradicionalmente, anunciar entre os primeiros resultados eleitorais, os obtidos na freguesia portuguesa com menor número de eleitores – Vale da Coelha, no concelho de Almeida, distrito da Guarda.

Hoje os dados chegam em catadupa e normalmente as projecções e os primeiros resultados anunciados são os das freguesias ou concelhos considerados mais importantes ou daqueles em que as eleições são, politicamente, mais disputadas. Das freguesias mais pequenas já não se fala. Dos concelhos, de quando em vez, refere-se apenas o Corvo, mais pela sua singularidade do que pela sua pequenez, uma vez que é o único concelho onde não existem freguesias. Curiosamente em Portugal existe apenas um concelho com uma freguesia – São João da Madeira, no distrito de Aveiro.

Quanto às freguesias mais pequenas ou mais desertificadas, cujo número aumenta assustadoramente de ano para ano, são hoje em dia esquecidas ao longo das cada vez mais curtas noites eleitorais. No entanto já não é Vale da Coelha a liderar o top das freguesias com menos eleitores. Essa “supremacia”, anacrónica e pouco simpática diga-se de passagem, pertence à freguesia do Mosteiro, concelho das Lajes, na ilha das Flores.

Numa pesquisa rápida, talvez por isso mesmo não completa, identifiquei nos quadros dos resultados eleitorais das Autárquicas de 2009, ontem realizadas, 27 freguesias com menos de 100 eleitores inscritos. Destas, quatro pertencem à ilha das Flores: a já referida freguesia do Mosteiro e ainda a Caveira, a Fajãzinha e o Lajedo.

Se a este número se juntar a quantidade impressionante de freguesias com menos de mil habitantes, não será de se pensar novamente numa revisão da actual divisão administrativa do país?

 

Freguesia

Concelho

Distrito

Eleitores

Não votaram

Mosteiro

Lajes Flores

Açores

40

7

Bigorne

Lamego

Viseu

46

16

Coura

Armamar

Viseu

54

17

Aldeia Nova

Almeida

Guarda

60

21

Mofreita

Vinhais

Bragança

62

19

Bogalha

Pinhel

Guarda

64

19

Granjinha

Tabuaço

Viseu

66

30

Caveira

Sta Cruz Flores

Açores

67

15

Senouras

Almeida

Guarda

68

28

Cidadelhe

Pinhel

Guarda

68

28

Vale da Coelha

Almeida

Guarda

68

32

Vila Soeiro

Guarda

Guarda

71

33

Pombares

Bragança

Bragança

73

39

Monte Margarida

Guarda

Guarda

74

35

Pêro Soares

Guarda

Guarda

83

29

Ruivos

Sabugal

Guarda

85

33

Fajazinha

Lajes Flores

Açores

86

25

Vilar de Rei

Mogadouro

Bragança

88

27

Donões

Montalegre

Vila Real

88

46

Forles

Sátão

Viseu

89

19

Póvoa d’El Rei

Pinhel

Guarda

92

50

Vales

Alfandega da Fé

Bragança

93

23

Lajedo

Lajes Flores

Açores

95

17

Idanha-a-Velha

Idanha-a-Nova

C.Branco

95

23

Cabreira

Almeida

Guarda

96

36

Vale Afonsinho

Fg.Castelo Rodrigo

Guarda

98

16

Burga

Mac. Cavaleiros

Bragança

99

44

 

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publicado por picodavigia2 às 21:50





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